<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593</id><updated>2012-02-16T08:38:21.228-03:00</updated><category term='função da arte'/><category term='dica de leitura'/><category term='conceito de arte'/><category term='Quinhentismo'/><category term='estereótipo'/><category term='literatura de informação'/><category term='clichê'/><category term='catarse'/><category term='índio'/><category term='funções da literatura'/><title type='text'>Literarizando</title><subtitle type='html'>Mudamos de endereço. Por favor, siga para o Literarizando hospedado no Wordpress.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>61</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-500905751309463554</id><published>2009-02-26T19:40:00.002-03:00</published><updated>2009-02-26T19:42:12.764-03:00</updated><title type='text'>Estamos de mudança</title><content type='html'>Senhoritos e senhoritas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos de mudança! O blog está sendo transferido para a plataforma do Wordpress. Aguardo vocês lá. É só ir para &lt;a href="http://www.literarizando.wordpress.com"&gt;www.literarizando.wordpress.com&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijinhos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-500905751309463554?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/500905751309463554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=500905751309463554&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/500905751309463554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/500905751309463554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2009/02/estamos-de-mudanca.html' title='Estamos de mudança'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-4637257228437732039</id><published>2009-02-25T22:58:00.002-03:00</published><updated>2009-02-25T23:13:31.668-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dica de leitura'/><title type='text'>Uma pausa para dicas de leitura</title><content type='html'>Olá, foliões arrebentados de tanto pular e não-foliões preguiçosos de tanto descansar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não vou deixar nenhum &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post &lt;/span&gt;sobre conteúdo... teremos muito tempo para isso. O que vim deixar aqui são duas dicas de leitura, essas sim, relacionadas com o que discutimos até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira é um livrinho muito interessante chamado "&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Literatura Brasileira - Modos de Usar&lt;/span&gt;", de Luís Augusto Fischer. É um livro de bolso, que faz um panorama geral da nossa literatura e suas principais obras sem o viés historicista que o estudo escolar nos obriga a fazer. Fischer conseguiu fazer nele uma série relações que eu adoraria poder fazer em sala de aula, mas que o sistema escolar como é concebido hoje não me permite. Ele focaliza a nossa produção literária através dos temas, dos gêneros, da relação de (in)dependência da literatura européia e uma série de outras excelentes sacadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro material é o livro "&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Novo Mundo - As cartas que batizaram a América&lt;/span&gt;". O livro traz as cartas de Américo Vespúcio (e as atribuídas a ele, documentos talvez até mais importante para o imaginário coletivo sobre a América - e o Brasil, principalmente, - do que aqueles historicamente legitimados como sendo suas produções), apresentadas pelo historiador Eduardo Bueno. As notas de apresentação de Eduardo Bueno são interessantíssimas, muito didáticas e - principalmente - deliciosamente bem escritas. Elas nos dão uma dimensão muito clara da dimensão obtida pelos textos de Vespúcio. Em outra ocasião eu vou escrever aqui um pouquinho sobre a &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Novus Mundus&lt;/span&gt;, da qual já lemos um trecho, e não sinto a mínima vergonha de dizer que tudo que aprendi sobre ela veio desse livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah e não, não estou ganhando comissão para fazer propaganda nenhuma não. É vício de ler mesmo. E vontade de querer alastrar esse vício por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom regresso às aulas amanhã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijinhos!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-4637257228437732039?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/4637257228437732039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=4637257228437732039&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4637257228437732039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4637257228437732039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2009/02/uma-pausa-para-dicas-de-leitura.html' title='Uma pausa para dicas de leitura'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-1941494873480816422</id><published>2009-02-20T23:06:00.003-03:00</published><updated>2009-02-21T00:10:41.004-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura de informação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='clichê'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quinhentismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='índio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estereótipo'/><title type='text'>Quinhentismo - Olhares estrangeiros</title><content type='html'>Olá, foliões! E não-foliões também, claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, aqui, no Carnaval? Claro! Não, não porque eu sou viciada demais em trabalhar. Mas é porque eu adoro carnaval... pra descansar. Juro que apesar de achar uma orquestra de frevo, um caboclo de lança e a batida do maracatu de baque-virado coisas absurdamente emocionantes, até hoje não consegui muito bem processar porque é que ao ver essas coisas nesses quatro dias do ano as pessoas são tomadas por uma crise de euforia súbita. E sim, eu já provei para dizer que não gostei. Mas gosto é gosto, coisa que se discute, mas, principalmente, respeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então deixa eu aproveitar esse tempinho para dar uma atualizada aqui no nosso espaço. O bom é que dá para postar hoje e adiantar uns dois posts na próxima semana. Quem puder vir aqui vai ficar mais que por dentro quando as aulas recomeçarem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta semana começamos a conversar sobre o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Quinhentismo&lt;/span&gt;, esse período de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;produção escrita&lt;/span&gt; relativo ao século XVI. Eu, particularmente, tenho uma grande resistência em me referir a ele como um período de produção literária. É que a palavra literária, aqui, tem que ser usada num sentido amplo, como conjunto de obras de uma época (no caso do Quinhentismo brasileiro nem de um país é, já que escreveram muitos estrangeiros de nacionalidades diferentes escreveram sobre nós). Aí, se usarmos a palavra literatura para nos referirmos a ele alguém pode achar que se fala da arte literária. E não é bem isso que aconteceu aqui nos anos quinhentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vocês perceberam quando leram os excertos dos textos de Pero de Magalhães Gândavo, Pero Vaz de Caminha, Pe. Manuel da Nóbrega e Américo Vespúcio, o principal objetivo da maioria dos textos produzidos nessa época era &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;relatar &lt;/span&gt;as viagens ao novo mundo e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;informar&lt;/span&gt; como era a terra e como eram as pessoas encontradas aqui. Não há a preocupação em se conformar, nessas obras, um discurso artístico. Isto não significa, entretanto, que não haja uma preocupação com a linguagem. Só que essa linguagem não tem a intenção de ser artística, mas sim de ser adequada ao relato oficial para um rei ou superior (a maior parte dos textos tinham como destinatário as autoridades da época e muitos deles eram sigilosos, para que não se revelassem as riquezas que poderiam ser cobiçadas pelas nações rivais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assumidas então como obras informativas, então, é preciso julgar delas mais o seu conteúdo do que sua expressividade -&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt; embora alguns textos tenham um estilo muito peculiar e mereçam receber atenção pelo mérito pessoal de seus autores&lt;/span&gt;. E nesse campo do conteúdo, vale salientar dois elementos: o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ponto de vista&lt;/span&gt; e a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;verossimilhança&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Produzidos numa &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;perspectiva cultural eurocêntrica&lt;/span&gt;, a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;literatura de informação&lt;/span&gt; - os tratados, as cartas, os documentos escritos no Brasil durante o século XVI - pode ser &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;simpática &lt;/span&gt;ao Brasil ou assinalar uma profunda &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;crítica &lt;/span&gt;ao que se encontrava aqui. A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quem &lt;/span&gt;se encontrava aqui, para ser mais precisa. A beleza e o exotismo de nossos bens naturais era um consenso entre os cronistas da época. Todos mencionavam a extensão das matas, a diversidade de espécimes animais e vegetais que aqui existiam, os sabores das frutas típicas, o clima - elementos que faziam do lugar um paraíso terreal, quase o Jardim do Éden (daí se falar em um ponto de vista &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;edênico &lt;/span&gt;sobre o Brasil). Entretanto, no quesito gente, os textos acabaram sendo mais polêmicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Portugal não tinha grandes interesses econômicos no Brasil, o que se deu até meados de 1535, os índios e sua cultura foram freqüentemente apresentados como uma população exótica, diferente, mas, ao mesmo tempo, de boa índole, inocente e bela. O costume de andarem nus, repetidamente mencionado nos textos da época, não foi julgado negativamente nos primeiros contatos. O próprio Caminha, na &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Carta do Achamento&lt;/span&gt;, afirma que há nessa atitude dos gentios uma profunda inocência, pois eles mostravam o corpo como quem mostra o rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, encontrar povos que tinham na nudez uma prática cultural comum, sem qualquer inferência erótica, não foi uma novidade para os portugueses, que já havia muito tempo se relacionavam com as mais diversas etnias africanas - e já exploravam desde esse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;muito &lt;/span&gt;o tráfico de escravos. Embora ainda fosse motivo de estranheza, não era exatamente novidade para os lusos a existência de povos que andavam nus. O que assinalava para eles, naquele momento, é que esses povos - os africanos e os silvícolas - eram atrasados e, portanto, inferiores. Como não havia conflitos de interesses entre índios e portugueses, esse caráter "inferior" ficou implícito e não recebeu maiores considerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto, porém, os portugueses passaram a ter profundos interesses econômicos no Brasil e a investir em sua colonização (caso o contrário a França - que não reconhecia a legitimidade do Tratado de Tordesilhas - tomaria o território e suas riquezas), a relação com os indígenas mudou - e o que se escreveu sobre eles também. Povos que mantiveram alianças com os portugueses por quase meio século foram traídos e passaram a ser escravizados. Outros, que já tinham alianças com outros povos europeus (os franceses, principalmente) reforçaram seus combates aos colonizadores. Sem igualdade de condições contra as armas de fogo dos exércitos lusos, os índios foram decaindo, mortos em combate ou em virtude das doenças trazidas pelo homem branco (contra as quais não tinham anticorpos)  e da fome (com a perda de homens para a escravidão e com outros tantos direcionados para a guerra, as lavouras iam perdendo seus cultivadores).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudando-se a relação com os indígenas, de cooperativa para de rivalidade, a imagem que ele tinha nos escritos também mudou. A organização social, os hábitos, a cultura foram duramente criticados e &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;o índio gentil, inocente e prestativo se tornou violento, libertino e preguiçoso&lt;/span&gt;. A suposta ausência de religião e a antropofagia se tornaram os clichês mais constantes na construção de uma imagem de criatura perigosa, que deveria ser "&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;civilizada&lt;/span&gt;" - pelo bem ou pela força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste processo de tornar o índio civilizado foi particularmente importante a ação dos padres jesuítas - membros da Companhia de Jesus, ordem missionário responsável pela catequização dos povos encontradas na África e na América do Sul. Entre os muito recursos que eles utilizaram um, muito importante, foi a chamada &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;literatura de catequese&lt;/span&gt;. Mas isso são cenas dos próximos capítulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje, fiquem com Deus, aproveitem os quatro dias para pular ou descansar. E juízo, ouviram? Beijinhos e sejam felizes!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-1941494873480816422?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/1941494873480816422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=1941494873480816422&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1941494873480816422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1941494873480816422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2009/02/quinhentismo-olhares-estrangeiros.html' title='Quinhentismo - Olhares estrangeiros'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-6497032583111223558</id><published>2009-02-12T20:46:00.006-03:00</published><updated>2009-02-25T23:19:40.622-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='função da arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conceito de arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='funções da literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='catarse'/><title type='text'>Porque eu sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura...</title><content type='html'>Post que tem como título versos de Alberto Caeiro, um dos alter-egos poéticos do fantástico poeta português Fernando Pessoa... Se preparem, que hoje eu estou inspirada. E não poderia ser diferente. "&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Para que serve arte, para que serve literatura?&lt;/span&gt;" são duas das três perguntinhas que me fazem ter mais ataques de empolgação por segundo quadrado. É segundo quadrado mesmo... Nessas horas, o tempo fica com duas, três, quatro, cinco, mil dimensões diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente pode pensar em mil razões práticas/utilitárias para a existência da arte e para se estudar arte. Podemos dizer que a arte é importante porque é um meio de expressarmos emoções e sentimentos, porque ela é um bem que registra um período cultural no tempo, porque ela é capaz de entreter e dar prazer... Isso só para começar. Para os mais céticos a gente pode dizer que o mercado de trabalho exige cada vez mais um profissional múltiplo, capaz de compreender o mundo a sua volta e por isso é preciso investir numa formação ampla (e repetir aquilo de que vai cair no vestibular).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, são boas respostas. Mas, pra mim, elas limitam tanto a importância da arte e da literatura na nossa vida e na nossa formação! Por quê? Justamente porque são coisas práticas e utilitárias e, embora ser prático seja importante em determinados setores da nossa existência, ser APENAS isso é tão limitador...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, perguntar "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;para que serve arte e literatura&lt;/span&gt;?" é fazer um questionamento muito próximo, muito parecido com outro, fundamental. "&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Para quê serve a vida que a gente leva?&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que podemos responder isso de forma objetiva/científica/prática e até religiosa. Mas é tão limitador, não é mesmo? A vida nos foi dada... e o que vamos fazer com ela? Ser práticos e objetivos? Ser APENAS isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justamente porque a arte tem tanto a ver com a emoção e os significados que o ser humano atribui ao seu redor, o que a gente faz com ela e o que fazemos com as nossas vidas são coisas tão próximas. Podemos, por exemplo, pensar que a nossa vida serve (ou deve servir) para que aproveitemos ao máximo os prazeres que o nosso tempo sobre a terra pode nos dar. Ou ainda que deve servir para que participemos de um processo social que constrói riquezas e que nossa vida serve como um ponte entre o que se acumulou de riquezas (na família ou na sociedade em geral) no passado e o que se acumulará no futuro. Podemos, ainda, pensar que a nossa vida é uma coisa tão frágil e insignificante (já que a Terra não parou de girar sobre o próprio eixo quando começamos a existir, nem parará quando deixarmos de existir aqui) que ela não tem significado, não tem "para quê" - e com isso qualquer ação nossa fica sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida pode ser tudo isso, e a arte vai ter serventia para cada jeito de se perceber o que a vida deve ser. Mas na minha humilde, humilíssima opinião, todas essas respostas acima estão tão limitadas... Eu, particularmente, acho que a vida pode ter cada uma dessas coisas em si: viver envolve usufruir com prazer o que nosso tempo aqui nos oferece, envolve pensarmos em construir um mundo melhor (e nisso riqueza não é apenas uma conquista material por si só) e sim, o mundo não vai parar por nós: por isso temos que ser humildes em reconhecer nossas limitações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O detalhe é que só se focar nisso nos dá uma idéia tão limitada do que é a vida. É como olhar para um cubo é só enxergar um de seus lados. E por isso, numa postura tão arrogante, que é decretar o que é a vida, quanto humilde, que é reconhecer que essa é uma resposta pessoa e intransferível, eu atrevidamente postulo aqui: a gente está aqui para viver em todas as dimensões que essa vida que a gente pode levar nos oferece. Estamos aqui para, de olhos fechados, sentir o mundo, em suas contradições, seus milagres, suas mazelas, o sol e a chuva açoitando a nossa pele e o vento uivando nos cabelos. Estamos aqui para perceber. Perceber e aprender. Para não passar em branco, apenas vendo a grama ou os dígitos da conta bancária, crescerem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que eu defendo que arte e literatura são coisas muito mais imprescindíveis, às vezes, do que o conhecimento científico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pronto, agora deu! A ciência pode salvar vidas. Uma pessoa doente vai dar importância para livros, pinturas ou para médicos que podem curá-la?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não disse que a ciência não é importante. Sim, ela pode salvar vidas, pode tornar nossas vidas mais confortáveis também. Esse papel dela é inegável e eu não disse que podemos prescindir de sua existência em nossas vidas. Nem disse que a arte pode substituir a ciência. O que eu afirmei é que existe um papel que a ciência não cumpre, o papel da arte na nossa existência, e que pode sim, às vezes, ser mais necessário para nós do que a cura do corpo ou os benefícios da comunicação por satélite e do transporte mais rápido e mais barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvar vidas é importante. Mas tão importante, ou mais que isso, é dar sentido a elas. Sentido profundo, pleno. É dar ao homem uma capacidade de se enxergar, e de enxergar o que o cerca, maior e melhor. É limpar os nossos sentidos do comodismo cotidiano e enxergar o mundo sem a inércia que é o costume. Qual foi a última vez que você se permitiu observar as pessoas que te rodeiam e conhecê-las, o que pensam, o que sentem, suas histórias de vida? Quais foram os últimos encontros significativos, desses de alma para alma, dessas conversas que mudam os rumos de uma vida inteira para sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil fazer isso no dia a dia. A gente vai para o trabalho, para a escola, entra nos ônibus, paga as contas, presta provas, vai respirando um dia após o outro e esses momentos vão se minguando. E então, de repente, do nada, uma fotografia, uma música, um filme, uma peça, um poema, um livro entram na nossa vida e nós conhecemos o seu universo e as pessoas que os compõem mais profundamente do que o irmão que bagunça o hd do nosso computador. E conseguimos isso, principalmente, quando lemos. Ali entramos profundamente no que pensam e no que sentem Aurélia, Bella, Sargento Garcia, Sherlock, Peri, a mulher do médico, Fabiano, a cachorra Baleia. Eles nos emocionam. Eles nos tocam. Entram na nossa vida, e com raiva, com asco, com carinho, sua trajetória fica impregnada em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou eu que estou inventando essa relação. Aristóteles, o filósofo grego, falou disso há uns mil e muitos anos atrás. Ele chamou a isso de &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;catarse&lt;/span&gt;: a projeção e a expiação de nossos sentimentos através de uma obra de arte. A catarse é aquele alívio que Link (e nós, junto com ele) sente no fim da sequência em que Neo vai voando (literalmente) salvar Trinity em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Matrix Reloaded&lt;/span&gt;. É a catarse que faz com que a gente se contorça, nos filmes de terror, quando sabe que a mocinha tinha que fugir pela porta da frente e não subir pelas escadas. É ela que faz com que a gente chame Aurélia Camargo de burra cada vez que ela pisa em Fernando Seixas - e o chame de três vezes burro porque só ele não percebe que ela faz tudo aquilo porque o ama profundamente e quer ter certeza de que é correspondida. A catarse é esse chorar junto com o personagem, essa profunda identificação com o que há de humano nele e que nos faz sair da obra cansados, mas renovados, mais leves, prontos para enfrentar, de novo, o dia a dia, as contas, as provas e o dizer "bom dia", "boa tarde" a pessoas que não conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que serve a arte? Para sermos maiores. É o que o Pessoa, na voz de Alberto Caeiro, nos disse. Nós somos do tamanho do que conseguimos enxergar. E a arte, a literatura, nos retira dessa cegueira do cotidiano, nos lembra como é estar vivos, e sentir, e sonhar, e amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quê serve viver? Para sentir o mundo, profundamente, e enxergá-lo com vastidão. Senão, a nossa vida, torna-se o que chamamos, metaforicamente, de uma página em branco.&lt;br /&gt;Para que serve arte e literatura? Para nos fazer sentir o mundo, profundamente, e enxergá-lo com vastidão. Para que não fiquemos mecanizados, autômatos e inumanos, esperando da vida apenas aquilo que é causa e consequência, razão, linearidade. Para nos lembrar do que é ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós somos do tamanho do que vemos, e não do tamanho da nossa altura. O mundo de cada um de nós é do tamanho daquilo que conseguimos enxergar. Do que conseguimos ler. Por isso que Monteiro Lobato afirmou, muito claramente: "&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Os livros não mudam o mundo. Os livros mudam as pessoas. As pessoas é que mudam o mundo&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu avisei que ia me empolgar, não avisei? Avisei sim. E quanto às multidimensões do tempo: você acabou de viver uma delas. Você me leu. O tempo meu, de agora, quando escrevi, é tempo passado seu. Mas é tempo presente, ao mesmo tempo. Nosso tempo se elevou, agora, em dois. O meu e o seu. O texto é a primeira máquina do tempo inventada pelo homem. E a única que oferece viagens sem riscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O post já está grande e a minha adrenalina baixou. Espero ter conseguido escrever com a clareza que eu gostaria que esse texto tivesse/tenha. Se não consegui, conheço alguém mais competente do que eu para dizer, em outras palavras, o que eu tentei aqui. É o escritor brasileiro Otto Lara Resende, em sua crônica &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Vista cansada&lt;/span&gt;. Fiquem com ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo no coração, com muito carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não esqueçam: vejam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 102, 0); font-weight: bold;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse             pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor             quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de             despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha             acabado como acabou.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;        Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um             certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo.             Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas             não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo             visual da nossa rotina é como um vazio.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;        Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que             você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um             profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá             estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava             um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;        Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos,             nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse             uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O             hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas,             bichos. E vemos? Não, não vemos.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;        Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do             mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que             nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às             pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no             coração o monstro da indiferença.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-6497032583111223558?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/6497032583111223558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=6497032583111223558&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/6497032583111223558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/6497032583111223558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2009/02/porque-eu-sou-do-tamanho-do-que-vejo-e.html' title='Porque eu sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura...'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-4215249390306608978</id><published>2009-02-08T16:07:00.006-03:00</published><updated>2009-02-08T22:01:16.913-03:00</updated><title type='text'>O que é arte?</title><content type='html'>Eita perguntinha difícil essa hein? Por mais que tentemos estipular critérios objetivos "&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;arte é uma criação do homem para expressar seus sentimentos&lt;/span&gt;", "&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;arte é uma expressão de sentimentos que usa cores, sons, formas, palavras&lt;/span&gt;", "&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;arte é uma técnica que busca expressar um ponto de vista estético&lt;/span&gt;", vai ter pelo menos um momento em que eles não vão ser suficientes para exprimir o que danado é arte, o que torna um objeto artístico. Basta um artista fazer algo completamente original pra gente se perguntar se aquilo é arte e as opiniões se dividirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, a gente não pode considerar que o conceito de arte é uma coisa completamente subjetiva. Um colar feito por um artesão pode ser compreendido como arte por quem compra e não por quem faz, mas não é nem quem compra nem quem faz que termina definindo o que é arte. Não somente. Esse conceito de obra de arte é uma coisa socializada. Não adiantava Van Gogh achar que os seus quadros eram arte e ter uns dois ou três admiradores. Enquanto ele estava vivo, aquilo não foi arte, pelo menos não arte de valor. Virou depois que alguém, alguém que a sociedade reputava como uma pessoa importante e com capacidade para avaliar o que era arte (e principalmente, o que era arte de valor) não só disse que o que Van Gogh fez era arte, como, principalmente, conseguiu contaminar as outras pessoas com aquela ideia (valeu por me lembrar da ortografia nova, Marina!). O que significa que "o que é arte?" é um conceito que é mais cultural e temporal do que subjetivo. E é por isso que certos artistas são muito valorizados em algumas épocas e depois são deixados de lado e com outros acontece o contrário. No caso dos primeiros, o que eles produziram atendeu às expectativas da sociedade contemporânea a ele, mas, algum tempo depois, essa sociedade mudou, o gosto também, e ele não acompanhou. No caso dos segundos, aconteceu o inverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, quando eu levantei essa discussão com vocês, em sala, era justamente para observarmos como esse processo definidor do que é arte ou não é uma coisa relativa e como ele está ligado a uma espécie de cultura da arte ou indústria da arte. Eu prefiro usar cultura da arte porque o termo indústria meio que pressupõe uma perspectiva negativa. Tanto que a gente usa "indústria cinematográfica" ou "indústria musical" para falar dos interesses econômicos que envolvem a produção de cinema e de música em determinado lugar. Por isso, vamos usar cultura da arte quando nos referirmos ao modo como a sociedade encara o que é e o que não é arte ao longo do tempo, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje eu vou ficar aqui. E já adianto o assunto da próxima postagem: &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;o que é literatura e para que ela pode servir&lt;/span&gt;. Tenho certeza de que essa segunda pergunta é a que a maioria se fez quando viu a lista de matérias do Ensino Médio. Na próxima visita, a gente conversa sobre isso. Beijos para vocês!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;PS - Como eu desejo muito que sejam felizes, sejam mais felizes com esse Van Gogh (para ver em tamanho grande, com a imagem definida - fica distorcida aqui, em baixa resolução - é só clickar em cima), um dos muitos artistas incompreendidos em seu tempo! Observe o movimento que ele dá para a cena só com uma força maior nas pinceladas. Eu adoroooooo!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Qnf-V9T0-fY/SY87amqyjbI/AAAAAAAAAAM/nb6Sce-HqcA/s1600-h/van+gogh+800px-Starry_Night_Over_the_Rhone.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300520614681021874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 618px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 408px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qnf-V9T0-fY/SY87amqyjbI/AAAAAAAAAAM/nb6Sce-HqcA/s400/van+gogh+800px-Starry_Night_Over_the_Rhone.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Noite Estrelada sobre o Ródano (1888) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-4215249390306608978?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/4215249390306608978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=4215249390306608978&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4215249390306608978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4215249390306608978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2009/02/o-que-e-arte.html' title='O que é arte?'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qnf-V9T0-fY/SY87amqyjbI/AAAAAAAAAAM/nb6Sce-HqcA/s72-c/van+gogh+800px-Starry_Night_Over_the_Rhone.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-1560910436836034188</id><published>2009-02-02T18:04:00.003-03:00</published><updated>2009-02-02T18:58:13.843-03:00</updated><title type='text'>"Mestre é aquele que de repente, aprende" -- Guimarães Rosa</title><content type='html'>E aí, pessoas? Tudo bem com vocês? Sejam bem-vindos (eu juro que vou me policiar com a ortografia nova, mas ensinar truque novo pra cachorro velho é uma coisa meio delicada, tá? Paciência comigo, por favor...)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu digo sejam bem-vindos é sincero. Não é aquele "bom dia" que a gente dá às 6:40 no elevador no primeiro dia de aula, morrendo de sono e de esganar o infeliz que decretou o fim das férias e do sono até as 10:30. Pode parecer estranho, mas eu realmente fico muito feliz com a presença de vocês, aqui, nesse cantinho virtual e em sala de aula. E fico feliz com a presença de cada um, dos cdfs que gostam de ler, que curtem "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sociedade dos Poetas Mortos&lt;/span&gt;" (também AMOO) até a galera da swingueira que gosta é mesmo de agitação. É verdade! E vou explicar por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aquele recadinho da Madre Teresa no texto das duas primeiras aulas de hoje? "A mais bela distração? O trabalho". Eu disse isso pro 1º B, que me aturou hoje por três aulas seguidas, e repito: é verdade! Quando você faz o que você ama, não vê o tempo passar, não quer que ele passe. E eu amo ensinar. Amo estar com vocês (mesmo quando aluno me azucrina o juízo - sempre tem um dia em que alguém azucrina o juízo... faz parte).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou mentir que foi sempre assim. Porque quando eu comecei, há muitos e muitos anos (precisa dizer quantos não, né? Que bom!), eu amava era a minha disciplina. Eu amava Literatura. Como amo, profundamente, até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E amar a disciplina, não é amar ensinar. São coisas diferentes. Porque existem amores diferentes, sabe? Existem alguns que surgem de repente, no primeiro olhar. E eu digo que o meu amor pela Literatura é assim. É um amor que é uma paixão. E paixão e amor, embora sejam dois sentimentos maravilhosos, eles têm diferenças. Não é uma questão de maior nem mais fundo... É uma questão de aceitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a gente se apaixona por uma coisa, por alguém, dificilmente a nossa entrega é completa. Tanto que apaixonado briga que só a peste! Apaixonado, quando descobre o defeito do outro, geralmente se decepciona, briga com ele, faz cara feia. E eu e a Literatura temos um pouquinho disso, eu com ela, na verdade. Tem coisa de que eu não gosto, tem coisa que eu amo profundamente e tem coisa em Literatura que nem arte eu acho que é (essa é uma discussão pra depois, tá?). É aquela paixão que vira a cara pra certas coisas, briga e depois liga chorando pedindo pra fazer as pazes. E fica tudo bem até dar de cara com aquele defeitinho de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ensinar já foi assim. Hoje está ficando cada vez mais diferente. Eu fui aprendendo a amar ensinar e aí eu comparo com aquele amor maior. Aquele daqueles casais já idosos, que passaram a vida toda juntos, que conhecem cada defeito, cada qualidade, cada expressão de olhar do outro. E que estão um do lado do outro, sempre. Com ensinar foi assim. O amor foi surgindo da convivência, da experiência, no dia a dia. Ensinar tem muitos defeitos, muitas dificuldades, para ser bem clara. A gente se debate com a pressão de ensinar coisas que acha que não deviam ser priorizadas, ensinar para gente que, porque não quer se abrir para o mundo, acha que deve marcar sua rebeldia destratando ou desrespeitando... A gente se debate com uma cultura que diz que a educação deve ser utilitária... Que a gente deve aprender coisas porque elas são importantes para a profissão, e, consequentemente, para a sobrevivência e só por isso se deve aprendê-las. Ou que é o que precisa para passar de ano, então basta aprender para passar na prova final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser professor, hoje, no Brasil, é bem complicadinho. Mas eu aprendi a amar ser professora. Aprendi a amar ser EDUCADORA. Eu aprendi a conviver com todas essas coisas com paciência, porque olhando o todo eu vejo nele uma beleza que me fascina. Eu vejo que em fevereiro me é dado o direito de conviver com pessoas que, de uma forma ou de outra, não são mais as mesmas em dezembro. Eu vejo a vida em transformação bem na minha frente, às vezes, por pequenas coisas, na palma da minha mão. Como quem consegue observar os minutos exatos de um casulo que se abre e em que a borboleta enxuga as asas. Às vezes dá até para ver as borboletas voarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso eu não aprendi sozinha. Raramente a gente aprende algo só. A gente aprende de repente, talvez, mas não só. Alguém, mesmo sem saber, mostra as coisas e às vezes sem saber também, a gente imita. Como criança pequena que imita pai e mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me ensinou a amar ensinar, a amar educar, foram os meus alunos. Os tantos pequenos milhares com quem tive o privilégio de conviver. E foram todos eles... As patricinhas maquiadas, os nerds, a galera da política, os palhaços, as almas sebosas, os dorminhocos, os esquecidos, os atletas, as meninas da dança, os atrasados, os emos, os forrozeiros, alvi-rubros, rubro-negros, tricolores, real-madrileños (se é que é assim que se chama)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, quando eu digo bem-vindos, eu digo de coração e de sorriso aberto. Ter vocês na minha vida é um motivo de muita alegria. Eu acabei de ganhar novos professores, que me re-ensinam, todos os dias, coisas importantes como amizade, companheirismo, determinação, acolhida, carinho. Obrigada por aquilo que eu sei que vocês vão me ensinar este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para terminar, como não poderia deixar de ser, afinal este é um espaço para Literarizar a vida, transformar tudo em literatura, vou deixar com vocês um trechinho de algo que eu gosto muito. Espero que vocês gostem também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um xêro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 0, 153); font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No silêncio da noite, caminhei em vossas ruas, e meu espírito entrou em vossas casas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E vossos corações bateram em meu coração, e vosso hálito soprou sobre a minha face, e eu conheci todos vós.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim, conheci vossa alegria e vossa dor, e em vossos sonos, vossos sonhos foram meus sonhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E muitas vezes estive entre vós, como um lago entre as montanhas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Refleti os picos em vós, e as encostas íngremes, e até mesmo os rebanhos de vossos pensamentos e vossos desejos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E ao meu silêncio, chegou o riso de vossos filhos em riachos, e o desejo de vossos jovens em rios.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E quando chegaram a mim, os riachos e os rios não cessaram de cantar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas ainda mais doce que o riso e maior que o desejo, veio a mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que era ilimitado em vós;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O vasto homem, dentro do qual sois apenas celas e força;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele, em cujo cântico todo o vosso cantar é apenas pulsar silencioso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É neste vasto homem que sois vastos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E foi contemplando-o que contemplei a vós e vos amei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dei menos que uma promessa, mas vós fostes ainda mais generosos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;me destes minha profunda sede de vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Certamente, não há presente maior para um homem do que aquele que transforma todos os seus objetivos em lábios sedentos e toda a vida em uma fonte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E nisto está minha honraria e minha recompensa -&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quando venho à fonte para beber, encontro a própria água, viva e sedenta:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E ela bebe a mim enquanto eu a bebo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gibran Khalil Gibran, O profeta&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-1560910436836034188?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/1560910436836034188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=1560910436836034188&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1560910436836034188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1560910436836034188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2009/02/mestre-e-aquele-que-de-repente-aprende.html' title='&quot;Mestre é aquele que de repente, aprende&quot; -- Guimarães Rosa'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-9032215762696021872</id><published>2008-11-17T17:37:00.003-03:00</published><updated>2008-11-17T17:39:55.655-03:00</updated><title type='text'>Justiça parcialmente feita</title><content type='html'>Não dava para mudar a prova. Isso não vai voltar. Mas uma parte da injustiça cometida contra vocês foi corrigida! Ainda bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:Arial,Helvetica,sans-serif;" &gt;&lt;b&gt;UPE anula mais uma questão do vestibular seriado&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;" &gt;Publicado em 17.11.2008, às 12h36&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;              &lt;table align="right" border="0" cellpadding="0" cellspacing="5" width="180"&gt;               &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;                 &lt;td&gt;                   &lt;table border="0" cellpadding="0" cellspacing="0" width="100%"&gt;                     &lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;                       &lt;td valign="top"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;                     &lt;/tr&gt;                  &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;                 &lt;/td&gt;               &lt;/tr&gt;             &lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;            &lt;/p&gt;&lt;div  id="corpo" style="font-size:90%;"&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:130%;"  &gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;" &gt;Do JC OnLine&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;" &gt;A Comissão de Concursos da Universidade de Pernambuco (Conupe) decidiu, na manhã desta segunda-feira (17), anular mais uma questão da prova do vestibular seriado, realizada no último domingo (16). A questão 7 de português foi invalidada porque o assunto abordado não integra o conteúdo programático previsto para o exame.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;" &gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;" &gt;De acordo com a assessoria de comunicação da UPE, os pontos referentes às duas questões anuladas serão redestribuídos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fonte: JC Online.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-9032215762696021872?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/9032215762696021872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=9032215762696021872&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/9032215762696021872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/9032215762696021872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/11/justia-parcialmente-feita.html' title='Justiça parcialmente feita'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-2330497982519320017</id><published>2008-11-16T18:06:00.002-03:00</published><updated>2008-11-16T18:12:14.068-03:00</updated><title type='text'>Em três palavras, em seteversões</title><content type='html'>Versão 1:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou indignada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão 2:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é absurdo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão 3:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é vergonhoso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão 4 :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que foi isso?!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão 5:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos contestar já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão 6:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível ficar assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão 7:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos palhaços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-2330497982519320017?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/2330497982519320017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=2330497982519320017&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/2330497982519320017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/2330497982519320017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/11/em-trs-palavras-em-vrias-verses.html' title='Em três palavras, em seteversões'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-7217458625947005983</id><published>2008-11-13T22:01:00.002-03:00</published><updated>2008-11-13T22:18:32.687-03:00</updated><title type='text'>Um beijo e boa sorte</title><content type='html'>Gente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida tá mais bagunçada do que caminhão de mudança. Vocês não têm noção do que é vida de professor nessa reta final de conclusão de ano letivo. Não vai dar para deixar revisão da épica árcade do jeito que vocês merecem e, para não fazer bem feito, é melhor não fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não poderia deixar de vir aqui deixar o meu beijo e o o meu boa sorte para domingo. Vão para essa prova com AQUELE sorriso confiante e arrasem. E se for o caso, cantem um pouquinho na hora do prova, para lembrar de mim e rir de verdade. Já pensaram na pressão sobre os outros? =)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica o meu beijo, o meu boa sorte, as minhas saudades que as minhas turmas 2008 vão deixar e, de brinde, a letra das musiquinhas para quem não pegou. Em algumas turmas só deu para ver uma música, em outras duas, em algumas as três. Quem quiser orientação, procura o pessoal das turmas A, B e C: lá eu grasnei todas! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, preciso dar um crédito especial. A Melô do Barroco não é minha não, viram? Um professor amigo meu me ensinou, e eu sei que não é dele também, mas não sei onde foi que ele descobriu a danada. Se alguém conhecer o dono da idéia original, me avisa para eu deixar o crédito aqui, tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Melô do Quinhentismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Bianca Campello&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Olho pra frente e vejo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Um índio pelado que vai passando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Ele é pecador ou é inocente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Eu vou me perguntando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Junto com esse índio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;tem uma natureza sensacional&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Que terra, que gente é&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Essa estranha demais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Quinhentismo, quinhentismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Quinhentismo, como é esse país?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Quinhentismo, quinhentismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Quinhentismo, como é esse país?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Texto de informação é &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Documento para o rei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Texto de catequese&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Converte o índio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Isso eu já sei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Caminha exaltou o índio e falou &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Do ouro que não achou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Anchieta com teatro e poesia &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;O índio mudou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Quinhentismo, quinhentismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Quinhentismo, como é esse país?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Quinhentismo, quinhentismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 153, 0); font-weight: bold;"&gt;Quinhentismo, como é esse país?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Melô do Barroco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;(Autoria desconhecida)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;O Barroco é dualidade e oposição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Luta entre o corpo e a alma, a fé e a razão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Na Idade Média era teocentrismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;E no Renascimento era antropocentrismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;O Barroco é o conflito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Entre o céu e o inferno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Crise entre o efêmero e o eterno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Linguagem complexa como forma de expressão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Já que a vida é curta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Carpe diem, meu irmão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Mas a consciência clama por perdão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;A alma quer o céu e o corpo a perdição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Gregório de Matos foi &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;O Boca do Inferno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;E o Padre Vieira é bom de verbo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Dormir e acordar é uma antítese, eu sei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Dormir acordado é paradoxo, captei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;Jogo de palavras chamamos de cultismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 51, 0); font-weight: bold;"&gt;E jogo de idéias é conceptismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Melô do Arcadismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Bianca Campello&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Hoje tem feta no campo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Pois aqui é o que há&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Nesse lugar tranquilo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Vou a vida aproveitar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Marília Dirceu cantou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Mas Gonzaga o nome é&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Usou pseudônimo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Pra parecer um pastor, vê lá&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Vem ver,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;A linguagem se transformar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Tudo agora simples é&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;A "sôra" mandou estudar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Estudou, estudou, estudou, estudou&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;E vai rolar a festa, vai rolar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Nesse seriado eu vou arrasar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;E vai rolar a festa, vai rolar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255); font-weight: bold;"&gt;Nesse seriado eu vou arrrasar!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-7217458625947005983?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/7217458625947005983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=7217458625947005983&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/7217458625947005983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/7217458625947005983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/11/um-beijo-e-boa-sorte.html' title='Um beijo e boa sorte'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-168570086107206324</id><published>2008-10-13T22:41:00.000-03:00</published><updated>2008-10-13T22:43:27.970-03:00</updated><title type='text'>Arcadismo - Façade d'une révolution</title><content type='html'>Olá pessoas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu demoro, mas pelo menos na semana da prova eu dou um jeito de aparecer aqui. Essa coisa do TEMPO tá matando, viu? Não sei quanto a vocês, mas eu quero FÉRIAS! :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, já que tempo não é algo que está nos sobrando muito ultimamente, vamos ao que interessa, não é verdade? Ok, fechem os olhos, visualizem a entrada de vocês numa máquina do tempo e vamos fazer uma viagem de volta a o fim do século XVIII. Engraçado isso de falarmos que o Arcadismo é o movimento artístico do século XVIII, se ele só começa no fim do século. É que as datas de fim de século são ligadas à &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;realidade brasileira &lt;/span&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1768&lt;/span&gt;, ano da publicação de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Obras poéticas&lt;/span&gt;, de Cláudio Manoel da Costa) e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;portuguesa &lt;/span&gt;(&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1756&lt;/span&gt;, ano da fundação da Arcádia Lusitana). Mas &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o movimento mesmo começou em 1690, na Itália&lt;/span&gt;. Portanto, ele vai desde a década final do século XVII e percorre todo o século XVIII, o que justifica sua classificação. E visto que o século XVIII vai de 1701 a 1800 (lembram que contamos o século pelo seu último ano?), o nome &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Setecentismo &lt;/span&gt;também é válido para designar esta escola literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que a Itália vai ser o berço inicial do movimento? Pelo mesmo motivo que foi lá que floresceu a Renascença: o profundo enraizamento da cultura italiana na cultura greco-latina e seus princípios de racionalidade e harmonia. Veja bem: se o Renascimento (e o movimento artístico que a ele se refere, o Classicismo) surge na Itália para resgatar os valores da Antigüidade Clássica (Grécia e Roma), em oposição à cultura medieval que imperava até então, nada mais natural que, tempos depois, haja o mesmo processo. Afinal, a cultura medieval e a cultura do século XVII são muito parecidas: as duas estão fortemente imbuídas de religiosidade cristã-católica, preocupam-se com o espírito humano e em como atingir a pureza de espírito necessária para uma vida após a morte no Paraíso. Se é na Itália, pela relação que este país tem com a cultura greco-latina, que surge o primeiro movimento de oposição a essa perspectiva de mundo, a arte do Classicismo, nada mais natural que seja lá que esse movimento se repita no século XVIII. Daí também o termo Neoclassicismo: resgate dos valores artísticos do Classicismo do século XVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou difícil de entender? Pense no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pêndulo&lt;/span&gt;, aquele, de que eu falo tanto... O pêndulo da cultura ocidental, que vai oscilando entre &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;razão e emoção&lt;/span&gt;. Faça o seguinte: estique seu braço para a frente, com a mão em direção ao monitor. Agora dobre o cotovelo. Mova sua mão, com o cotovelo dobrado, para a esquerda. Esse é o primeiro eixo do seu pêndulo, o da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;razão&lt;/span&gt;. No eixo da razão está a primeira perspectiva de mundo marcante na cultura ocidental, a da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Antigüidade Clássica&lt;/span&gt;. Agora mova sua mão para a direita, em oposição ao primeiro eixo. Parabéns, você encontrou o eixo da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;emoção&lt;/span&gt;: seja bem vindo à &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Idade Média&lt;/span&gt;. Agora volte para o eixo da razão, avançando mais de mil anos na história. Saindo do eixo emocional, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;voltamos a ser racionais, com o Renascimento e sua arte, o Classicismo&lt;/span&gt;. Cansados de sermos racionais, nos voltamos ao eixo da emoção e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;resgatamos os valores medievais com o Barroco&lt;/span&gt;. E como o pêndulo vai e volta, quando a angústia do Barroco já cansou nossa beleza, voltamos a ter as rédeas de nossa própria existência, sendo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;racionais&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;antropocêntricos &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;valorizando a ciência&lt;/span&gt; como forma de compreender o mundo: tornamo-nos &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Neoclassicistas&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que agora deu para entender o porquê de este movimento ter o nome de Neoclassicismo e de Setecentismo, não é? Só falta entendermos seu terceiro nome: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Arcadismo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O termo Arcadismo é de uso quase exclusivo para a definição da literatura dos Setecentos. Ele se deve ao batismo das&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; academias literárias&lt;/span&gt; com o título de Arcádias. Essas academias já existiam no século XVII, durante o Barroco. Era nelas que os poetas europeus se reuniam para discutir técnicas de poesia e mostrar suas composições em saraus que eram bastantes competitivos. Naquela época, o poeta que compusesse os textos mais desafiadores da linguagem, com maior inventidade poética, mais palavras difíceis e rebuscamentos de expressão, mais desafiadores à compreensão do leitor (ou seja, os mais difíceis), era considerado o melhor. Só que com o passar do tempo, eles exageraram tanto no rebuscamento que a coisa começou a ser considerada de mau gosto. Esse processo é muito natural. Ou você sempre que vê uma foto dos seus pais vestidos para uma festa quando tinham a sua idade não acham aquilo MUITO BREGA?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. As academias existiam já desde o século XVII. E nessa época elas eram academias. No século XVIII, alguém, que achava que essa história de rebuscar muito a linguagem artística era coisa velha e brega, e que apreciava a linguagem simples e elegante da poesia clássica de Virgílio e Anacreonte (grandes expoentes da literatura romana e grega), achou que deveria fundar uma academia completamente diferente das que existiam. Um clube descolado, só para gente que embarcasse na nova onda de fazer uma arte completamente diferente da que se fazia na época. E uma academia assim tinha que ter um nome descolado. Como esses dois poetas falavam tanto em campo e coisa e tal, e esse campo era principalmente o da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Arcádia, a região da Grécia famosa por seus pastores e rebanhos&lt;/span&gt;, lá veio uma idéia: o nome descolado, que vai representar bem quem somos e do que gostamos vai ser esse: Arcádia. Eu fico imaginando isso como escolher um nome de banda de rock daquelas bem pops. E como logo depois sempre vem as marias-vai-com-as-outras que adoram imitar quem lança moda, tome a pipocar academia com o nome de Arcádia aqui e ali. E daí veio o nome &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Arcadismo: o estilo de poesia cultivado dentro das arcádias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma legítima banda pop (pense numa boy band), cuja fórmula vai se repetindo e se repetindo até a exaustão, com um monte de clones espalhados por aí, lá se foi o Arcadismo virar uma epidemia literária. Claro que não com a velocidade globalizada de hoje em dia, mas que ele virou febre, virou. Todo o mundo (ocidental, claro) foi incorporando aquele estilo. E um dos principais lugares para essa febre foi a França. Por quê? Por causa da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Révolution&lt;/span&gt;, oras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Révolution Française&lt;/span&gt; tem a ver com Arcadismo... Tá, senta que lá vem a História. Com H mesmo, que eu sou das antigas. E vou sofrer para tirar o trema de agüente e o acento de herói. Saco isso de mudarem a minha língua, tão bonitinha que ela é como é!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na França, o Neoclassicismo se destacou principalmente na pintura. A poesia francesa desse período não é das mais grandiosas. Mas foi lá que&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; a arte se uniu aos preceitos filosóficos&lt;/span&gt; de uma corrente de pensamento racional e cientificista, características que, em si, já resgatavam os preceitos greco-latinos de busca pela razão e o equilíbrio. Estou falando do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Iluminismo&lt;/span&gt; Francês, que uniu a arte a um propósito ético e pedagógico. Na França, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;simplificar a forma do texto deixou de ser uma mera contestação de uma teoria do belo e passou a ser algo maior: a busca por uma forma mais ética de existência&lt;/span&gt;, a oposição a um modo de vida opulento, luxuoso, aristocrático. Afinal, se uns vivem em profundo luxo, é porque muitos vivem em grande miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A união de uma busca por uma nova forma de arte (Arcadismo) com a busca por uma nova forma de vida (Iluminismo) resultou num contexto social de grandes transformações. Seguindo os princípios da filosofia humanista dos &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;gregos&lt;/span&gt;, que diziam que &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;todo ser humano é dotado de razão&lt;/span&gt;, os &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Iluministas &lt;/span&gt;vão acabar entendendo que, em essência, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;todo ser humano é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;igual &lt;/span&gt;ao outro&lt;/span&gt;. Cai, então, por terra, toda uma teoria que sustentava o modo de governo vigente: o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Absolutismo Monárquico&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê só.... Por que uma pessoa é "absoluta"? Por que ela é superior aos outros, não é? Era isso que dizia o princípio do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Absolutismo Monárquico&lt;/span&gt;. O rei era quem era e podia o que podia porque ele era superior a todos os seres humanos de seu reino. E o que tornava o rei superior? Ele nascer rei. Por quê? Por que ele havia sido &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;escolhido por Deus&lt;/span&gt; para ser rei. Tinha o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;direito&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;divino&lt;/span&gt;. E ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... Se todo ser humano é dotado de razão, a característica que nos diferencia dos animais... E se isso faz com que todo ser humano seja, em essência, &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;igual &lt;/span&gt;ao outro. Não tem essa de o rei poder porque ele é rei. Ele vai ter que justificar seu poder por outra coisa. E vai começar a justificar com a seguinte brilhante idéia: ele sabe mais. Ele é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;esclarecido&lt;/span&gt;. Quem é esclarecido sabe usar melhor sua razão que quem não é, porque tem mais &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;conhecimento&lt;/span&gt;. Todos podem se tornar esclarecidos, mas nem todos são e quem é mais esclarecido tem mais capacidade que os outros. Bem lógico e racional isso, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E democrático, também. Porque, tecnicamente, você pode promover testes, formas para saber quem é mais esclarecido e todos podem concorrer a isso. Olha a raiz da democracia. Pena que na teoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se todos os seres humanos são iguais entre si, então devemos ser &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;solidários &lt;/span&gt;uns com os outros, combatendo as injustiças. Devemos ser solidários como &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;irmãos &lt;/span&gt;que se apoiam uns nos outros. A &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;igualdade &lt;/span&gt;leva ao princípio da &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;fraternidade&lt;/span&gt;, e isso significa buscar condições melhores de vida para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;liberdade&lt;/span&gt;? Ah, a liberdade é o bem supremo de um ser humano. Ser livre é um direito inalienável, como prevê a Declaração dos Direitos do Homem, o documento mais importante da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Révolution &lt;/span&gt;e também a Constituição Americana, decretada com a Declaração da Independência da terra do tio Sam. E não é só liberdade no sentido de ir e vir, mas, principalmente, liberdade para pensar, para se expressar, e para dirigir por si mesmo o curso da própria vida. A liberdade que a razão dá ao homem porque, com ela, ele pode decidir seu destino sozinho, por si mesmo, sem uma consciência externa (na figura de um padre em seu sermão, por exemplo) dizendo-lhe o que é certo e o que é errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por sermos iguais, devemos todos ser fraternos, devemos também lutar para que todos sejam livres, em todos os níveis de liberdade que existem. Devemos levar àqueles menos afortunados a possibilidade de tomarem as rédeas de suas próprias existências e combater aqueles que impedem que as pessoas sejam livres e dignas em igualdade. Devemos combater as elites aristocráticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que poesia tem com isso? Tudo. Simplificando a linguagem (&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;inutilia truncat&lt;/span&gt;), ao invés de escrever para essa elite, o Arcadismo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;possibilita que todos possam desfrutar da poesia&lt;/span&gt; com igualdade. Assumindo a imagem do pastor que vive em &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;aurea mediocritas&lt;/span&gt; (uma vida preciosa em sua simplicidade), o poeta é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;solidário com os pobres&lt;/span&gt; (tá, que pobreza não é miséria, mas pelo menos você dizer que dá para ser feliz sendo pobre é um alento para quem é miserável, não é mesmo?). E divulgar isso através dessa literatura de ideal revolucionário não deixa de ser uma forma de tentar conseguir para essas pessoas &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;liberdade&lt;/span&gt;, pois&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; ela não precisa mais seguir aquele terrível teorema em voga então de que é impossível se mudar o destino &lt;/span&gt;de uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viram que combinação feliz. O pastor, que já era uma figura querida porque os árcades queriam imitar Virgílio e Anacreonte, ganha ainda mais valor, porque os árcades vão querer ser solidários ao povo. Bonitinho né? Pena que artificial. Afinal, quem escreve, nessas sociedades européias e brasileira, no século XVIII, é quem tem dinheiro para ser esclarecido. E quem tem esse dinheiro acha lindo que se fale em igualdade social. Desde que não se mexa com o dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo no que deu isso: um grande &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;artificialismo&lt;/span&gt;. Por que poeta árcade que é poeta árcade acha lindo ir viver em simplicidade num lugarzinho tranqüilo (&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;locus amoenus&lt;/span&gt;), numa casinha no campo (&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;fugere urbem&lt;/span&gt;), aproveitando a vida. Desde que, é claro, não mexa no dele. Ou vocês acham que os senhores bacharéis foram pegar na enxada e saíram de seus confortáveis casas na cidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou-se que a teoria era linda, mas a prática era tão complicada... E ficou a coisa só como convenção. Quem quer defender o Iluminismo na poesia, entra numa Arcádia, adota um pseudônimo de pastor e manda brasa nos versos. Como alguém que faz um fake no Orkut só para poder entrar numa comunidade qualquer lá e mandar bala com o que escreve. Depois, essa criatura desliga o computador e vai ser quem é de verdade. Depois, os árcades fechavam os livros e cadernos e tudo voltava a ser como era antes. Ou, como diria o grande Guimarães Rosa, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;punha-se a fábula em ata&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, por hoje é isso. Vou-me. Cansada, com sono e estressada. E ainda vou ter que corrigir prova no fim de semana que vem. Eu mereço. Minha mãe me avisou. Bem que minha mãe avisou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não, não é só eu passar vocês. Eu não passo ninguém. Vocês que se passam. Ou, como diria Bianca Ramoneda, na crônica &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Cotidiano &lt;/span&gt;(do meu adorado livro &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Só&lt;/span&gt;): Cada passo vocês se passam. Ou não, diria Caetano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excesso de citações no fim do post. Eu tô é com sono mesmo. Beijinhos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-168570086107206324?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/168570086107206324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=168570086107206324&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/168570086107206324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/168570086107206324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/10/arcadismo-faade-dune-rvolution.html' title='Arcadismo - Façade d&apos;une révolution'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-9205445837189133928</id><published>2008-08-23T14:57:00.006-03:00</published><updated>2008-08-24T15:50:05.212-03:00</updated><title type='text'>Gregório de Matos - o lirismo de uma boca maldizente</title><content type='html'>Hello, hello, hello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Povinho meu. Cá estamos de novo, em pleno fim-de, pensando em prova. C' est la vie. Depois piora! :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique de postar sobre Gregório hoje e não posso deixar de comentar que estou aqui com o filme de Ana Carolina (não a cantora, a diretora de cinema) &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;Gregório de Mattos&lt;/span&gt;. É uma produção nacional de 2002 muito interessante, com o poeta Waly Salomão (falecido de câncer em 2003, aos 59 anos de idade), no papel do bardo baiano, e Marília Gabriela. É interessantíssimo ver a atuação de Waly Salomão, grande poeta contemporâneo, que com certeza vocês conhecem sem conhecer (ele é o co-autor de canções como &lt;em&gt;Assaltaram a Gramática&lt;/em&gt;, dos Paralamas, e &lt;em&gt;Vapor Barato&lt;/em&gt;, música que Zeca Baleiro e o Rappa gravaram) . Ele, poeta popular do século XXI, foi uma ótima escolha para fisicalizar o poeta popular do século XVII. Poeta popular é poeta popular em todas as épocas, boemia não é uma escola literária para ser datada. Até eu, que tenho dificuldades seríssimas em acompanhar um poema só de ouvido me deleitei com as declamações de Salomão. Juro que dá para visualizar o que pode ser que tenha sido Mattos, ali, numa re-vivência que só a arte permite acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pode ter sido Mattos porque ninguém sabe exatamente quem ou o que Gregório de Mattos foi. O consenso geral, mais interessante para nossa imaginação, é que ele foi um poeta libertino, que vagava com viola às costas, meio bêbado, declamando suas sátiras e poesias pornográficas inclementemente pelas ruas de Salvador. Mas há quem defenda que ele não foi nada disso. Que o fato de sua sátira ser tão mordaz se justifica pela proximidade dela com as cantigas de maldizer medievais, que eram exatamente assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser um e outro. Mas acaba sendo é o primeiro. Morto o homem, resta a obra e o personagem que ele se faz nela. E é muito mais encantador esse personagem meio louco, destemido, do que um burocrata que se atém às regras de desenvolvimento de cada gênero literário que se produzia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante dessa divergência toda sobre quem e como Gregório de Matos (ou Mattos, segundo a grafia da época) era é que ela se baseia justamente no &lt;strong&gt;dilaceramento da personalidade poética&lt;/strong&gt; dele. É no mínimo intrigante como aquele homem que produzia poemas líricos de temática religiosa tão contritos também é o mesmo escritor que produz sátiras tão contundentes. A "musa", como os poetas dessa "Era Clássica da Literatura" (séculos XVI, XVII e XVIII, quando a poesia é consumida pela aristocracia) chamavam a inspiração e a própria arte poética, de Mattos é&lt;strong&gt; a "musa praguejadora", tão ciente daquilo que é certo, tão auto-consciente de seus próprios erros e vícios&lt;/strong&gt; (na lírica religiosa há sempre a consciência de que o autor é um pecador destinado ao inferno, a não ser se salvo pela misericórdia divina), &lt;strong&gt;que não permite passarem a limpo os vícios e erros daqueles que o cercam.&lt;/strong&gt; Religião, amor, filosofia e sátira são, portanto, faces complementares de uma mesma consciência do mundo, os lados de uma mesma moeda, que conhece todas as experiências do viver humano sobre a Terra. E, principalmente, que sabe quais dessas experiências são elevadas e destinam o homem a ser melhor do que é, e quais tornam o homem pior do que ele é. Por isso a necessidade da sátira: &lt;em&gt;&lt;strong&gt;ridendum castigate mores&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, lembram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois lados da vida, duas vivências poéticas- a lírica e a satírica - duas formas poéticas - a clássica e a medieval. A vida barroca é dupla, tensionada em opostos que se tenta, sem sucesso, harmonizar. Assim também é a obra poética de Gregório. O &lt;strong&gt;amor&lt;/strong&gt;, nos &lt;strong&gt;sonetos&lt;/strong&gt; (forma clássica), &lt;strong&gt;tende ao espiritualismo&lt;/strong&gt;; nos textos de &lt;strong&gt;forma medieval&lt;/strong&gt;, à &lt;strong&gt;sensualidade&lt;/strong&gt;. Se há espiritualismo e sensualidade nos sonetos, cria-se o conflito dezejo x refreamento, e lá vem a construção da mulher como um ser paradoxal, anjo e demônio. Paradoxo que nas sátiras surge na figura das freiras por quem o eu-satírico/pornográfico manifestava desejo. A &lt;strong&gt;religião&lt;/strong&gt; é encarada, nos textos de estrutura &lt;strong&gt;medieval&lt;/strong&gt;, com sincero sentimento de&lt;strong&gt; humildade perante Deus&lt;/strong&gt; e de consciência de sua &lt;strong&gt;condição submissa&lt;/strong&gt; a ele; nos &lt;strong&gt;sonetos&lt;/strong&gt;, vem imbuída de um &lt;strong&gt;racionalismo&lt;/strong&gt; que disseca a relação homem x Deus de forma sempre a &lt;strong&gt;favorecer o homem&lt;/strong&gt;. Já que Deus é onipotente e perfeito e o homem, no pólo oposto, é limitado e imperfeito, a vantagam de Deus sobre o homem favorece o pecador, pois é Deus, por sua superioridade, que tem o dever sobre o homem, sua criatura, sua responsabilidade. A &lt;strong&gt;filosofia, presente quase que unicamente nos sonetos&lt;/strong&gt;, é assinalada pela consciência da condição miserável do homem na Terra, destinado que está ao sofrimento e à morte, porque é &lt;strong&gt;efêmero&lt;/strong&gt;, como são efêmeras todas as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a sátira? É a manifestação política, em que não interessam mais os vícios desse eu, mas dos outros. É nela que Matos denuncia todos os elementos da Bahia, poupando, segundo ele, em versos de profunda ironia, apenas os nobres "&lt;em&gt;porque o nobre, enfim, / é quem honra tem&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois lados da vida, duas vivências, duas formas poéticas... Mas um estilo, que se permeia com mais ou menos intensidade em todos essas facetas artísticas e pessoais. E como é esse estilo pessoal do autor? É aquele que, por ser poeta barroco, recorre ao &lt;strong&gt;paradoxo&lt;/strong&gt;, à &lt;strong&gt;antítese&lt;/strong&gt;, ao &lt;strong&gt;hipérbato&lt;/strong&gt; para se expressar, e por ser poeta popular, se vale do &lt;strong&gt;trocadilho&lt;/strong&gt;, da &lt;strong&gt;ambigüidade&lt;/strong&gt;. E que também, por ser poeta barroco, gosta de usar &lt;strong&gt;palavras preciosas, vocabulário rebuscado&lt;/strong&gt;, e por ser poeta popular, gosta de apelar, também, para a &lt;strong&gt;linguagem&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;popular&lt;/strong&gt;, naquilo que tem de mais expressivo e marcante: os &lt;strong&gt;palavrões&lt;/strong&gt;. E o cada coisa em seu lugar só valendo para esse último item, pois, se não há na poesia lírica a presença dos palavrões, todo o resto pode ser encontrado em qualquer gênero, temática e forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses são elementos básicos da poesia de Gregório, os básicos mesmo. Para saber mais, só tem um jeito: fuçar a obra dele. Por isso, deixo &lt;a href="http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/gregorio.html"&gt;aqui &lt;/a&gt;um link para o site que considero que melhor organizou a obra de Gregório. Se joguem nele!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-9205445837189133928?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/9205445837189133928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=9205445837189133928&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/9205445837189133928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/9205445837189133928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/08/gregrio-de-matos-o-lirismo-de-uma-boca.html' title='Gregório de Matos - o lirismo de uma boca maldizente'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-4740387779435467122</id><published>2008-08-21T19:27:00.002-03:00</published><updated>2008-08-24T18:36:05.395-03:00</updated><title type='text'>Comentário das questões - Fichas de exercícios 13 e 15</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ficha de exercícios 13&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 1&lt;br /&gt;Gabarito: C&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;Vieira afirma que para ele "não há escravo que não seja matéria de profunda meditação". Portanto, impossível pensar que ele afirma não existirem escravos no Brasil. O que ele percebe é que há escravos mais miseráveis que os outros "e mais quando vejo os mais miseráveis".&lt;br /&gt;Vieira defendeu a abolição dos escravos indígenas, não dos escravos negros. No texto, o atingir a liberdade não é mencionado, a não ser na segunda vida, a vida espiritual.&lt;br /&gt;Vieira reitera, no segundo parágrafo do texto, vários elementos que mostram que os escravos são homens como todos os outros. São filhos do mesmo Adão e da mesma Eva, suas almas foram resgatadas com o sangue do mesmo Cristo e seus corpos nascem e morrem os de todos os homens livres.&lt;br /&gt;Os escravos estão todos, segundo Vieira, "devotos e festivais diante dos altares da Senhora do Rosário".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 2&lt;br /&gt;Gabarito: C&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;As torturas mórbidas descritas por Vieira foram aplicadas aos mártires da igreja católica, pelos romanos. Não se relacionam com nenhuma realidade do inferno.&lt;br /&gt;O Barroco não busca o prazer, mas a contrição. A dramaticidade e a tensão entre os opostos não permite que esta arte atinja a harmonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique ligado! Essa questão pedia os itens INCORRETOS!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Item A&lt;br /&gt;O tema, contido no tópico frasal (primeira declaração do texto), é o não fazer fruto da palavra de Deus. Isso signfiica que provavelmente o excerto é do Sermão da Sexagésima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Item B&lt;br /&gt;Os elementos que Vieira quer diferenciar são "pregador" e "o que prega". Para isso ele mostra a diferença entre "semeador" e "o que semeia", "soldado" e "o que peleja", "governador" e "o que governa". A diferença, para ele, é que enquanto uns têm apenas o título, e não executam aquilo que se espera da função, os outros, embora não tenham esta função social, são aqueles que realmente se tornam soldados, governadores e semeadores, porque é a ação que define o homem e seu caráter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Item A&lt;br /&gt;Um texto com função conativa/apelativa é um texto que visa convencer o leitor a fazer alguma coisa ou pensar de alguma forma. Para fazer isso ele usa argumentos e emprega verbos no modo imperativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Item B&lt;br /&gt;Reparai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Item C&lt;br /&gt;Modo imperativo, 2ª pessoa do plural&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 5&lt;br /&gt;Gabarito: E&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;Usar os peixes como exemplo das ações humanas é uma alegoria. A afirmação "Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros" encerra em si uma comparação. O texto de Vieira usa seus recursos estilísticos e estéticos para persuadir o ouvinte, sempre.&lt;br /&gt;Para se tentar convencer alguém, é preciso haver esse "de quê" a respeito do qual a pessoa precisa ser convencida. O homem barroco, no Brasil e em Portugal, deve ser convencido a ter uma vida contrita, ligada a Deus, com profunda introspecção religiosa. Esse é um resgate de um comportamento medieval, que se opõe à mistura de influências pagãs (greco-romanas) e medievais que aconteceu no Renascimento.&lt;br /&gt;Para atingir a dramaticidade basta o apelo às emoções, coisa que Vieira sempre faz. E exercer uma didática moralizante é tentar ensinar o homem aquilo que é certo.&lt;br /&gt;A cobiça humana é citada textualmente, um tema fácil de identificar. O conceptismo é a vertente estética de Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 6&lt;br /&gt;Gabarito: E&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;Vieira é um padre católico apostólico romano durante a vigência da Contra-Reforma. Ele não se liga a ideais antropocêntricos, renascentistas, nem acredita que a ambição humana é algo positivo.&lt;br /&gt;No trecho, a expressão "maior que" forma uma comparação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ficha de exercícios 15&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 1&lt;br /&gt;Gabarito: A&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;O texto não possui temática religiosa. As informações a respeito da poesia religiosa do século XVII (ou seja, barroca) estão incorretas, pois descrevem uma preocupação típica do Quinhentismo.&lt;br /&gt;A poesia neoclássica é a poesia do século XVIII, do movimento conhecido como Neoclassicismo ou Arcadismo. Portanto, já não se relaciona a Gregório de Matos. Além disso, não há n texto uma tendência pedagógica, pois o eu satírico não intenta ensinar como se deve proceder, apenas criticar o comportamento que existe na sociedade de sua época.&lt;br /&gt;Como o texto não possui temática religiosa, não pode se relacionar com a temática do pecado e do perdão.&lt;br /&gt;Se o texto é barroco, não pode ser neoclássico. As reflexões de Gregório de Matos sobre o perfil moral baiano nunca possuem tom lírico (sentimentalista), mas sempre satírico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 2&lt;br /&gt;Gabarito: B&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários&lt;br /&gt;O poeta comenta no texto que Salvador se tornou próspera, mas não de que maneira isso aconteceu. Portanto, não atribuiu essa prosperidade a nenhuma razão específica.&lt;br /&gt;Matos não repudia os portugueses como colonizadores, mas como usurpadores dos bens da colônia, e não nesse texto, mas em outros poemas. Da mesma forma, ele não defende índios e negros. Sua sátira tem muitas conotações preconceituosas contra os negros, os mestiços e os índios, o que ele demonstra no poema ao mostrar que essa prosperidade e nobreza da Bahia é falsa, por se basear nos escravos e nos gentios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 3&lt;br /&gt;Gabarito:FVFFF&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;O eu poético não prega a insanidade, a loucura. O que ele chama de insanidade é o fato de o comportamento errado do ser humano ser mais forte e mais perene do que o comportamento correto. Contra esse comportamento ele se manifesta, lamentando que assim sejam as leis do mundo e que o errado prevaleça sobre o certo.&lt;br /&gt;A visão de Matos sobre a Bahia nunca é complacente, maleável, condescendente, benigna.&lt;br /&gt;Se o texto se esgotar no tempo e no espaço, não se pode perceber que a realidade que ele descreve vale para o momento atual, ou outros momentos da existência humana. E, claro, isso não é verdade.&lt;br /&gt;O individualismo acaba sendo postivo, porque significa não andar como os outros, ou seja, errado. Mas também há a percepção de que essa é a atitude mais difícil, e que mais cômodo é para o indivíduo não ser sério (sisudo) e se tornar louco (errado) como os demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 4&lt;br /&gt;Gabarito: D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;Aqui vale mais comentar o próprio gabarito, já que é a única afirmação incorreta. O Barroco é um movimento espiritualista, não materialista. Sua visão de mundo é pautada na fé e na emoção, e não na razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 5&lt;br /&gt;Gabarito:D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;Embora na primeira estrofe, ou seja, o primeiro quarteto, também haja havido a disseminação, ou seja, o lançamento de termos, não há alternativa que mencione os dois quartetos e o primeiro terceto.  As palavras lançadas são Sol, Luz, formosura e alegria, mencionadas nas duas primeiras estrofes e recolhidas na terceira.  Por falta de gabarito melhor, fica o item D.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 6&lt;br /&gt;Gabarito: B&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;Embora mencione as religiosas e as festividades de caráter religioso, este não é um texto religioso, já que a ambigüidade da palavra passarinhos satiriza o celibato das freiras.&lt;br /&gt;As décimas são as estrofes de 10 versos. Elas não costumam dispensar a rima, seguindo, geralmente, o esquema ABBAACCDDC, em que rimas interpoladas e emparelhadas (AA, BB, CC) se misturam. Isso vocês podem comprovar na décima da ficha e nos textos religiosos de origem medieval da ficha anterior.&lt;br /&gt;Não houve uso de antítese no texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 7&lt;br /&gt;Gabarito: D&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;A única alternativa em que já o uso de antítese é a D, que por sinal é a única em que o excerto pertence a um poema de Gregório. O primeiro texto não consegui descobrir a fonte; o segundo faz parte de um belíssimo soneto de Carlos Drummond de Andrade; o terceiro, pela sua musicalidade e espiritualismo transcendente é um texto de características simbolistas, movimento da transição do século XIX para o século XX; o último possui uma relação profunda com o cotidiano, irreverente, típica do Modernismo, movimento do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questão 8&lt;br /&gt;Gabarito: A&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentários:&lt;br /&gt;Versos com linha reta e pura seguem a ordem direta, não o hipérbato. O soneto é cultista, portanto, não tem clareza de forma.&lt;br /&gt;As imagens são complexas, paradoxais. Não há bucolismo, ou seja, a representação do espaço sereno do campo.&lt;br /&gt;Como as imagens são paradoxais, não podem ser verdadeiras. Um rio de neve não se converte em fogo de verdade. A expressão é rebuscada e não natural. E o Barroco é emocional, não racional.&lt;br /&gt;Não há ordem, há confusão, expressa no hipérbato. Não há harmonia, pois não há equilíbrio nas emoções. Não há razão, mas emoção profunda. O Barroco se opõe ao Renascimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-4740387779435467122?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/4740387779435467122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=4740387779435467122&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4740387779435467122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4740387779435467122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/08/comentrio-das-questes-fichas-de.html' title='Comentário das questões - Fichas de exercícios 13 e 15'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-686417836132117675</id><published>2008-08-21T18:49:00.001-03:00</published><updated>2008-08-21T18:57:07.812-03:00</updated><title type='text'>O Imperador Vieira</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;H&lt;/span&gt;ello, carvões!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês já foram tão pressionados que daqui a pouco digievoluem e eu começo a chamar de diamantes! :P Mas relaxem, que daqui pro fim do ano ainda piora! :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bora começar essa danada dessa revisão né? E começar pela realeza, porque Vieira é O CARA! Dá um gosto tão grande ler Vieira, entrar no ritmo dele! Mesmo quando não somos católicos e não concordamos com o que ele diz é impossível não reconhecer nele uma figura muito culta, um grande argumentador e um grande manipulador - de palavras e de pessoas também, claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esse caráter magnífico do grande escritor que Vieira é fica logo evidente, para ler Vieira com criticidade, e com aquele olhar clínico que consegue identificar os recursos que esse artista (que não é artista... lembrem que a função da linguagem conativa predomina sobre a poética nos textos de Vieira) usa, é preciso de um pouco de treino e o conhecimento dessas ferramentos do seu estilo. Então vamos lembrar quais são elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os recursos estéticos e estilísticos usados por Vieira em seus sermões estão sempre a serviço do seu estilo conceptista (quevedista). O que Vieira quer, quando os usa, é buscar a clareza da idéia, mesmo quando seu pensamento chega quase a formar paradoxos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês devem ter notado que eu me referi a esses recursos com duas nomenclaturas: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;estéticos e estilísticos&lt;/span&gt;. Qual a diferença? Os &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;estéticos &lt;/span&gt;são os que buscam os&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; efeitos de beleza&lt;/span&gt; do texto, são as figuras de linguagem e outros tipos de manipulação lingüística. Os &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;recursos estilísticos&lt;/span&gt; são elementos típicos da composição de um autor que não atingem, necessariamente, o efeito estético, mas que s&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ão tão presentes no conjunto da obra do camarada que através deles temos dica da autoria de determinado texto&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, antes que vocês comecem a se estressar: não, não precisa saber quando é um e quando é outro para fazer prova nenhuma! Tem calma, criatura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respiraram mais aliviados? Então vamos prosseguir. Os principais recursos estéticos usados por Vieira são a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;comparação&lt;/span&gt;, a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;metáfora&lt;/span&gt;, a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;antítese &lt;/span&gt;e o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;trocadilho&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Comparação &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;metáfora &lt;/span&gt;não são bichos-de-sete-cabeças para vocês mais, não é? Para saber quando é uma e quando é outra é só procurar palavras e expressões de teor comparativo. Se estiverem lá, comparação; se não, metáfora. Então, o que há de mais relevante nelas é lembrar que Vieira costuma usar &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;elementos da natureza ou do cotidiano comum das pessoas&lt;/span&gt; na construção dessas imagens. Por quê? Por que ele quer ser acessível, quer ser compreendido por qualquer pessoa. Assim, as imagens comuns, a que qualquer homem, por mais humilde que seja sua condição social, são as que mais significado vão trazer para o seu público. Por isso o céu, o mar, os peixes, as árvores, o ato de semear, as abelhas, o ato de se olhar ao espelho são imagens usadas por Vieira: qualquer homem do século XVII vai compreendê-las e assimilá-las, compreendendo e assimilando, por extensão, o conteúdo de sua mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E a tal da alegoria que ele também usa? Não é a mesma coisa que comparação e metáfora?&lt;/span&gt;", tem alguém se perguntando. E depois pensando "Eu nunca sei quando é alegoria e quando é metáfora". Então seus problemas acabaram! :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Alegoria&lt;/span&gt;, gente, é um recurso estilístico em que se faz uma metáfora para ações e sentimentos humanos através de uma narrativa curta. As parábolas bíblicas são alegorias. Em todas elas o pregador conta uma história que representa um comportamento humano e depois avalia a história, mostrando o que significa cada um de seus símbolos. É exatamente isso que alegoria é: uma &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;narrativa metafórica&lt;/span&gt; (tem que ter a união de mais de um símbolo para se mostrar esse comportamento, como na alegoria do ver-se ao espelho = ver-se a si mesmo, do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sermão da Sexagésima&lt;/span&gt;), que tem sua simbologia explicada. Uma metáfora vem sozinha e não tem explicação no texto (senão, mata a metáfora, e o discurso fica pobre!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Antítese&lt;/span&gt;, em tese, também é tranqüilo né? É aquele contraste dos elementos opostos. Para quem está ainda com aquela dificuldade em reconhecer quando é antítese e quando é paradoxo, a dica é: Vieira gosta muito de unir a antítese, um recurso estético, à &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;reiteração &lt;/span&gt;(ou repetição), um &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;recurso estilístico&lt;/span&gt;. É só lembrar do Sermão XIV do Rosário, em que ele vai enumerando as diferenças entre senhores e escravos. Além dessa dica, vamos lembrar também que no caso da antítese, como a oposição é de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;atributos de seres diferentes&lt;/span&gt;, ou de um mesmo ser, mas que só existem nele em &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;momentos diferentes&lt;/span&gt;, esse constrate de opostos da antítese é perfeitamente &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;aceitável do ponto de vista lógico, racional&lt;/span&gt;. Racionalmente nós compreendemos que uma pessoa pode ser muito boa aluna de Matemática e péssima em Português; compreendemos que uma pessoa esteja triste pela manhã e feliz à tarde; ou que um atleta que ganha medalha de prata chora, enquanto o que ganha a medalha de ouro, ri. Racionalmente essas coisas são perfeitamente compreensíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;paradoxo&lt;/span&gt;, que Vieira também usa, embora com bem menos freqüência, é &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;incompreensível do ponto de vista lógico, racional&lt;/span&gt;. Isso porque os elementos &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;opostos&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;convivem no mesmo ser, ao mesmo tempo&lt;/span&gt; e para nós, seres humanos, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Uma sensação ser ao mesmo tempo azeda e doce, boa e ruim, alegre e triste racionalmente não são explicáveis. Apenas a nossa compreensão emocinal do mundo consegue apreender que o amor é "dor que desatina sem doer" sem entrar em parafuso com isso. Emocionalmente nós compreendemos muito bem que o atleta de ouro chora copiosamente, feliz e triste, porque avalia as dificuldades e perdas no caminho e essas duas emoções se manifestam na mistura de reações que emocionam todos que estão perto, e lá vai mais gente chorar triste-alegre junto. Emocionalmente compreendemos (vá lá, os meninos têm mais dificuldade) aquela criatura desesperada por odiar amar um namorado cafajeste. Emocionalmente (tá, essa só serve para as mulheres) aquela crise existencial da TPM. Mas vá colocar lógica nessas coisas: a resposta é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Servor error - No donut for you&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;trocadilho&lt;/span&gt;, para terminarmos o rap dos recursos estéticos, consiste num jogo com &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;palavras que têm mesma forma&lt;/span&gt; (pelo menos mesma sonoridade), &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;mas sentidos diferentes&lt;/span&gt;. Além do trocadilho, Vieira gosta também de demonstrar a sutil diferença que expressões sinônimas têm. Aqui a forma das palavras não é igual, mas se você achava que elas significam a mesma coisa, está redondamente enganado - pelo menos é o que ele vai acabar nos convencendo. Paço x passo é um exemplo de trocadilho; semeador x o que semeia é esse segundo uso (que não tem nome) recorrente no estilo de Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, ja sei. Isso é coisa de autor cultista. Vamos repetir juntos pela enésima vez: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vieira é conceptista, mas nunca descuida da forma do texto. Vieira é conceptista, mas nunca descuida da forma do texto. Vieira é conceptista, mas nunca descuida da forma do texto. Vieira é conceptista, mas nunca descuida da forma do texto. Vieira é conceptista, mas nunca descuida da forma do texto.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o suficiente, né? Não? Então volte ao parágrafo anterior e leia mais três vezes, chatice! :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recursos estéticos, checado. Os principais já foram. Recursos estilísticos, quase checado. Faltam itens na nossa lista. Além da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;alegoria&lt;/span&gt;, da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;reiteração &lt;/span&gt;e da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;diferenciação dos quase sinônimos&lt;/span&gt; (por falto de uma nomenclatura melhor vai essa aí), ficou um item na nossa lista: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pergunta retórica&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tal da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;pergunta retórica&lt;/span&gt; é uma forma de condução argumentativa de um texto de caráter dissertativo. Ela está presente não só nos sermões de Vieira, mas pode aparecer em qualquer texto de caráter opinativo e, principalmente, persuasivo. Quando faz uma pergunta retórica, o autor elabora um&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; questionamento que ele mesmo responde no texto&lt;/span&gt;, como uma forma de conduzir o raciocínio e rebater possíveis contra-argumentos. Eu conheço uma professora de Literatura doida que vive fazendo isso em sala de aula, quando ela acha que uma dúvida inevitavelmente vai saltar de uma das cabecinhas à sua frente. Vocês têm idéia de quem é? :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E além desses recursos, o que mais a gente tem que saber sobre Vieira?&lt;/span&gt;" Para o SSA-UPE, dêem uma boa decorada naqueles sermões que eu destaquei para vocês, com ano e local em que foram proferidos. A UPE tem dessas coisinhas. Fora o SSA, o mais importante é praticar interpretação de texto. Por isso aquela fichinha, só com questões, que eu vou comentar em outro post. E por isso eu vou deixar aqui um trechinho do famoso Sermão da Sexagésima. Já vimos em sala que esse Sermão, o mais famoso de Vieira, é um dos responsáveis pela ira de muitos dos seus inimigos dentro da própria igreja. Afinal, não era nada fácil para os padres da época ouvir que a culpa de as pessoas não seguirem o comportamento que a igreja pregava era deles. E eu comentei com vocês que nesse sermão Vieira se manifesta anti-cultista. Mas não pudemos ver a parte em que ele faz isso, né? Então, de brinde, olha ela aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);font-size:85%;" &gt;Como em um pregador há tantas qualidades, e em uma pregação tantas leis, e os pregadores podem ser culpados em todas, em qual consistirá esta culpa? — No pregador podem-se considerar cinco circunstâncias: a pessoa, a ciência, a matéria, o estilo, a voz. A pessoa que é, e ciência que tem, a matéria que trata, o estilo que segue, a voz com que fala. Todas estas circunstâncias temos no Evangelho. Vamo-las examinando uma por uma e buscando esta causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será porventura [o culpado do não fazer fruto a palavra de Deus] o estilo que hoje se usa nos púlpitos? Um estilo tão empeçado, um estilo tão dificultoso, um estilo tão afetado, um estilo tão encontrado a toda a arte e a toda a natureza? Boa razão é também esta. O estilo há de ser muito fácil e muito natural. Por isso Cristo comparou o pregar ao semear. Compara Cristo o pregar ao semear, porque o semear é uma arte que tem mais de natureza que de arte. Nas outras artes tudo é arte: na música tudo se faz por compasso, na arquitetura tudo se faz por regra, na aritmética tudo se faz por conta, na geometria tudo se faz por medida. O semear não é assim. É uma arte sem arte caia onde cair. Vede como semeava o nosso lavrador do Evangelho: “Caía o trigo nos espinhos e nascia”, “Caía o trigo nas pedras e nascia”, “Caía o trigo na terra boa e nascia”. Ia o trigo caindo e ia nascendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim há de ser o pregar. Hão de cair as coisas hão de nascer; tão naturais que vão caindo, tão próprias que venham nascendo. Que diferente é o estilo violento e tirânico que hoje se usa! Ver vir os tristes passos da Escritura, como quem vem ao martírio; uns vêm acarretados, outros vêm arrastados, outros vêm estirados, outros vêm torcidos, outros vêm despedaçados; só atados não vêm! Há tal tirania? Então no meio disto, que bem levantado está aquilo! Não está a coisa no levantar, está no cair. Notai uma alegoria própria da nossa língua. O trigo do semeador, ainda que caiu quatro vezes, só de três nasceu; para o sermão vir nascendo, há de ter três modos de cair: há de cair com queda, há de cair com cadência há de cair com caso. A queda é para as coisas, a cadência para as palavras, o caso para a disposição. A queda é para as coisas porque hão de vir bem trazidas e em seu lugar; hão de ter queda. A cadência é para as palavras, porque não hão de ser escabrosas nem dissonantes; hão de ter cadência. O caso é para a disposição, porque há de ser tão natural e tão desafetada que pareça caso e não estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que falo contra os estilos modernos, quero alegar por mim o estilo do mais antigo pregador que houve no Mundo. E qual foi ele? — O mais antigo pregador que houve no Mundo foi o céu. (...) Suposto que o céu é pregador, deve de ter sermões e deve de ter palavras. Sim, tem, (...) tem palavras e tem sermões; e mais, muito bem ouvidos. E quais são estes sermões e estas palavras do céu? — As palavras são as estrelas, os sermões são a composição, a ordem, a harmonia e o curso delas. Vede como diz o estilo de pregar do céu, com o estilo que Cristo ensinou na terra. Um e outro é semear; a terra semeada de trigo, o céu semeado de estrelas. O pregar há de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou azuleja. Ordenado, mas como as estrelas. Todas as estrelas estão por sua ordem; mas é ordem que faz influência, não é ordem que faça lavor. Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se de uma parte há de estar branco, da outra há de estar negro; se de uma parte dizem luz, da outra hão de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão de dizer subiu. Basta que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteira com o seu contrário? Aprendamos do céu o estilo da disposição, e também o das palavras. As estrelas são muito distintas e muito claras. Assim há de ser o estilo da pregação; muito distinto e muito claro. E nem por isso temais que pareça o estilo baixo; as estrelas são muito distintas e muito claras, e altíssimas. O estilo pode ser muito claro e muito alto; tão claro que o entendam os que não sabem e tão alto que tenham muito que entender os que sabem. O rústico acha documentos nas estrelas para sua lavoura e o mareante para sua navegação e o matemático para as suas observações e para os seus juízos. De maneira que o rústico e o mareante, que não sabem ler nem escrever entendem as estrelas; e o matemático, que tem lido quantos escreveram, não alcança a entender quanto nelas há. Tal pode ser o sermão: — estrelas que todos vêem, e muito poucos as medem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, Padre; porém esse estilo de pregar não é pregar culto. Mas fosse! Este desventurado estilo que hoje se usa, os que o querem honrar chamam-lhe culto, os que o condenam chamam-lhe escuro, mas ainda lhe fazem muita honra. O estilo culto não é escuro, é negro, e negro boçal e muito cerrado. E possível que somos portugueses e havemos de ouvir um pregador em português e não havemos de entender o que diz?! Assim como há Lexicon para o grego e Calepino para o latim, assim é necessário haver um vocabulário do púlpito. Eu ao menos o tomara para os nomes próprios, porque os cultos têm desbatizados os santos, e cada autor que alegam é um enigma. Assim o disse o Cetro Penitente, assim o disse o Evangelista Apeles, assim o disse a Águia de África, o Favo de Claraval, a Púrpura de Belém, a Boca de Ouro. Há tal modo de alegar! O Cetro Penitente dizem que é David, como se todos os cetros não foram penitência; o Evangelista Apeles, que é S. Lucas; o Favo de Claraval, S. Bernardo; a Águia de África, Santo Agostinho; a Púrpura de Belém, S. Jerônimo; a Boca de Ouro, S. Crisóstomo. E quem quitaria ao outro cuidar que a Púrpura de Belém é Herodes que a Águia de África é Cipião, e que a Boca de Ouro é Midas? (...) Se houvesse um homem que assim falasse na conversação, não o havíeis de ter por néscio? Pois o que na conversação seria necessidade, como há de ser discrição no púlpito? &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-686417836132117675?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/686417836132117675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=686417836132117675&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/686417836132117675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/686417836132117675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/08/o-imperador-vieira.html' title='O Imperador Vieira'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-8403730154871521066</id><published>2008-06-02T11:10:00.005-03:00</published><updated>2008-06-04T12:25:40.617-03:00</updated><title type='text'>Barroco - A sofisticação da linguagem</title><content type='html'>Olá, olá, olá, olá,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos afinar as coisas para esse momento de prova que está chegando? Então senta que lá vem mais história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No post anterior, vocês viram que eu comentei muito sobre a antítese e o paradoxo e o uso destas figuras pelos escritores barrocos. Estas figuras de linguagem, por expressarem as angústias e conflitos humanos, são muito importantes para o movimento. Mas isso não significa que não sejam exploradas outras figuras nem outros recursos no século XVII. Pelo contrário: eu considero o Barroco, junto com o Parnasianismo (isso é coisa de 2º ano, cenas dos próximos capítulos, tá?), a escola literária que mais valoriza o fazer poético como uma criação racional e calculada. Se nem sempre esse cálculo pensa só no luxo da forma (cultismo), ainda quando o que se deseja é expressar as idéias de forma clara (conceptismo), o que se consegue, nos bons textos barrocos, é uma grande sofisticação lingüística. Por isso, é uma escola difícil de ser encarada por quem está iniciando seus estudos de Literatura. Mas não é impossível, se você se propuser a sua um pouquinho as pestanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como encarar um poema barroco? O que fazer se depois da primeira leitura a sensação que se tem é de que aquele cara está falando grego?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você se sente completamente perdido, se você tem vontade de, nessas horas, jogar tudo por alto e gritar pela sua mãe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEUS PROBLEMAS ACABARAM!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o roteiro de estudo de poemas da professora Bianca, a sua vida escolar começa a ter salvação. Um método simples e eficiente, que prepara você para encarar qualquer poema e não perder espaço precioso da sua memória decorando interpretações de livros que você logo logo vai esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é só isso! O roteiro de estudos é inteiramente grátis e está disponível na internet, para você acessar em qualquer computador, em qualquer lugar. É só entrar no Literarizando que você tem o Barroco aos seus pés!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roteiro de estudo: livre sua vida do estresse e seja um leitor independente pelo resto da sua vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, a piada pode ser sem graça. Mas eu não consegui resistir. Eu não curto muito dar fórmulas prontas para vocês, mas o roteiro funciona sim. Ele pode não deixar tudo explicadinho, você sozinho pode ter dificuldade para encarar algumas associações, mas pelo menos o geral do texto vai estar resolvido. E não, ele não é uma coisa tão rápida indolor quanto muitos de vocês devem querer que seja. Para seguir o roteiro é preciso se esforçar sim, é preciso pensar, refletir, reescrever, leva tempo e dá trabalho. Não é CTRL + CTRL + V. Mas melhor aprender a fazer uma coisa que vai poder ser usada sempre e que vai transformar você num leitor competente do que gastar horas do dia simplestemente decorando informações. Quem decora, esquece. Quem aprende, leva para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feita a palestra básica, vamos ao roteiro e suas etapas. São cinco etapas: encontrar o tema, esclarecer significados, ordenar o texto, compreender significados e observar o paralelismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para encontrar o tema, você tem duas ferramentas: procurar na indicação temática e procurar palavras-chave. Lembre-se que os três temas básicos da poesia barroca são o amor e suas contradições e sofrimentos, a religiosidade (e a relação homem x Deus, pecado x salvação) e a efemeridade da vida (o caráter passageiro de todas as coisas). Palavras que estejam ligadas a esses campos temáticos, mesmo as mais indiretas como nomes de mulheres e nomes de santos  já solucionam esta parte  do estudo e já nos informam que expectativas sobre o texto podemos ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, destaque as palavras cujo significado você desconhece e consulte um dicionário ou glossário. Conforme for fazendo isso, comece a  desfazer os hipérbatos, ordenando o texto de forma direta. Para desfazer os hipérbatos, tasque análise sintática no poema: identifique e destaque os verbos do texto e faça aquelas perguntas que te ensinaram na 7ª e 8ª séries. Lembra não como faz? Pegue sua gramática e vá estudar: por incrível que pareça, você vai precisar destes conhecimentos pelo resto de sua vida de leitor competente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para concluir seu estudo, lembre-se que as palavras vão ser usadas em sentido conotativo. Luz, sombra, branco, num texto barroco, raramente vão ser as coisas que essas palavras nomeiam objetivamente. Elas na maioria das vezes serão metáforas ou metonímias de alguma outra coisa e muito provavelmente estarão em antítese ou paradoxo com algum termo do poema. Observe também que a estruturação das frases segue um paralelismo, uma ordenação lógica repetitiva, que pode consistir em reservar uma estrofe para uma idéia e a seguinte para sua antítese ou ainda para nomear muitas coisas em uma estrofe e só na seguinte indicar o que elas fazem. Essa etapa é a mais complexa, porque não existe um modelo único a ser seguido. Sacar essa organização é coisa que só a prática traz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em prática, vamos rever a nossa prática em sala de aula? Comecemos, então, com o soneto de Francisco de Vasconcelos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;À morte de F.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Este Jasmim, que arminhos desacata&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Essa Aurora, que nácares aviva,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Essa Fonte, que aljôfares deriva,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Essa Rosa, que púpuras desata:&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Troca em cinza voraz prata lustrosa&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Brota em pranto cruel púpura viva&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Profana em turvo pez prata nativa&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Muda em luto infeliz tersa escarlata&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jasmim na alvura foi, na luz Aurora,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Fonte na graça, Rosa no atributo,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Essa heróica Deidade, que em luz repousa.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fora melhor que assim não fora,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Pois a ser cinza, pranto, barro e luto&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Foi Jasmim, Aurora, Fonte, Rosa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Seguindo o roteiro, sabemos pela indicação inicial que este texto é dedicado à morte de alguém, cujo nome começa com F. Visto que o autor é um homem, e que estamos no Barroco, à morte de uma mulher. Sendo à morte, esse texto provavelmente associará o sofrimento amoroso à fragilidade das coisas do mundo, mostrando como a vida se transforma em morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É exatamente isso que ocorre. Se analisarmos a primeira estrofe, ela contém apenas a referência a coisas que caracterizam a mulher amada que morreu: ela é um jasmim, uma aurora, uma fonte, uma rosa. E é isso por causa das características listadas nessa estrofe. Ela é um jasmim por causa da alvura de sua pele (o jasmim é tão branco que desafia os arminhos, animais que no inverno ficam inteiramente brancos e que, por isso, têm seu nome associado à pureza desta cor). É uma Aurora, porque traz luz que torna mais vivas as coisas delicadas que a rodeiam (o nácar é a substância brilhante que recobre conchas e pérolas, dando a elas tons rosados e, por isso é associado à cor de rosa)  . Ela é uma fonte, que gera orvalhos (aljôfares) ou ainda pequenas pérolas (aljôfares em sentido figurado também pode significar pérolas). Ela é uma rosa que desata, solta a cor púpura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que avivar os tons de cor de rosa, gerar orvalhos ou pérolas, soltar cor no mundo são imagens metafóricas. O que o eu lírico nos diz é que essa mulher tinha uma presença agradável, era delicada e graciosa e que conviver com ela era ter um mundo mais vivo, mais emocionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note que nessa primeira estrofe, o eu lírico apenas descreveu como essa mulher é, ou melhor, era. Lembre-se que o poema foi dedicado à ocasição da sua morte. O eu lírico então mostra como ela era especial, mas ainda não mostrou o que aconteceu com ela. Esses elementos (jamim, aurora, fonte e rosa) ainda não tiveram uma ação (feita ou sofrida). Isso só vai acontecer na estrofe seguinte, quando a relação antitética &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;vida x morte &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;vai se completar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra do paralelismo? Sempre que um poeta barroco passa uma estrofe inteira nomeando e caracterizando coisas para só depois dizer o que aconteceu com elas, ele vai usar o paralelismo para relacionar o sujeito à sua ação. Então o primeiro verso da primeira estrofe vai ter complemento no primeiro verso da segunda estrofe, o segundo da primeira no segundo da segunda e assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cientes desse paralelismo, olha só o que temos. O jasmim troca sua prata lustrosa (brilhante) por cinz voraz, ou seja, escuro. A aurora deixa de avivar tons cor de rosa para brotar, ou seja, gerar, a cor púpura (cor de vinho escuro) em pranto cruel. Pranto é o mesmo que choro, e metonimicamente (em substituição) vai representar algo que relacionamos ao nosso choro ante a morte de quem amamos. Quando morre a pessoa amada a pessoa vive o seu pranto, o seu choro, o seu luto. E a cor que representa esse momento é o preto. Veja que se agora se faz a antítese do elementos apresentados (o branco puro virou cinza, a cor de rosa virou vinho quase roxo), a antítese para a aurora é o crepúsculo, o pôr-do-sol, quando a luz do dia cede lugar à escuridão da noite. A morte dessa mulher,. que era uma aurora, que trazia luz para os tons de rosa, traz escuridão (pranto) para os tons de vinho. E, por fim, a rosa, que soltava sua cor púpura, sua tersa escarlata (cor vermelha viva) agora muda essa cor em luto infeliz (de novo a imagem do preto). A rosa murchou, perdeu sua cor e ficou preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentada a mulher e a transformação por que ela passou quando morreu, o eu lírico vai fazer as considerações sobre este assunto. Nos sonetos esse espaço é reservado sempre aos tercetos, especialmente o último, que faz a conclusão, a avaliação das idéias sobre o tema. Por isso esse último terceto contém a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;chave de ouro&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; do soneto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são as considerações? Ora, ele observa que essa "heróica Deidade", essa heróica mulher divina, que agora repousa em luz (um eufemismo para morte), foi tudo isso que ele nomeou (jasmim, aurora, fonte e rosa). E afirma, no último terceto, que é melhor que tenha sido assim, que ela tenha nascido desse jeito, bela e graciosa e morrido completamente transformada, a ela ter sempre sido cinza, pranto, barro e luto, ou seja, que ela fosse feia, triste, estabanada e desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa volta todinha para dizer isso? Claro! O poema é cultista e para ele não interessa a clareza da idéia. Muito menos se faz poesia sem demandar reflexão de texto. Se queremos ser objetivos, vamos fazer outra coisa da vida, não fazer poesia, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os textos de Gregório de Matos, que já vimos que é autor Barroco? São todos assim também? Nem todos. Gregório às vezes é inteiramente cultista, às vezes conceptista, às vezes um pouquinho de cada. Observe estes dois sonetos dele:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(102, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Desenganos da vida humana, metaforicamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É a vaidade, Fábio, nesta vida&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Rosa, que de manhã lisonjeada,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Púrpuras mil, com ambição dourada,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Airosa rompe, arrasta presumida.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: center; color: rgb(102, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;É planta, que de abril favorecida,&lt;br /&gt;Por mares de soberba desatada,&lt;br /&gt;Florida galeota empavesada,&lt;br /&gt;Sulca ufana, navega destemida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(102, 51, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="font-style: italic; text-align: center; color: rgb(102, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;É nau enfim, que em breve ligeireza,&lt;br /&gt;Com presunção de Fênix generosa,&lt;br /&gt;Galhardias apresta, alentos preza:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center; color: rgb(102, 51, 255);"&gt;  &lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Mas ser planta, ser rosa, ser nau vistosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt; De que importa, se aguarda sem defesa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt; Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;h4 style="font-weight: normal; font-style: italic; text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);" class="fr0"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4 style="font-weight: normal; font-style: italic; text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);" class="fr0"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,&lt;br /&gt;Depois da Luz, se segue a noite escura,&lt;br /&gt;Em tristes sombras morre a formosura,&lt;br /&gt;Em contínuas tristezas a alegria.&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4 style="font-weight: normal; font-style: italic; text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);" class="fr0"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Porém, se acaba o Sol, por que nascia?&lt;br /&gt;Se formosa a Luz é, por que não dura?&lt;br /&gt;Como a beleza assim se transfigura?&lt;br /&gt;Como o gosto da pena assim se fia?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4 style="font-weight: normal; font-style: italic; text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);" class="fr0"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,&lt;br /&gt;Na formosura não se dê constância,&lt;br /&gt;E na alegria sinta-se tristeza,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;h4 style="font-weight: normal; font-style: italic; text-align: center; color: rgb(255, 0, 0);" class="fr0"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Começa o mundo enfim pela ignorância,&lt;br /&gt;E tem qualquer dos bens por natureza.&lt;br /&gt;A firmeza somente na incostância.&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;Observe que a linguagem do primeiro texto é extremamente sofisticada, como a do soneto anterior. Mas a do segundo não, é bem mais clara. Não quer dizer que esse texto seja essencialmente conceptista, pois ele ainda valoriza muito as imagens que seduzem o leitor. Mas não é um texto que a valorize a ponto de embotar completamente a idéia. Nele cultismo e conceptismo convivem lado a lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o segundo texto não requer maiores explicações (vamos assinalar apenas que é um texto sobre a efemeridade das coisas do mundo, tema desenvolvido através de várias antíteses e de alguns paradoxos), o primeiro requer todo aquele trabalho dedicado ao soneto de Francisco de Vasconcelos. Vamos a ele então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começando pela análise do título, sabemos que o texto vai tratar das desesperanças da vida humana. Desengano é a desilusão, a deesperança. Somos desenganados quando sabemos que não resta mais nada a fazer para que algo ruim deixe de acontecer. Essas desilusões da vida humana serão abordadas de forma metafórica no texto, o que já nos prepara para umas metáforas bastante originais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ordenando o texto de forma direta, percebemos que no primeiro verso o eu lírico se dirige a um receptor, um Fábio (as vírgulas destacam o nome, como fazemos com os vocativos). Nesta vida é a circunstância em que acontece aquilo de que ele vai falar, a identidade da vaidade (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fábio, nesta vida a vaidade é&lt;/span&gt;). A partir daí virão as metáforas do texto que vão registar o que o eu lírico pensa sobre a vaidade. Essa imagem será registrada sempre na mesma seqüência (paralelismo, olha aí): primeiro a imagem junto com o verbo ser, em seguida a caracterização e por último o que ela faz. Esse esquema está se repetindo em todas as metáforas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são as metáforas? Fácil de perceber: procure aquilo que completa "a vaidade é". Você vai ver que ela é rosa (1ª estrofe), planta (2ª estrofe) e nau (3ª estrofe). Por que diabos a vaidade é uma planta e uma nau é que é a coisa complexa. Mas o próprio poema explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vaidade ser uma rosa não é uma metáfora tão surpreendente assim. Afinal a rosa é uma flor atraente - cheirosa, bela, delicada... A pessoa vaidosa também se mostra assim, principalmente as mulheres. Mas a rosa também tem espinhos, e a vaidade os tem: a pessoa muito vaidosa pode se tornar convencida, ou escrava dessa vaidade. E é isso que o poeta alerta. A vaidade é rosa  pela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;manhã lisonjeada&lt;/span&gt;, ou seja, agradada pelo momento da manhã. Afinal, é o amanhecer que estimula a rosa a desabrochar. Quando ela desabrocha ela rompe (abre-se) airosa (nova, elegante, viçosa), arrasta púpuras mil (solta a cor púpura). Quando nos tornamos vaidosos cuidamos de nós mesmos, nos embelezamos. Mas, lá vem o espinho: a vaidade faz isso ambiciosamente, presumidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que a vaidade tem a ver com uma planta? Olha, não é qualquer planta. É aquela favorecida pelo mês de abril (olha o paralelismo - cada metáfora é acompanhada por uma oração adjetiva). E o que o mês de abril tem de favorável às plantas? Bom, no hemisfério norte é primavera. E aqui no nordeste é outono: período em que o clima mais ameno deixa no sertão as plantas fortes. A planta favorecida por abril está cheia de energia, florida, colorida. Aquela flor delicada criou raízes: o poeta mostra a vaidade ficando maior forte e maior no homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa estrofe da planta é que a coisa complica. Complica porque, para falar da tal planta, temos uma metáfora inesperada, fora da estrutura paralelística de até então. Veja que esse "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por mares de soberba desatada&lt;/span&gt;" não tem nada a ver com planta. Planta e mar é viagem demais, mesmo para um poeta barroco. Não tem a ver com planta, mas tem a ver com galeota: uma pequena embarcação. Uma galeota florida, empavesada (de pavão mesmo, toda enfeitada). Essa planta é como uma embarcação florida, enfeita, que sulca (abre caminho) ufanamente (com otimismo excessivo), navega sem temor por mares de soberba ilimitada. A ambição virou soberba: a pessoa dá excessivo valor à sua excelência. Sílvia de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Duas Caras&lt;/span&gt;, lembra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando aos tercetos e já acostumados ao mecanismo do texto, fica fácil. A vaidade é um navio que apresta, que concede, dá galhardias, elogios. Um navio que preza os alentos, os consolos. É um navio porque é breve, ligeira, e tem a presunção generosa da Fênix: se acha imortal. Um navio lindo, forte, indestrutível. O Titanic. E o que aconteceu com o Titanic? Gregório de Matos se antecipou em uns 250 anos: achou o seu fim, como tudo acha. A ilusão do homem é achar que está no controle das coisas, que nada de ruim vai acontecer a ele. É a vaidade humana. E lá, na chave de ouro, o poeta esclarece o que pensa sobre ela: de que importa a vaidade (a planta, a rosa, a nau vistosa) se sem defesa cada coisa aguarda seu fim? O navio encontrará a pedar (penha, a planta será cortada por um instrumento de ferro, a rosa murchará no fim da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem barroco, em sua angústia existencial, conehce suas limitações e se debate com elas. Ele se desilude com a vida humana e procura a arte como um meio de expressar esse grande medo das coisas que não duram. E busca na religião aquilo que pode dar a ele segurança, uma forma de constância de eternidade. E só para complicar a vida dele, ele sabe que só isso, só essa segurança espiritual é uma vivência incompleta. Ser humano é ser efêmero e eterno. É ser um paradoxo: uma realidade sofrida, e, nas palavras de Cecília Meireles que "não há ninguem que explique / e ninguém que não entenda".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-8403730154871521066?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/8403730154871521066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=8403730154871521066&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8403730154871521066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8403730154871521066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/06/barroco-sofisticao-da-linguagem.html' title='Barroco - A sofisticação da linguagem'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-8899702199730724638</id><published>2008-05-26T11:22:00.005-03:00</published><updated>2008-05-31T10:50:43.315-03:00</updated><title type='text'>Barroco – A arte da dúvida</title><content type='html'>&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Hello, povo!    &lt;p class="MsoNormal"&gt;No post anterior, já comentamos um pouquinho sobre o espírito de época preencheu as artes e o pensamento humano no século XVII. Hoje vamos começar a discutir um pouco mais como esse espírito de época se expressa, concretamente, na Literatura. Para isso, vamos observar os textos que deixei com vocês.&lt;/p&gt;            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=""&gt;Ao entrar para o colégio dos jesuítas, Gregório de Matos já se interessava pelas mulheres. Desde menino gostava de olhar nos livros imagens femininas: santas, rainhas desenhadas com benevolência e que sempre pareciam mais belas do que deviam ser, altivas condessas, duquesas, princesas e até mesmo bruxas condenadas pelo Santo Ofício. Na rua o menino ficava extasiado com as mulheres de carne e osso, com seus rostos e suas formas, alvas como jasmins, vermelhas, azeitonadas ou escuras como a lascívia. As meninas eram lindas, as índias nuas pareciam-lhe deusas pagãs, as escravas lhe sugeriam estátuas de ferro pronto a incandescer. Sua irmã, um demoniozinho falante, tinha um mistério que Gregório de Matos observava com fervor quase religioso. Sentia-se atraído por todas as mulheres. Encantava-se com qualquer gesto, qualquer rufar de saias, detalhes mínimos. Mesmo as feias tinham para ele um encanto qualquer: uma orelha bem-feita, um par de tornozelos sólidos, unhas saudáveis, cabelos abundantes, uma boa estrutura óssea, batatas das pernas grossas, nádegas redondas e fartas, um ar sonhador, timidez, brilho de inteligência ou um nariz que lembrasse uma jovem dinastia lágida. Como ele gostava de dizer: “São feias, mas são mulheres”.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="ES"&gt;“Ah, tu és o demônio”, disse Anica de Melo.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="ES"&gt; &lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;i&gt;“Não, não, somos bastante diferentes. Demônios sois vós, mulheres.”&lt;/i&gt; &lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;i&gt;Disse que lera nos livros serem as mulheres diabos disfarçados, circes encantadoras, tentações infernais, peçonhentas no coração e na boca, copuladoras vorazes; que possuir a parte traseira de uma mulher era o mesmo que fazer pacto com o diabo; as que tinham um rosto de anjo e maior donaire eram as mais perigosas. O corpo de uma mulher despertava-lhe sentimentos penosos e demorados, algo como uma queda, um desar, uma febre malignas, um delírio destruidor. Elas traziam dentro do corpo vermes que devoravam os homens; algumas possuíam uma boca entre as pernas, com dentes e tudo; elas desgraçavam, arruinavam, sufocavam, escravizavam com feitiços, eram más e interesseiras, por elas se faziam as guerras. Falavam apenas tolices cansativas, só se preocupavam com brincos, vestidos e os atavios da sedução. Traíam e levavam a alma do homem ao inferno. Mas nada havia de tão doce quanto essa tirania&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;(Ana Miranda. &lt;/span&gt;&lt;b style="font-family: times new roman;"&gt;Boca do Inferno&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. pp. 75 – 76. Companhia de Bolso)&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Esse primeiro texto, trecho do excelente romance de Ana Miranda sobre a conspiração que resultou no assassinato do alcaide Teles e na tentativa de assassinato do governador Antônio de Souza Meneses, o Braço de Prata, demonstra claramente que o fervor religioso da época procurava, a todo custo, incutir no ser humano a noção de pecado naquilo que vai dar prazer mundano, especialmente o sexo. A educação, tarefa reservada à Igreja Católica aqui na Colônia (o governo português só se preocupou com isso quando a família real se transferiu para cá no início do século XIX), foi uma das armas para se propagar essa idéia. E como ela era reservada quase que unicamente aos homens e visava à formação do religioso (Gregório de Matos não chegou a se tornar padre de fato, mas era clérigo, tesoureiro da Igreja), nada mais eficiente do que associar à mulher, objeto de desejo, a noção de perigo, de perdição. E o perigo máximo, para o homem daquela época, é o do inferno. A mulher, é, então, na época, um ser demoníaco, porque ela desperta no homem o desejo sexual e se ele sucumbir a esse desejo, cometerá pecado e acabará passando sua eternidade no inferno. Daí a metáfora “Demônios sois vós, mulheres”: assim como o demônio tenta o homem e o leva a perder sua alma, a mulher, por sua própria constituição feminina, é uma tentação que deve ser rejeitada.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Essa imagem foi recriada de forma mais sutil por Gregório de Matos em um de seus poemas amorosos e foi provavelmente ela que inspirou a imaginação de Ana Miranda para criar o diálogo entre ele e uma suposta amante (fictícia? real? quem pode saber?!), a prostituta Anica de Melo. Observe os versos que ele dedicou a Ângela de Souza Paredes. &lt;/p&gt;    &lt;p style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se como Anjo sois dos meus altares&lt;br /&gt;Fôreis o meu custódio, e minha guarda&lt;br /&gt;Livrara eu de diabólicos azares &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas vejo, que tão bela, e tão galharda &lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt; Posto que os Anjos nunca dão pesares &lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt; Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quanto ao uso da antítese e do paradoxo, preste bastante atenção. Essas duas figuras de linguagem trabalham com o mesmo princípio: a oposição de idéias. A diferença é que em uma as idéias compõem uma realidade exterior e que não gera incoerência, contradição. Os opostos estão em seres diferentes, ou pelo menos existem em momentos diferentes. Dia e noite, por exemplo, são opostos, mas que não coexistem ao mesmo tempo; são antíteses.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;Já no paradoxo, os opostos convivem no mesmo ser, ao mesmo tempo. Em um eclipse total do sol, o dia e a noite se misturam. No momento do amanhecer (aurora, alvorecer) e do anoitecer (crepúsculo) também essas duas realidades coexistem. Há, nessas fases de transição &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;a convivência dos opostos no mesmo ser (tempo) no mesm instante&lt;/span&gt;: é um &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;paradoxo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paradoxo cria realidades que são absolutamentes ilógicas do ponto de vista racional. Como você pode explicar num raciocínio lógico-matemático o amor que Camões paradoxalmente ilustra em "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Amor é fogo que arde sem se ver /&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É ferida que dói e não se sente /&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É um contentamento descontente /&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É dor que desatina sem doer"&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo jeito, como podemos explicar uma "tirania doce", como Gregório de Matos conceituou o poder que as mulheres exercem sobre os homens no fim do trecho de Ana Miranda? A palavra tirania e seu conceito têm forte carga de negatividade. Tirania é algo que rejeitamos, de que queremos nos afastar. Contraditoriamente, esta tirania feminina é doce: ela é atraente, prazerosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paradoxo nesse texto é bem fácil de encontrar. A antítese, por sua vez, nem tanto. É que ela se encontra espalhada de forma mais sutil, na caracterização das personagens para quem Gregório de Matos dirigia sua atenção. Note que ele admirava santas, rainhas, condessas, duquesas, princesas e bruxas. Esse último tipo de mulher se opõe, claramente, ao primeiro, durante o período da Contra-Reforma: santas = mulheres religiosas, que seguem os mandamentos divinos; bruxas = feiticeiras más, que são dominadas pelo demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao segundo texto, o poema de Gregório de Matos&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ao Santíssimo Sacramento Estando&lt;/span&gt; para Comungar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Tremendo chego, meu Deus,&lt;br /&gt;Ante vossa divindade,&lt;br /&gt;que a fé é muito animosa,&lt;br /&gt;mas a culpa mui cobarde.&lt;br /&gt;À vossa mesa divina&lt;br /&gt;como poderei chegar-me,&lt;br /&gt;se é triaga da virtude,&lt;br /&gt;e veneno da maldade?&lt;br /&gt;Como comerei de um pão,&lt;br /&gt;que me dais, porque me salve?&lt;br /&gt;um pão, que a todos dá vida,&lt;br /&gt;e a mim temo, que me mate.&lt;br /&gt;Como não hei de ter medo&lt;br /&gt;de um pão, que tão formidável&lt;br /&gt;vendo, que estais todo em tudo,&lt;br /&gt;e estais todo em qualquer parte?&lt;br /&gt;Quanto a que o sangue vos beba,&lt;br /&gt;isso não, e perdoai-me:&lt;br /&gt;como quem tanto vos ama,&lt;br /&gt;há de beber-vos o sangue?&lt;br /&gt;Beber o sangue do amigo&lt;br /&gt;é sinal de inimizade;&lt;br /&gt;pois como quereis, que o beba,&lt;br /&gt;para confirmarmos pazes?&lt;br /&gt;Senhor, eu não vos entendo;&lt;br /&gt;vossos preceitos são graves,&lt;br /&gt;vossos juízos são fundos,&lt;br /&gt;vossa idéia inescrutável.&lt;br /&gt;Eu confuso neste caso&lt;br /&gt;entre tais perplexidades&lt;br /&gt;de salvar-me, ou de perder-me,&lt;br /&gt;só sei, que importa salvar-me.&lt;br /&gt;Oh se me déreis tal graça,&lt;br /&gt;que tenho culpas a mares,&lt;br /&gt;me virá salvar na tábua&lt;br /&gt;de auxílios tão eficazes!&lt;br /&gt;E pois já à mesa cheguei,&lt;br /&gt;onde é força alimentar-me&lt;br /&gt;deste manjar, de que os Anjos&lt;br /&gt;fazem seus próprios manjares:&lt;br /&gt;Os Anjos, meu Deus, vos louvem,&lt;br /&gt;que os vossos arcanos sabem,&lt;br /&gt;e os Santos todos da glória,&lt;br /&gt;que, o que vos devem, vos paguem.&lt;br /&gt;Louve-vos minha rudeza,&lt;br /&gt;por mais que sois inefável,&lt;br /&gt;porque se os brutos vos louvam,&lt;br /&gt;será a rudeza bastante.&lt;br /&gt;Todos os brutos vos louvam,&lt;br /&gt;troncos, penhas, montes, vales,&lt;br /&gt;e pois vos louva o sensível,&lt;br /&gt;louve-vos o vegetável.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Uma dica para a compreensão de qualquer texto Barroco é observar se ele apresenta a indicação do tema no espaço que costuma ser reservado ao título. Digo indicação do tema porque Gregório de Matos e muitos autores da época não davam títulos aos seus poemas. O que temos, no lugar do título, é a indicação do tema, feita pelos copistas, para auxiliar a vida do leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso deste texto, produzido segundo uma estética medieval (observe que a métrica, por exemplo, é a redondilha maior - 7 sílabas poéticas), a indicação é de que o poeta faz suas reflexões sobre o santíssimo sacramento, no momento em que vai comungar. Para os católicos (o Barroco é a arte da Contra-Reforma por excelecência), a comunhão é um sacramento, ou seja, um rito sagrado (observe, então, que no título há um pleonasmo, uma redundância, para dar intensidade, hipérbole à idéia de sagrado), pois é o momento em que são reafirmados os laços entre fiel e Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comunhão católica se marca pelo recebimento da hóstia consagrada, uma reprodução do que seria o "comer o corpo" de Cristo, numa reprodução da Santa Ceia. Além disso, há também a ingestão de vinho, símbolo do sangue derramado para a Aliança renovada entre Deus e os homens. Estes elementos, pão e vinho (na forma de sangue) em uma ceia são apresentados no corpo do poema, em versos como "&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;À vossa mesa divina / como poderei chegar-me, / se é triaga da virtude, / e veneno da maldade?&lt;/span&gt;", "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como comerei de um pão, / que me dais, porque me salve?&lt;/span&gt;" "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Q&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;uanto a que o sangue vos beba, / isso não, e perdoai-me: / como quem tanto vos ama, / há de beber-vos o sangue? / Beber o sangue do amigo / é sinal de inimizade; / pois como quereis, que o beba, / para confirmarmos pazes?&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja que nestes versos, existe a referência clara à aproximação de uma mesa (o altar) em que será servido pão que garante a salvação, sangue que confirma as pazes com alguém. Pão e vinho, corpo e sangue de Cristo são ofertados para salvar o homem, através da confirmação de sua relação com Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes mesmo versos, ainda, ilustram a dimensão da relação entre o homem barroco e Deus. Observe que o ato de aliança através da comunhão foi questionado pelo poeta, que teme ser punido e não salvo ao buscar a aliança com Deus. O homem é um pecador que anseia pela salvação, enquanto Deus é aquele que tem o poder para salvá-lo. Temente à capacidade de Deus em salvar o homem do pecado ou condená-lo ao inferno, o homem tenta compreendê-lo racionalmente, no que falha ("&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Senhor, eu não vos entendo; / vossos preceitos são graves, / vossos juízos são fundos, / vossa idéia inescrutável. / Eu confuso neste caso / entre tais perplexidades / de salvar-me, ou de perder-me, /só sei, que importa salvar-me&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;"). E falha justamente por esta sensação permanente no período Barroco da impotência do homem diante de algo muito maior que ele, algo que faz cair por terra  a vaidade antropocêntrica e lembra ao homem que há coisas que estão além de sua capacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos aos recursos estéticos deste texto de raiz medieval, além da redondilha, observe também o uso dos versos brancos alternados aos versos que rimam. Estas rimas, por sinal, são rimas imperfeitas. Você pode encontrar mais informações sobre as classificações dos tipos de rima na internet na Wikipédia e em outros sites. A postagem da Wikipédia, por sinal, está muito completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminarmos, fiquemos com uma revisitação da forma Barroca de encarar o amor nas palavras de Lulu Santos e Nelson Mota.&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: center; font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Certas coisas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style=""&gt;Não existiria som se não&lt;br /&gt;Houvesse o silêncio&lt;br /&gt;Não haveria luz se não&lt;br /&gt;Fosse a escuridão&lt;br /&gt;A vida é mesmo assim&lt;br /&gt;Dia e noite, não e sim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada voz que canta o amor&lt;br /&gt;Não diz&lt;br /&gt;Tudo o que quer dizer&lt;br /&gt;Tudo o que cala&lt;br /&gt;Fala mais&lt;br /&gt;Alto ao coração.&lt;br /&gt;Silenciosamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Eu te falo com paixão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te amo calado,&lt;br /&gt;Como quem ouve uma sinfonia&lt;br /&gt;De silêncio e de luz&lt;br /&gt;Nós somos medo e desejo&lt;br /&gt;Somos feitos de silêncio e som&lt;br /&gt;Tem certas coisas que eu não sei dizer&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  Falar silenciosamente? A vida é dia e noite, não e sim? Somos medo e desejo, silêncio e som? Olha os paradoxos do texto! Todos usados para expressar uma idéia lógica diante da sua ilogicidade: o eu-lírico ama tão profundamente que não consegue expressar este amor. Não consegue porque, no século XXI, quando ouvimos a música hoje, sabemos que se declarar é se expor, é se arriscar a levar um fora, a se machucar num relacionamento amoroso. No período Barroco a coisa era mais complexa. Além destes medos, ainda há o medo do pecado em si (e esse desejo do verso seria entendido como um desejo sexual).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe qeu este texto busca exprimir um raciocínio lógico, que parte de premissas para chegar a uma conclusão. Isso é uma forma de silogismo, esquema de raciocínio muito usado pelos filósofos gregos (eles de novo). No silogismo são apresentadas duas premissas (sentenças consideradas verdadeiras) que possuem algo em comum para delas se fazer uma conclusão por associação. Observe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Premissa 1 -&gt; Todo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ser humano&lt;/span&gt; é &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255); font-weight: bold;"&gt;mortal&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premissa 2 -&gt; &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Demervaldo&lt;/span&gt; é um &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;ser humano&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão -&gt; &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Demervaldo&lt;/span&gt; é &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255); font-weight: bold;"&gt;mortal&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;No texto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Premissa 1 -&gt; Não existiria &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;som &lt;/span&gt;se não houvesse &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255); font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;o silêncio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Cada voz que canta &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;o amor&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255); font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;não diz tudo que quer dizer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premissa 2 -&gt; Não haveria &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;luz &lt;/span&gt;se não fosse &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold; color: rgb(51, 102, 255);"&gt;a escuridão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255); font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Tudo que cala&lt;/span&gt; fala mais alto &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;ao coração&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão -&gt; A vida é &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;dia &lt;/span&gt;e &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255); font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;noite&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;não &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;sim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255); font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Silenciosamente&lt;/span&gt; eu te falo &lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;com paixão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É claro que isso é feito em linguagem metaforizada e por isso as conclusões não parecem tão óbvias quanto num texto objetivo. Além disso, no caso do silogismo comum, há um raciocínio dedutivo (parte-se de algo generalizado para se aplicar a um exemplo específico) e no caso do texto houve o raciocínio indutivo (os exemplos conduzem um pensamento generalizado). Mas a essência é a mesma. Se é verdade que só temos o conceito de luz e de som porque temos o conceito oposto, todas as coisas que conhecemos (a vida) são formadas pela relação de oposição (dia e noite, não e sim). E se tudo é formado por contradição, não é de se espantar que quem ame silencie sobre esse amor, guarde coisas só para si. Afinal o que é mais importante (o que fala mais alto ao coração) é o que guardamos com mais carinho, não é? Então, se tudo é contraditório, quem ama profundamente, reprime profundamente a expressão desse amor. E isso justifica o comportamento do eu lírico: ele ama calado, neoplatonicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembra o que é amor neoplatônico. Vai ter que ficar para outro post, porque esse já passou dos limites! Mas eu juro que retomo isso quando formos estudar a lírica amorosa de Gregório de Matos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje já deu! Beijos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-8899702199730724638?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/8899702199730724638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=8899702199730724638&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8899702199730724638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8899702199730724638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/05/barroco-arte-da-dvida.html' title='Barroco – A arte da dúvida'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-3669387502703407644</id><published>2008-05-22T12:05:00.003-03:00</published><updated>2008-05-22T12:53:46.480-03:00</updated><title type='text'>Barroco - Pessimismo e religiosidade</title><content type='html'>Olá, carvões!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava mais do que na hora de fazer a primeira postagem do ano sobre o movimento Barroco, não é mesmo? Ainda estou devendo os slides da aula de Barroco nas artes plásticas, mas cada um na sua hora. Demora, mas chega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começarmos a discutir o movimento Barroco aqui no blog eu gostaria que vocês prestassem atenção, primeiro, num vídeo que eu encontrei no Youtube. Como eu não sei se vou conseguir levá-lo para a sala de aula, por questões técnicas mesmo, pelo menos aqui vocês poderão ter acesso a ele. É um curta de animação intitulado "&lt;em&gt;Pequeno Filme Barroco&lt;/em&gt;" e é muito interessante, não só pela abordagem que faz do movimento, mas pela animação em si também (eu adoro cinema de animação, e vocês?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, primeiro assistam ao vídeo. Depois dele eu retomo o meu blábláblá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-55b06dad94432e7a" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v23.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D55b06dad94432e7a%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331657373%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D32A4E98FB9111BE35BDECAC7E22BF4A96BC755.C7581602686D8FC1F1BFED68A5C7406846F99BC%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D55b06dad94432e7a%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DyJ_p7hXaiVsKgVBnJQcZuhwXxTk&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v23.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D55b06dad94432e7a%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331657373%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D32A4E98FB9111BE35BDECAC7E22BF4A96BC755.C7581602686D8FC1F1BFED68A5C7406846F99BC%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D55b06dad94432e7a%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DyJ_p7hXaiVsKgVBnJQcZuhwXxTk&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse vídeo remete a MUITAS coisas do estilo de época que o Barroco é: a representação do ser humano como algo impotente em relação ao mundo (ele é uma criança, um bebê), e que, submetido às intenções divinas (a asa de anjo que vem do alto), passa por uma fragmentação na sua própria identidade (mente - espírito - e corpo se separam, sendo o destino deste sofrer). Com essa fragmentação, o corpo é jogado ao inferno (e lá o movimento dos corpos sem cabeça praticando sexo mostram a associação que se faz entre sexo e pecado) e a cabeça - símbolo do espírito e da mente - é alçada ao céu, onde se cristaliza, torna-se eterna. Perceba, também, que nesta eternidade, a expressão dos anjinhos que se formam no céu é infeliz, sofrida, retorcida. Essa infelicidade é marcante no Barroco, visto que em sua visão de mundo o destino do homem é o sofrimento, sofrimento que vem de sua condição frágil e passageira na Terra. Ao contrário do Classicismo, movimento anterior, &lt;strong&gt;o Barroco é teocêntrico&lt;/strong&gt;. Ele não acredita mais no poder humano de dirigir a própria vida, mas sim no fato de o ser humano estar submisso a uma entidade maior, que o controla por completo: Deus.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse modo de ver o mundo, profundamente pessimista, não é só fruto da revisão que o Barroco faz dos princípios do Classicismo. Ele também se coordena com o momento histórico que se vive na Europa e no Brasil. O Barroco coincide com o acirramento da Contra-Reforma em todos os países de maioria católica (Espanha e Portugal, principalmente, e também a Itália). Esse acirramento promoveu um sentimento de histeria coletiva profunda. Havia um policiamente ideológico e cultural tão fortes que as pessoas o tempo todo se policiavam para não cometerem atos que pudessem levar a uma denúncia ao Tribunal do Santo Ofício (conhecido também como Santa Inquisição). Era um período em que tudo o que se falasse e fizesse, em público ou na vida privada (lembrem-se que das palavras de Gregório de Matos, em uma de suas sátiras: "&lt;em&gt;Em cada porta um freqüentado olheiro / que a vida do vizinho e da vizinha / pesquisa, escuta, espreita, esquadrinha / para levar à Praça e ao Terreiro&lt;/em&gt;"), poderia ser usado contra as pessoas no tribunal.  E até levar à condenção à morte.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse pessimismo, essa infelicidade, esse policiamento religioso vão resultar, na arte, numa fascinação pelo grotesco, característica que chamamos de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;feísmo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Vimos isso nas telas de Caravaggio, por exemplo, principalmente em &lt;em&gt;Judith degola Holofernes&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A incredulidade de Tomé&lt;/em&gt;. É uma característica do vídeo também: ver aquela degolação do bebê e o corpo cair, sem cabeça, engolido pela terra e, por fim, pilhas de corpos sem cabeça praticando sexo é uma coisa muito bizarra. Outra conseqüência é a angústia diante da vida, da inconstância das coisas que nos cercam, da inconstância do próprio homem, que está destinado a morrer. E, por fim, mais uma, que se nota particularmente no plano da linguagem, é a tensão das coisas do mundo em planos opostos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como assim? É o seguinte. O homem barroco, como qualquer outro, quer ser feliz. Não pense nele como um &lt;em&gt;emo&lt;/em&gt; deprimido que adora chorar. Não, ele quer aproveitar o corpo, os prazeres mundanos, acreditar no poder do homem. Mas por uma questão religiosa, ele tem uma noção de que esses elementos são falsos. O corpo e os prazeres que ele pode dar são passageiros e levarão à perdição da alma, porque estão ligados ao pecado. Para salvar-se, o homem precisa valorizar o que está ligado à vida eterna, ao espírito. Então ele tenta conciliar estas duas dimensões, corpo e espírito, e aquilo que estará associado a elas: efêmero e eterno, pecado e salvação, inferno e paraíso. Tenta, mas não consegue resolver isso de forma satisfatória. Ou ele se resolve pela salvação (abandonando a realidade do corpo), ou demonstra sua insatisfação pelo fato de as coisas serem instáveis. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso, no plano da linguagem, o movimento Barroco vai usar (e abusar) do uso da antítese, do paradoxo e de uma outra figura de linguagem: o hipérbato. Já que a existência dele é polarizada em coisas opostas, ele vai demonstrar isso através da oposição de idéias (antítese) e da criação de uma realidade contraditória e ilógica, em que as coisas opostas convivem ao mesmo tempo no mesmo ser (paradoxo). Assim ele assinala os conflitos da existência humana no plano da linguagem. E para mostar como é difícil para ele entender e organizar as impressões que ele tem deste mundo que o cerca, tão contraditório a si mesmo, ele usa o hipérbato, que consiste na inversão dos termos que formam uma oração.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não entendeu o hipérbato? Pense no mestre Yoda. Mestre Yoda, quando fala em Star Wars, fala com a ordem das coisas trocada, &lt;em&gt;não é caro padawan meu?&lt;/em&gt; Se não funcionar, lembre do Hino Nacional. Tente cantar os primeiros versos em ordem direta: "&lt;em&gt;As margens plácidas do Ipiranga ouviram / O brado retumbante de um povo heróico&lt;/em&gt;". Sem ritmo, não é? É, é que além de demonstrar essa dificuldade de organização do mundo ao redor (esse é um uso particular do movimento Barroco) a inversão, ou hipérbato, auxiliam a manter o ritmo e a musicalidade de um texto, garantindo sua métrica e sua rima, por exemplo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por hoje eu vou ficar aqui. Assim que der eu começo a comentar nossos exercícios.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E que a força esteja com vocês! :P&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-3669387502703407644?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=55b06dad94432e7a&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/3669387502703407644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=3669387502703407644&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/3669387502703407644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/3669387502703407644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/05/barroco-pessimismo-e-religiosidade.html' title='Barroco - Pessimismo e religiosidade'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-1870487383492611056</id><published>2008-04-28T08:24:00.005-03:00</published><updated>2008-04-28T16:31:22.503-03:00</updated><title type='text'>Revisando os Gêneros Literários</title><content type='html'>Olá, Carvões em Processo de Pressão,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá em cima, mas tá em tempo. Essa coisa de não estar conectada ao mundo virtual na minha própria casa cansa a minha beleza. Ou, como diria minha sobrinha Júlia "É uma pobreza..." :P...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sem delongas, que vocês devem estar doidos por uma revisão de gêneros, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguinte, flores e anjos... Aquilo que é literatura, como estamos discutindo desde fevereiro, é um conceito que varia muito, no tempo, no espaço e até de pessoa para pessoa, porque passa pela questão do gosto. Ser literatura envolve ser arte, e dependendo do gosto (histórico e pessoal), podemos afirmar que uma coisa é arte ou não. Só para vocês terem uma idéia, no século XVI, durante o Classicismo, a escultura era uma arte que deveria imitar a perfeição do corpo humano em seu esplendor, fazendo, para isso, um estudo detalhado da anatomia desse corpo. No século XX um movimento artístico chamado Dadaísmo, na escultura se expressou, por exemplo, colocando um urinol (daqueles de banheiro masculino mesmo), numa exposição, como objeto de arte. Isso porque esse movimento artístico queria protestar contra a elitização do conceito do que é arte. Na maioria das vezes o que entendemos que é arte é o que uma parcela muito, muito pequena de pessoas, dedicadas à área, dizem o que é arte. O que no século XVI era uma acinte à boa arte (e no século XX continuou sendo) passou a ter um significado simbólico. E a arte se comunica justamente através de símbolos... Ou seja, o vaso sanitário, naquele contexto, virou arte sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio bizarra essa história da história da arte não é? Mas verdade pura. Se você clickar aqui vai poder ver a prova da arte(?) de &lt;a href="http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.niteroiartes.com.br/cursos/la_e_ca/imagens/fonte.jpg&amp;amp;imgrefurl=http://www.niteroiartes.com.br/cursos/la_e_ca/modulos2.html&amp;amp;h=240&amp;amp;w=187&amp;amp;sz=7&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;start=10&amp;amp;sig2=Ui_RJt6E7P-3CftC0gC_jQ&amp;amp;um=1&amp;amp;tbnid=6vq8mYl2C2bVcM:&amp;amp;tbnh=110&amp;amp;tbnw=86&amp;amp;ei=57YVSKvKLaaiefTxqcAC&amp;amp;prev=/images%3Fq%3Ddada%25C3%25ADsmo%2B%252B%2Burinol%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26client%3Dfirefox-a%26rls%3Dorg.mozilla:pt-BR:official%26hs%3DNOm%26sa%3DG"&gt;Duchamp &lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que os gêneros têm a ver com isso? Tudo, basicamente. A paalvra gênero significa tipo. Portanto, os gêneros literários são os tipos de texto que, por terem como predominante a função poética da linguagem, são textos literários. Para identificá-los, é preciso haver um mínimo conceito do que é a literatura e o que pode, em tipos tão diferentes de texto, ser aquilo que os une como literários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que faz isso é justamente a tal função poética da linguagem. Um texto literário é aquele que, pela preocupação estética com a forma de expressão da mensagem, usa a palavra como símbolo, explorando seus multssignificados, suas conotações possíveis. Além disso, a relação do texto literário com a realidade é uma relação ficcionalizada: na arte a realidade é recriada, podendo essa recriação ser uma imitação que tenta ao máximo possível se aproximar do que é essa realidade (como as esculturas do século XVI) ou contestá-la, através do absurdo, da aparente falta de sentido, do exagero de características (como o urinol de Duchamps).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que tipos de texto literário existem? Vamos lá. Os três primeiros a serem identificados foram o lírico, o épico e o dramático. Eles existem desde a Grécia Antiga e, embora não sejam criação exclusivamente grega, foi lá que se identificou primeiro a sua existência e as suas características marcantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto lírico é o primeiro que pensamos como "poesia", embora ele não esteja necessariamente preso à forma em verso. Qualquer um dos gêneros pode se expressar em verso e prosa. Mas essa relação entre verso e lirismo é realmente muito grande. Isso porque o nascimento do gênero lírico se deu diretamente na relação entre palavra e som. Entre literatura e música. Se vocês prestarem atenção, lírico, lirismo, vem de lira, que é um instrumento de cordas, parecido com uma harpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque pensamos logo em lirismo como poesia, às vezes confundimos um pouco alguns conceitos. O texto lírico é aquele em que se expressam as emoções e pontos de vista de um "eu" que fala nesse texto, o tal do "eu-lírico". E como a forma mais freqüente de expressão desse gênero é o verso, sempre que pensamos em "poema", "poesia" e "poeta" pensamos em expressão de emoções. E nem sempre é assim. Na forma de poema também já se expressaram os gêneros épico e dramático. E &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;poeta &lt;/span&gt;é todo aquele escritor que usa a forma em versos para construir um texto literário (aquele em que predomina a &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;função poética&lt;/span&gt; da linguagem). Portanto, nem todo poema tem a ver com expressão de emoções (&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;função emotiva/expressiva&lt;/span&gt;). Isso &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italic"&gt;é coisa da poesia lírica&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é o texto lírico, então? É um texto em prosa ou verso cujo objetivo é expressar as emoções e pontos de vista do eu. Sendo um texto literário, nele é predominante a função poética da linguagem. Expressando as emoções, ele tem também a função expressiva/emotiva combinada à poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os outros gêneros? Calma que vamos a eles...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gênero dramático é muito fácil de reconhecer só de olhar para ele. Isso porque ele é o único que se pauta quase que apenas no diálogo dos personagens, com pequenas intervenções destacadas no texto entre parênteses ou em itálico. Essas intervenções são as rubricas e são elas que fazem as indicações de uma série de informações sobre o que o autor imaginou para o seu texto: a emoção que os personagens expressam, suas ações, seu figurino, a iluminação, os sons, o cenário em que ocorre a ação. Essas informações, em um texto narrativo comum seriam dadas pelo narrador. Mas o texto dramático dispensa essa figura. No texto dramático, como ele é concebido para ser plenamente executado, não há uma figura narradora que nos conta o que acontece: a ação acontece diante dos nossos olhos, através de uma encenação, uma representação por uma equipe de atores, diretores, figurinistas, maquiadores, iluministas, cenógrafos, técnicos de som...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gênero dramático foi o único que teve seu caráter subdividido na Grécia Antiga. Tanto Platão como Aristóteles, os filósofos que se preocuparam com essas questões relativas a "o que é a literatura?" e "como é um texto literário?" identificaram dois tipos de texto dramático: a comédia e a tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença entre esses tipos de texto dramático se dá apenas no conteúdo e no tipo de personagens que eles envolvem. Na tragédia grega, o acontecimento é funesto, trágico (no sentido de triste e grandioso). Tragédia grega é Cassandra prever todo o futuro, inclusive a própria morte e não poder fazer nada, absolutamente nada para mudá-lo, nem para deixar de ter as visões terríveis que sabe que não poderá impedir que se concretizem. Tragédia grega é Édipo se descobrir assassino do próprio pai, marido incestuoso da própria mãe e culpado pela peste que assola a cidade de Tebas e pune milhares de pessoas por causa de sua desgraça. O personagem da tragédia grega, o herói, entretanto, é um exemplo de ser humano, um homem superior aos outros homens. Não só porque esse homem é um nobre (ou um deus, ou um semi-deus), mas principalmente porque esse homem ele faz aquilo que é certo, a despeito da dor que isso possa lhe causar, apesar de sua desgraça pessoal se originar justamente desse "fazer a coisa certa". Édipo, fosse um herói comum, ficaria calado sobre sua real identidade e deixaria a peste assolar Tebas. Mas Édipo, herói grandioso, aceita seu destino e faz a coisa certa: pune-se com o exílio permanente, não só de Tebas, mas do próprio mundo: furando os próprios olhos, Édipo passa a ser um cego solitário e errante, que não consegue mais ter o contato pleno com aquilo que está à sua volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a comédia? É o contrário, a antítese. Se o personagem da tragédia é superior e o acontecimento é funesto, o da comédia é o homem inferior e o acontecimento, claro, cômico, passível do riso. E essa história de homem inferior, nós vimos, não agradava Platão, que achava a comédia nociva à República, por exortar os homens a serem piores do que são. Afinal, para Platão, o homem, pelo seu comportamento de mímese, vai imitar tudo o que vê, e, vendo o homem inferior, em seus muitos estereótipos (o marido traído, a mulher adúltera, o velho sovina, a velha fofoqueira, o soldado covarde, o amante tímido, o valentão burro e quantos outros que existem!) vai se comportar tal qual ele o faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o tal do gênero épico. Esse não tem uma estrutra visivelmente definidora como o dramático, mas destaca-se por algo que falta (por não ser necessário) neste último: a figura do narrador. O gênero épico é um gênero narrativo, ou seja, que vai contar, por meio dessa figura do narrador, fatos que envolvem personagens e se sucedem num espaço de tempo. O que faz do épico épico e não narrativo, apenas, é o caráter desses fatos que ele relata. Um texto épico narra, sempre, eventos grandiosos, como grandes batalhas, envolvendo grandes heróis, maiores ainda do que os heróis da tragédia. Isso porque herói que se preze ganha a batalha, não é? E isso faz com que, para Platão, o gênero épico seja mais valoroso ainda do que a tragédia. Se na tragédia o herói simplesmente faz o que é certo (e é punido em seu fim trágico por isso), no épico o herói sai vencedor, recebe a honra e a glória, imortalizado, agora, em sua vitória, pelo registro histórico que a literatura faz de seus feitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses são os três gêneros clássicos, porque identificados pela Era Clássica da Antigüidade Latina. Há ainda dois outros; um considerado moderno e o outro simplesmente ignorado na Antigüidade e continuamente ignorado pelos manuais de teoria da literatura por conseqüência: o moderno e o satírico, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gênero narrativo é, em tese, um derivado do épico. Afinal, os dois contam histórias através de narradores. A diferença essencial é apenas de conteúdo: no épico, necessariamente existem as batalhas grandiosas e seu herói vencedor grandioso; no narrativo, os fatos podem envolver qualquer tipo de conflito mais comum à vida das pessoas. No gênero narrativo de uma partida de futebol a uma história de amor; de uma festa de família até a criação de uma fórmula química para o bem da humanidade, mas que acaba tendo efeitos colaterais terríveis, tudo é conteúdo do texto narrativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque esse gênero não foi observado por Platão e Aristóteles? Por que ele não era comum naquela época, nem fazia parte da tradição de textos que sobreviveram ao tempo, registrados por escrito, provavelmente. O fato é que ele só ganhou destaque quando a burguesia assumiu o poder político, econômico e artístico, produzindo e consumindo literatura. Aí, no fim do século XVIII e início do século XIX o gênero narrativo ganhou muita força, principalmente sob a forma de romance. Ganhou tanta força que a produção épica se tornou muito, muito rara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o gênero satírico? Se Platão não gostava da comédia, imagina da sátira, esse tipo de texo em verso feito apenas para ridicularizar alguém. Possivelmente Platão nem achava que isso fosse literatura, texto artístico. E Aristóteles, bem... Sem o livro da &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Comédia&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; de sua &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Poética&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, fica difícil saber se ele ignorou mesmo a sátira.&lt;br /&gt;O gênero satírico compreende os textos que se voltam para a ridicularização de pessoas e comportamentos sociais. Ele se manifestou, na Idade Média, através das cantigas de escárnio e de mal-dizer, as quais, de forma mais ou menos agressiva, se dirigiam contra os tipos viciosos (aqueles que fazem parte da comédia) e denunciavam o comportamento reprovável por eles mantido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sátira é um tipo de texto extremamente popular, porque continuamente explorado pelo povo para manifestar sua insatisfação política e social. No Brasil colônia ela é de extrema importância para que conheçamos os hábitos de nossa sociedade e as incoerências dela, principalmente daqueles membros do poder: padres, políticos, senhores de terras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse gênero é aquele que vai, portanto, demonstrar como se deu a construção de nossa identidade nacional nos séculos XVII e XVIII, e foi explorado pelos poetas Gregório de Matos e Tomás Antônio Gonzaga. Cada um, em seu tempo, usou com estilo pessoal próprio o texto satírico para criticar a realidade de seu tempo. Gregório voltou-se contra a Bahia como um todo (das moças falsamente virtuosas aos juízes e padres) e o governador Antônio de Souza Meneses, em sonetos de versos decassílabo ou redondilhas de cunho medieval às vezes ambíguos e irônicos, outras vezes sarcásticos, cheios de palavrões. Gonzaga, inconfidente, revoltado com a derrama em Vila Rica e em Minas, foi mais cauteloso. Ele preferiu disfarçar sua produção em cartas vindas do Chile (daí ser conhecida como Cartas Chilenas), de Doroteu a Critilo para criticar Fanfarrão Minésio, em versos decassílabos (fica aqui o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;mea culpa&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, a minha retratação, viu gente? Quem não entender eu explico depois) e brancos a corrupção do governo da época (e só do governo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso.  Boa prova a todos amanhã e perdoem o adiantado da hora. Mas o texto que eu comecei a escrever às 8 da manhã de hoje só tive condições (computador conectado à Internet) para escrever agora. Coisas da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-1870487383492611056?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/1870487383492611056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=1870487383492611056&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1870487383492611056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1870487383492611056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/04/revisando-os-gneros-literrios.html' title='Revisando os Gêneros Literários'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-7746421378337224803</id><published>2008-03-31T12:54:00.003-03:00</published><updated>2009-04-09T03:17:20.301-03:00</updated><title type='text'>Anchieta - Literatura como instrumento para a salvação</title><content type='html'>Olá, pedacinhos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos aproveitar o dia de chuva para revisar para a prova vindoura com a literatura de Anchieta? Quem sabe o debate sobre se o que Anchieta escreve é ou não é literatura não aquece um pouquinho essa segunda-feira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Padre Anchieta nasceu em Tenerife, nas Canárias, ilha no Atlântico onde predominava o idioma espanhol. Depois seguiu para Portugal, onde se formou na ordem dos jesuítas, e de lá veio para o Brasil, com a missão de converter e "civilizar" o território brasileiro, e zelar pelas almas dos católicos que para cá vinham em missão de exploração e domínio. Em sua missão auxiliou a fundação de São Paulo, estudou a língua dos índios e, principalmente, escreveu muito para moralizar o comportamento dos católicos já convertidos e, principalmente, para moralizar, segundo a ótica contra-reformista cristã, o comportamento dos índios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que, embora para isso Anchieta use os gêneros literários lírico e dramático (de textos narrativos feitos para serem representados por atores), o que Anchieta faz não é literatura proprimente dita. Sua principal intenção é agir sobre o receptor da sua obra, provocar nele um efeito de arrependimento e de mudança de conduta. Portanto, a função de seus textos é apelativa, conativa, embora a preocupação estética exista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que preocupação estética é essa? O que significa preocupação estética?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estética é a ciência (no sentido de conhecimento teórico) do belo. Preocupar-se com a estética é preocupar-se com a beleza - de um texto literário, no caso. Ao escrever a literatura de catequese, seja a obra um auto (gênero dramático) ou poemas, hinos e canções religiosas (gênero lírico), Anchienta, por exemplo, usa versos de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;metrificação medieval,&lt;/span&gt; ou seja, as redondilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu explico o que é metrificação - não precisa se assustar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Métrica é a extensão, o comprimento de um verso. Ela é medida pela quantidade de sílabas que um verso tem. Essas sílabas são contadas de uma forma especial, chamada escansão. E não, você &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não precisa saber como fazer isso na prova&lt;/span&gt;. Basta saber que ela existe e que Anchieta usa o modelo de comprimento (métrica) típico da Idade Média, que é a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;redondilha &lt;/span&gt;(versos de 5, 6 ou 7 sílabas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teatro de Anchieta é, então, feito em versos? Sim, pois era uma forma de auxiliar a memorização do texto (a maior parte das pessoas, na época, não sabia ler - os atores decoravam o texto ouvindo o autor). E a preocupação de Anchieta de tornar tudo claro e fácil para o seu público é tão grande que ele escrevia suas peças em até três línguas diferentes, as mais faladas no Brasil daquela época: espanhol, tupi e português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe, então, que os recursos de que Anchieta lança mão não apenas são recursos estéticos, mas também formas de agir sobre o seu interlocutor (o que demonstra mais uma vez a intenção persuasiva dos seus textos). A língua usada, a metrificação dos versos, as rubricas do texto, o maniqueísmo dos personagens, tudo corrobora para que os índios (público-alvo principal) se convençam de que devem abandonar seus hábitos - considerados pecaminosos - e passar a agir como os brancos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubrica? Maniqueísmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um texto dramático (feito para ser representado) se estrutura através de dois elementos: os diálogos dos personagens e as rubricas. Essas rubricas são as indicações do autor da peça a respeito de uma série de coisas que precisam ser feitas para que os diálogos pareçam ser verdadeiros: que ações devem ser feitas pelos atores, como eles devem se vestir, que emoções devem ser dadas a cada fala, que luz ou música deve ser tocada ou cantada para se conseguir emocionar a platéia... A rubrica não é dirigida apenas aos atores, mas a todos envolvidos na encenação e ela vem destaca no texto, geralmente em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;itálico &lt;/span&gt;ou em itálico e entre parênteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maniqueísmo é a polarização completa entre bem e mal. Como Anchieta escreve autos, peças de cunho medieval que tentam moralizar o comportamento dos fiéis, reproduzindo uma mentalidade medieval, contra-reformista (e não Renascentista ou Classicista, como era a arte do período), para ele o mundo é estruturado de forma bem simples: de um lado está o Bem, do outro o Mal, e eles disputam a alma humana. Do lado do Bem está Deus, os anjos, os santos católicos. Do lado do mal os demônios e todos aqueles que agirem de forma contrária à lei de Deus e aos costumes cristãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas peças de Anchieta, isso se realizava, na estória dos autos, da seguinte forma: de um lado estavam os padres católicos, anjos, santos e seres alegóricos (metáforas), como o Amor de Deus e o Temor de Deus, lutando para salvar os índios. Do outro estavam criaturas demoníacas, os pajés e os índios que cediam aos "vícios", como beber cauim, comer carne humana, ceder ao desejo sexual fora do casamento monogâmico (com uma única pessoa). Esses seres demoníacos tentam impedir que os índios sigam a lei de Deus, conduzindo-os, portanto, ao inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe que no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Auto da Festa de São Lourenço&lt;/span&gt;, no trecho lido em sala, ressalta-se muito o hábito de beber cauim como algo que dá prazer aos demônios. É uma forma de Anchieta tentar convencer os índios de que essa atitude deve ser abandonada e ilustra um conflito que na época não se restringe à literatura: o conflito entre a moral cristã portuguesa e a cultura indígena. Uma, repressora, tende a conter os prazeres mundanos em nome da salvação da alma; a outra  vivencia o prazer imediato, sem atribuir a essas atitudes uma conotação positiva ou negativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: Anchieta não escreveu apenas peças de teatro. Além dos outros gêneros explorados para fazer a literatura de catequese, ele também escreveu literatura de informação, como, por exemplo, a primeira gramática descritiva do tupi, que ensinava os europeus a língua mais falada na costa brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje é isso. Boa prova!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-7746421378337224803?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/7746421378337224803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=7746421378337224803&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/7746421378337224803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/7746421378337224803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/03/anchieta-literatura-como-instrumento.html' title='Anchieta - Literatura como instrumento para a salvação'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-4059996974642108432</id><published>2008-03-24T09:02:00.002-03:00</published><updated>2008-03-24T09:43:01.687-03:00</updated><title type='text'>A Carta de Caminha</title><content type='html'>Olá, pessoas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria MUITO ter postado isso aqui antes, mas sem internet em casa é muito complicado me dedicar aos textos de apoio daqui. Pelo menos consegui vir um pouquinho antes das provas. Um pouquinho igual a um triz para alguns de vocês. Então, por isso mesmo, chega de blablablá e vamos direto ao que interessa: a Carta de Caminha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Carta de Caminha é o documento de maior destaque da literatura de informação do nosso Quinhentismo. O fato de ser o primeiro texto acerca do Brasil, o que lança a discussão a respeito de que lugar é esse e quem são esses que o habitam é um dos motivos principais para isso. Um dos principais, mas não o único. Caminha é um escrivão dedicado e que procura se destacar em sua atividade aos olhos do rei (até mesmo para poder ousar a fazer o pedido de regresso de seu genro, José Osório ao território da Metrópole, no fim da carta) e para isso minuncia ao máximo que pode em sua descrição acerca do novo território conquistado. Com isso, o registro por ele feito do deslumbramento com a geografia brasileira e o choque cultural com os gentios é cuidadoso, preciso e, aparentemente, imparcial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparentemente porque, embora Caminha anuncie que pretende ser objetivo na Carta, a sua perspectiva pessoal a respeito do índio brasileiro e de seus costumes se faz notar. O índio é reiteradamente descrito como belo, bom, inocente, quase um bom selvagem de Rousseau 200 anos antes da teoria do filósofo francês. Nem mesmo o fato de os nossos indígenas não perceberem a figura de autoridade em Cabral, na sua postura de chefia (sentado, bem vestido e com o colar de ouro) é assinalado como falta de civilidade: o escrivão prefere ressaltar o comportamento indígena ao se deparar com o ouro do colar e a prata do castiçal e daí conjecturar a existência desses metais naquela terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o índio aparentemente está moldado para receber a religião cristã: o índio aparentemente não tem crenças (é a impressão obtida no primeiro contato) e tende a imitar os cristãos em seus ritos (como ocorre durante a missa realizada para a comemoração da Páscoa). Claro que essa imitação não se dava por uma tentativa de incorporação da religiosidade cristã, mas sim por uma tentativa de apreender a língua e os costumes da cultura portuguesa, que surpreendia os gentios tanto quanto a sua surpreendia os portugueses. Entretanto, num período de histeria religiosa, qualquer sinal positivo a respeito da receptividade ao catolicismo seria fatalmente interpretado como tendência à conversão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a nudez do índio é fruto da inocência e é motivo de admiração não apenas pelo seu elemento exótico, mas também porque os corpos dos índios são belos e, como ele sempre ressalta, as vergonhas das índias são "saradinhas", tão saradinhas que fazem vergonhas às mulheres européias "não terem as suas como as delas". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso da palavra vergonha, na Carta, por sinal, é um recurso bastante interessante. Atrevendo-se a usar um certo estilo pessoal, o cronista Caminha freqüentemente faz um jogo com os significados da palavra, que usada tanto para se referir ao pudor sexual do colonizador, cuja educação moral e religiosa encara a nudez de forma repressiva, como aos órgãos sexuais dos gentios. Vergonha e sexualidade são elementos intimamente conectados na cultura portuguesa nesse início de Idade Moderna, visto que a ligação do Estado e da cultura de Portugal à mentalidade Contra-Reformista inibe o avanço do antropocentrismo e, conseqüentemente, da valorização do homem, de seu corpo e dos prazeres que se pode desfrutar através dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale destacar também, a respeito da Carta, a postura de Caminha em não apenas demonstrar para o rei o valor dos indígenas, mas também valorizar os esforços da expedição e os benefícios que Portugal pode ter em se dedicar à colonização do local. Observe que não apenas o escrivão, no início da Carta, expõe detalhadamente os procedimentos para a aproximação da terra, mas também isenta a culpa da falta de entendimento entre nativos e colonizadores do intérprete para isso designado. Para uma expedição que contava com três intérpretes (Nicolau Coelho, Gaspar da Dutra  e um negro de nome desconhecido) , uma falha desse tipo era vergonhosa. Caminha, ciente disso, procura uma outra causa para a falta de comunicação que não o fato de a língua dos indígenas encontrados ser completamente desconhecida - e nisso culpa o barulho das ondas do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos benefícios da colonização, a postura de Caminha assinala o quanto a cultura portuguesa de sua época está atada aos ideias Contra-Reformistas que imperaram em Portugal. Visto que a ambição de conquista material aparentemente não poderia ser satisfeita na colônia naquele momento - não foi encontrado ouro, nem prata, nem ferro - é a conquista espiritual da colônia um bem precioso que merece os esforços de cruzar o Atlântico. Essas duas ambições (que geraram os dois tipos de produção escrita no Brasil no século XVI - a literatura de informação e a de catequese), a conquista material e espiritual do Novo Mundo, são igualmente expressas na Carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminarmos, por hoje, uma informação curiosa: Caminha pouco observou de nossa terra ao vivo. A maior parte do tempo, ele ficou recluso no navio, compilando as informações transmitidas pelos expedicionários que realmente desembarcaram. O único momento que se sabe que possivelmente ele vivenciou com os pés no chão brasileiro foi o da primeira missa, por ele relatada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-4059996974642108432?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/4059996974642108432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=4059996974642108432&amp;isPopup=true' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4059996974642108432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4059996974642108432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/03/carta-de-caminha.html' title='A Carta de Caminha'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-1021793928028165637</id><published>2008-02-20T19:52:00.000-03:00</published><updated>2008-02-20T19:58:58.256-03:00</updated><title type='text'>O homem e sua relação com o espaço</title><content type='html'>Olá, pessoas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não pude vir aqui antes em decorrência de uma série de compromissos e também porque estava esperando que as turmas ficassem relativamente em ordem para deixar um texto de revisão e reflexão que servisse para todos. E aqui fica ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo material que trabalhamos em sala tratava da relação do homem com o espaço. Nele vimos duas manifestações líricas em que esse eu lírico, esse personagem que registra suas emoções e pontos de vista sobre o tema, tem do espaço com que se relaciona. No caso de uma canção tínhamos o espaço da cidade e no caso da outra o do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação emocional que um ser humano tem com relação ao espaço em que ele vive tem a ver com a nossa própria identidade. Muito daquilo que somos vem de onde moramos, do que conhecemos. Caetano Veloso, em &lt;em&gt;Sampa&lt;/em&gt;, registrou isso muito bem. Ele compara a relação com o espaço a olhar-se no espelho. No caso do eu lírico desse texto (que tem muito a ver com o autor, nesse caso), não há uma identificação, em primeiro momento, com a cidade. São Paulo, naquele momento de migração, não reflete quem ele é, suas visões de mundo. Ele não vê seus paradigmas (seus valores) naquela cidade e isso provoca uma sensação de profundo &lt;strong&gt;estranhamento&lt;/strong&gt;. A palavra pode parecer meio esquisita, mas é um termo muito usado em literatura e em psicologia também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa relação de estranhamento com o novo (“à mente apavora o que ainda não é mesmo velho”, lembram) é típica do ser humano e muito comum no processo de migração. Ela pode resultar em duas atitudes posteriores: a &lt;strong&gt;adaptação&lt;/strong&gt; ou o &lt;strong&gt;isolamento&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro caso, o estrangeiro, aquele que migra para um outro lugar, revê suas referências e procura absorver as novas, fazendo aquilo que chamamos de &lt;strong&gt;sincretismo&lt;/strong&gt;. O sincretismo nada mais é do que misturar as diferentes referências culturais, as da origem e as novas, e fazê-las coexistir. Um exemplo de sincretismo é o que acontece na Bahia, nas manifestações e festas religiosas. Lá a cultura africana e a européia são misturadas em referências e uma mesma pessoa pode, num mesmo dia, freqüentar a missa para Santa Bárbara e a festa à Iansã. A santa católica e a orixá do candomblé são representadas pela mesma imagem e festejadas na mesma data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo caso é muito comum que haja a formação de &lt;strong&gt;guetos&lt;/strong&gt;. Os guetos são grupos sociais que se formam em uma cidade cujas raízes são as mesmas. Nos Estados Unidos, por exemplo, as grandes cidades são formadas por bairros que se caracterizam pela raiz de seus moradores. Existem os bairros latinos, os bairros negros e assim por diante. Dependendo da abertura que os grupos que lá moram têm para se relacionar com a cultura do restante da sociedade, eles podem ou não constituir guetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa formação de guetos é bastante comum quando há correntes migratórias constantes. Indo para um novo país, como o Japão, por exemplo, os brasileiros tendem a permanecer juntos para se darem suporte. Afinal, eles compartilham da mesma língua e da mesma cultura (de uma maneira geral, pelo menos). Se eles passam a se relacionar apenas entre si, conversando apenas com brasileiros, mantendo hábitos e comportamentos brasileiros em casa, podemos ter a formação de um gueto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da canção de Caetano Veloso, vemos que existe um processo de adaptação à cidade de São Paulo. Afinal, há alguma coisa que acontece no coração dele e que só São Paulo consegue provocar. Aquela cidade, mesmo com as dificuldades do início, da chegada, mesmo com os defeitos que ela tem (o povo oprimido, a fumaça, a perda de coisas belas por causa dos investimentos financeiros), desperta no eu lírico admiração e ternura. Por isso, podemos afirmar que nesse elogio que Caetano tece em &lt;em&gt;Sampa&lt;/em&gt; existe um ponto de vista positivo (mas não ufanista, como já estudamos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em &lt;em&gt;Aluga-se&lt;/em&gt; temos um eu lírico que não se relaciona com o país com esse processo de incorporação de uma identidade nacional (como aconteceu em &lt;em&gt;Sampa&lt;/em&gt;), mas sim temos um eu lírico cuja identidade é solidamente formada. Isso porque ao invés de um estrangeiro, como havia em Sampa, temos um nativo falando a respeito do próprio lugar. Um nativo que demonstra a sua indignação por esse lugar ser desvalorizado e por se permitir que ele seja explorado de acordo com os interesses estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa crítica não ocorre, como comentamos em sala, de uma forma óbvia. Se formos ler o texto sem maior atenção, mais parece é que o eu lírico deseja que o Brasil seja alugado. Mas basta um pouquinho mais de reflexão para se perceber que a letra da canção é recheada de &lt;strong&gt;ironia&lt;/strong&gt;, aquela figura de linguagem que vocês estudaram na 8ª série, lembram? A letra, aliás, é tão irônica que chega a ser &lt;strong&gt;sarcástica&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas duas relações com o espaço manifestadas nas canções sintetizam o que mais de comum se apresentou nessa temática na história da Literatura. A partir de agora vamos mergulhar em outro contexto histórico, o do século XVI, para observar como elas foram registradas, quais são as características dos textos que compartilham desse momento histórico e se houve a predominância de alguma delas durante esse período. E, se houve, mais importante ainda: por quê? Que ideologia, que interesses políticos e econômicos podem ter contribuído para que houvesse essa predominância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje é isso. Abaixo ficam as resoluções das questões sobre as duas canções para quem perdeu alguma correção. Os desafios da ficha 2 ficam para um próximo texto, já sobre a literatura do século XVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquem com Deus e sejam FELIZES!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resolução do “Interpretando o texto”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1. O tema de &lt;em&gt;Sampa&lt;/em&gt; é a relação do eu lírico com a cidade de São Paulo. A respeito da cidade primeiro o eu lírico sente estranhamento, espanto, surpresa, mas depois passa a sentir admiração, carinho, amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. O tema de &lt;em&gt;Aluga-se&lt;/em&gt; é a relação do eu lírico com o Brasil, mais especificamente com a exploração do Brasil por estrangeiros. Em todo o texto ele manifesta indignação, revolta, raiva a respeito desse assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 . Narra a sua chegada à cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 . Ele afirma que “Nós não vamos pagar nada”, “É tudo free!”, “Os estrangeiros (...) vão gostar” e que “O dólar deles paga o nosso mingau”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;OBS.: Quando o eu lírico diz que “Tem o Atlântico, tem vista pro mar / A Amazônia é o jardim do quintal” ele usa argumentos para comprovar um argumento anterior (“Os estrangeiros (...) vão gostar”) e não para defender a “sua” opinião (“A solução é alugar o Brasil”). Esses argumentos, na verdade, são formas irônicas de criticar essa atitude permissiva diante dos interesses estrangeiros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;a) O eu lírico não consegue ver beleza na cidade porque ela é muito diferente daquilo que ele conhecia como cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;OBS.: Narciso é um personagem da mitologia grega. Conta a lenda que quando ele nasceu era a criança mais bela que o mundo já viu. Orgulhosos, seus pais o levam a um oráculo, para saber o futuro do menino. O oráculo diz então que ele jamais deve ver o próprio rosto, senão um monstro terrível o consumiria. Os pais criam, então, Narciso sem que ele jamais veja o próprio reflexo. Porém, um dia, numa caçada, Narciso se afasta de seus amigos e, com sede, vai até um lago. Ao se inclinar ele se vê refletido na água e se apaixona perdidamente por si mesmo. Algumas versões do mito dizem que ele morre afogado tentando desesperadamente agarrar a si mesmo; outras dizem que ele fica ali, se olhando, quase hipnotizado, e vai definhando, porque não abandona a imagem nem para comer nem para beber. Vendo isto, Zeus, rei dos deuses, com pena, fulmina Narciso com um raio. Em todas as versões, na beira do lago onde Narciso morre, nasce uma flor que pende para a água, como se olhasse para si mesma. Essa flor tem o nome do personagem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;b) O que é novo assusta as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;OBS.: Aqui Caetano lançou mão de uma figura de linguagem muito usada na literatura da Era Clássica, como é chamada a literatura dos séculos XVI, XVII e XVIII: o hipérbato, também conhecido como inversão. Essa figura de linguagem altera a ordem natural dos elementos da frase (Sujeito + Verbo + Predicado). O natural seria: “o que não é mesmo velho apavora à mente”. Ao usar primeiro o objeto, depois o verbo e só então o sujeito, o autor faz uso do hipérbato.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;6. “Os novos baianos” é a denominação de um grupo de músicos que assim como Caetano, migra para São Paulo nos anos 60. Esse grupo centralmente foi formado por Baby do Brasil (na época Baby Consuelo), Moraes Moreira, Pepeu Gomes, entre outros artistas. Eles acompanharam as idéias e o trabalho de outros músicos, como o próprio Caetano e Gilberto Gil.&lt;br /&gt;Já a expressão “novos baianos”, sem o artigo não faz referência a nenhum grupo específico de baianos. São simplesmente pessoas que também pertencem ao estado e que se mudam para São Paulo para procurar novas oportunidades de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. São visões contrárias, visto que, apesar dos defeitos que a cidade tem, o eu lírico de Sampa manifesta uma visão positiva sobre o espaço, enquanto em Aluga-se predomina uma visão negativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-1021793928028165637?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/1021793928028165637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=1021793928028165637&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1021793928028165637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1021793928028165637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2008/02/o-homem-e-sua-relao-com-o-espao.html' title='O homem e sua relação com o espaço'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-2661109843888093983</id><published>2007-12-26T00:25:00.000-03:00</published><updated>2008-02-10T13:09:39.359-03:00</updated><title type='text'>“A (IN)UTILIDADE DA ARTE”</title><content type='html'>Oi, pedaços de carvão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejam bem vindos(as)! Espero que esse espaço continue a servir de ponte entre nós, como, há alguns anos, ele já tem feito. Que essa ponte não seja apenas para transpor dificuldades, sanar dúvidas, mas também para nos aproximar também. Venho aqui não só como professora, mas como amiga também, disposta a ajudar vocês no que precisarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar bem do comecinho, vou deixar um texto para ajudar na reflexão sobre "o que é e para quê estudar literatura?". É de Maria José Justino e foi publicado no livro Para Filosofar (da Editora Scipione, 3ª ed.). O texto todo se chama &lt;em&gt;A admirável complexidade da arte&lt;/em&gt;, mas ele não está reproduzido integralmente aqui. O que você vai encontrar abaixo é uma parte desse texto, que tem um subtítulo: "A (in)utilidade da arte". Bom proveito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Embora haja aceitação de que todos possam entender arte, outras perguntas permanecem: Para que serve a arte? O homem pode dispensá-la? A arte pode mudar o nosso comportamento?&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;O que significa este quadro?; O que este poema quer dizer. Estas interrogações são comuns diante de certas obras de arte.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Duas são as razões que impedem ou dificultam a comunicação entre o artista e o público. Uma se dá pelo fato de a obra apresentar o novo, o inusitado, que nem sempre é percebido de imediato. Outra, pelo fato de a arte se expressar numa linguagem especial: a dos sons, a das cores, a da poesia, ou seja, numa linguagem que escapa à camisa de força do racional. (…).&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Muitos já endossaram esta idéia: “a arte começa onde a função termina”. De fato, ninguém tem necessidade de que uma poltrona seja artística ou bela para que possa nela se acomodar. (…)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;A presença da arte parece indicar a insistência do homem em não abrir mão da inutilidade, o princípio do prazer superando o princípio utilitarista. É uma forma de afirmar a capacidade do devaneio e da imaginação. (…) De fato, se o homem fosse reduzido às suas necessidades primárias ou à dimensão utilitária, ele seria apenas um animal ou um monstro. Para responder sobre a eficácia da pintura de Tarsila do Amaral ou da música de Villa-Lobos, teríamos de admitir que, do ponto de vista prático, não servem para nada, são objetos inúteis (…); de outro ponto, situado acima dessa praticidade imediatista, a arte é a própria humanização e a nossa sensibilidade. Solicitamos da arte algo além do princípio prático, mas não apenas a beleza: queremos dela algo mais vital, mais próximo à emoção e ao prazer.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;E para pensar mais um pouco:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo.”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Caio Fernando Abreu&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-2661109843888093983?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/2661109843888093983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=2661109843888093983&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/2661109843888093983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/2661109843888093983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/12/inutilidade-da-arte.html' title='“A (IN)UTILIDADE DA ARTE”'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-3716709079195876395</id><published>2007-11-21T19:48:00.000-03:00</published><updated>2007-11-21T20:06:02.037-03:00</updated><title type='text'>Castro Alves e revisão</title><content type='html'>Olá pessoinhas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Último post do ano. Não vou ter como deixar mais nada para vocês, então, quem for fazer final e recuperação, busque outras fontes, porque não vai dar MESMO, infelizmente. Mas bora lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castro Alves é o principal autor da terceira geração do Romantismo, a qual demonstra um movimento para a superação do individualismo sentimental dessa escola literária. Os românticos da geração condoreira deixam para trás o excesso de egocentrismo e descobrem o mundo além do próprio umbigo. Isso se manifestou, na poética castroalvina, principalmente através de dois elementos temáticos: a escravidão e o amor sensual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser escritor romântico no fim do século XIX significava querer uma revolução social, o bem estar dos pobres e oprimidos e no Brasil isso significava ser abolicionista e republicano. Castro Alves abordou essa temática de duas formas: através da poesia épica, a qual estudamos no primeiro semestre, e através da poesia lírica. Neste último caso, existe um eu lírico que observa os sofrimentos de um escravo e que insere o leitor como um visualizador da cena. Às vezes, nessa observação, o eu lírico relata o que o escravo pensa, diz ou lamenta, o que acaba dando uma voz lírica no poema ao próprio personagem escravo. Esse expediente vocês podem encontrar no poema &lt;strong&gt;Tirana da escrava&lt;/strong&gt;, disponível aqui mesmo na rede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no caso da poesia amorosa essa superação do egocentrismo se dá, principalmente, por uma visão menos idealizada da mulher. Menos, eu disse, o que não quer dizer que não há idealização da figura feminina. O fato é que, embora em alguns poemas ainda frágil e pura, destaca-se em Castro Alves uma mulher objetiva, concreta, que corresponde ao desejo do amado, que tem, ela mesma, esse desejo, e que luta pela própria felicidade. Se em alguns textos ainda existe um voyerismo (como em &lt;strong&gt;Adormecida&lt;/strong&gt;), em muitos outros há a realização daquilo que, para os ultra-românticos ficou só na imaginação e para os indianistas não acontecia porque não havia correspondência amorosa. Basta relermos &lt;strong&gt;Beijo eterno&lt;/strong&gt; para isso ficar bem claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Castro Alves é isso. Ficam aqui os comentários da ficha 11, especialmente para o 1º D,  que não teve estas questões resolvidas em sala, o meu beijo e o desejo de boa prova. Não esperem a moleza do Conic não viu? :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem eu não encontrar, Feliz Natal, Feliz Ano Novo, Boas Férias, Bom Carnaval, Feliz Páscoa... Sejam felizes! E deixa eu ir que eu tenho uns trabalhos de literatura para corrigir aqui, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolução das questões da ficha 11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Questão 1&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu não lembro se frisei isso na turma D, a última ver este material comigo, mas creio que sim, pois o fiz em todas as turmas. Houve uma falha na estrofação do poema. Todos os versos que reproduzem a fala de Teresa ("E ela, corando, murmurou-me 'adeus', "E ela entre beijos, murmurou-me 'adeus' ") pertencem à estrofe anterior. Assim, a terceira estrofe começa em "Passaram tempos..." e vai até "Ela em soluços murmurou-me..." e a quarta estrofe é composta por todos os versos restantes no poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando isto bem claro, vamos à análise da terceira e da quarta estrofes. Na terceira, o eu lírico narra que seu relacionamento com Teresa era prazeroso e sensual, e que dura certo tempo, até o momento em que ele tem que viajar, voltar para casa, e eles se separam. Na estrofe seguinte ele relata o que ocorreu quando voltou de viagem: ele flagra Teresa, que se despedira dele "chorando mais que uma criança", com outro homem. Sutilmente o poeta expressa, por sinal, que o flagra foi de um momento de intimidade, já que as vozes deles "preenchiam de amor o azul dos céus". Nesta estrofe, Teresa repete a fala que lhe coube em todo poema, adeus. Mas este adeus é completamente diferente dos anteriores. Não se trata, aí de uma despedida temporária, mas de um adeus definitivo. Rompeu-se, portanto, o relacionamento amoroso dos dois amantes, com um adeus definitivo, já que Teresa substituiu o eu lírico por outro homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ato de Teresa, por sinal, é a principal diferença que se estabelece entre ela e as outras mulheres que vimos nos textos românticos até então. Teresa não fica eternamente à espera de seu único, grandioso e eterno amor. Ela é uma mulher prática, que encara toma as rédeas da própria vida e busca a própria felicidade. Foi-se um, veio o outro. Além disso, outros elementos que são típicos da mulher castroalvina e que a distinguem da mulher romântica tradicional é o fato de ela ser acessível, corresponder ao amor do eu lírico e de ter identidade concreta e ter voz no texto (semelhante à medida velha camoniana, não?). Estas considerações respondem à nossa &lt;strong&gt;&lt;em&gt;questão 2&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Questão 3&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Esta observa o uso das aspas no título do texto. Se observarmos o poema, o adeus final, aquele que encerra o relacionamento, é emitido por Teresa. As aspas têm, entre outras, a função de assinalar o discurso direto de um personagem num texto. Se retirarmos as aspas do título, parece que o texto é sobre um adeus dado a uma mulher chamada Teresa, e não feito por ela. Portanto, as aspas assinalam que o papel fundamental nesse texto é o de Teresa, pois o tema é justamente o adeus definitivo que ela dá ao eu lírico. Daí que se poderia dar como título também "O dia em que Teresa me deu um toco".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Questão 4 &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O gabarito é a letra D, todas as afirmações são verdadeiras. O item que pode levar ao erro, nessa questão, é o último, que é bastante capcioso, por sinal. Lembrem-se que Castro Alves é abolicionista e que deseja, através da sua poesia, levar as pessoas a aderirem à causa da abolição. Portanto, não podemos considerar que há desprezo, por parte dele, pela comoção do homem branco quanto à morte do escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Questão 5&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Essa daqui diz respeito ao culto à natureza, característica presente nas três gerações românticas, no texto em questão. Observe que os elementos da natureza estão em harmonia com o ecravo morto, acolhendo-o e lamentando-o. Portanto, a natureza age como berço de acolhimento e paz, que só a morte pôde trazer ao escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Questão 6 &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Castro Alves só podemos relacionar os itens 2 e 5. O primeiro diz respeito a Fagundes Varela. As obras principais de Castro Alves são Espumas Flutuantes (lírica), Os escravos (épica) e Gonzaga e a Revolução de Minas (teatro). O terceiro diz respeito a Gonçalves Dias e o quarto a Álvares de Azevedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Questão 7 &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A última questão, bastante capciosa, requer atenção. A resposta está no item D. Castro Alves nunca apresentou a mulher de forma vulgar. Se algum romântico se aproxima disso é Álvares de Azevedo, com as prositutas da face Caliban de sua produção. Mas nem mesmo elas são vulgares, mas sim personagens idealizadas em sua condição marginal. Mais importante, porém, do que entender que o item D é falso é saber porque os outros são verdadeiros. Então acompanhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) A mulher é idealizada no poema em questão. Observe que ela é para ele uma camélia (flor) pálida (frágil) e formosa (bela). Há aquele ideal feminio de fragilidade, de evanescência.&lt;br /&gt;b) O eu lírico está refletindo sobre o valor da vida e da morte. Portanto, há uma reflexão introspectiva, embora o trecho, isoladamente, não dê uma idéia tão clara de dúvida existencial. A UFV, nessa questão, falhou em limitar tanto o excerto, pois ele não expressa com clareza toda idéia que contém.&lt;br /&gt;c) Esse item não gera dúvidas, pois menciona uma característica geral da obra de Castro Alves e também uma facilmente percebida no poema, afinal ele quer boiar no lago virgem que é o seio da mulher amada, ou seja, deseja tocá-lo, deitar-se sobre ele.&lt;br /&gt;e) Também não é um item que gere dúvidas. Ao contrário da segunda geração, nesse poema o autor escolhe exaltar a vida e não a morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-3716709079195876395?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/3716709079195876395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=3716709079195876395&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/3716709079195876395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/3716709079195876395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/11/castro-alves-e-reviso.html' title='Castro Alves e revisão'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-287905036065342825</id><published>2007-11-05T19:02:00.000-03:00</published><updated>2007-11-05T19:45:21.864-03:00</updated><title type='text'>Romantismo - 1ª e 2ª geração</title><content type='html'>Pessoas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 165 provas para entregar em 24h &lt;strong&gt;obrigatoriamente&lt;/strong&gt;, senão minha cabeça será extirpada de meus ombros, paro aqui só para cumprir minha promessa e acalmar as senhoritas Beatriz e Ana Beatriz. Postagem sobre Romantismo bem aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos por partes e começando do começo: o contexto histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Romantismo surge na Europa, como estudamos no primeiro semestre, no fim do século XVIII, com a publicação de &lt;em&gt;Os sofrimentos do jovem Werther&lt;/em&gt;, do alemão Goethe. É um movimento contemporâneo à independência dos EUA e à revolução francesa, movimentos que contestam a ordem pré-estabelecida de organização social, levam a burguesia ao poder político e iniciam o século XIX com uma grande fé no futuro da humanidade. Afinal, o que se desejava, depois de um século de Iluminismo, era liberdade, igualdade e fraternidade para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, porém, contudo, entretanto, todavia, não obstante... Rei morto é rei posto e o homem é o lobo do próprio homem, dizem o ditado. E a burguesia no poder não vai durar tanto tempo assim pregando a igualdade. Se todos forem iguais não existe mais poder, não é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que isso tem a ver com o que estudamos no Brasil? TUDO. Porque depois de lutar pela liberdade dos franceses e gostar muito de fazer isso o que é que os franceses, ou melhor, o francês da mão dentro do colete vai fazer? Napoleão vai levar a liberdade, a igualdade e a fraternidade à toda Europa, claro! Lutar contra os tiranos que oprimem o povo através da guerra e do sofrimento desse mesmo povo lembra um outro tiranozinho que conhecemos bem, não é mesmo? Ou seja: rei e presidente é tudo igual, só muda o nome e o endereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas dois reis europeus se mantiveram a salvo de Napoleão: o rei da Inglaterra, protegido pela condição insular de suas terras e D. João VI, que fugiu com toda a corte para cá. No fim das contas, temos que dar graças a Napoleão, porque sem ele não teríamos no século XIX as condições propícias  para os avanços sociais que a vinda da família real no proporcionaram, muito menos para os avanços culturais e para o próprio Romantismo brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que condições são essas? Hora, a urbanização do Rio de Janeiro, o investimento na estrutura da do administrativa do Estado, a criação de uma imprensa regular, a possibilidade de se imprimir livros diretamente no Brasil, a criação de cursos superiores de Direito, Belas Artes, Medicina... Vocês não assistem o quadro de Eduardo Bueno no Fantástico não é? :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que isso são as condições para o Romantismo nascer. Mas o bichinho teve uma incubação meio lenta. A família real chega aqui em 1808. Em 1822 nos tornamos independentes (pelo menos politicamente). Mas Romantismo, Romantismo mesmo, só em 1836, com a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães (aquele que NÃO cai na prova!!!). Isto significa que o Romantismo é contemporâneo, na verdade, do II Reinado, do governo do Imperador D. Pedro II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Atenção: tudo o que faz parte da vinda da família real portuguesa para o Brasil e do I Reinados, embora historicamente sejam anteriores ao Romantismo são considerados fatos integrantes de seu contexto, pois são elementos primordiais para sua ocorrência aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visto esses elementos de contexto histórico, vamos para as duas gerações que interessam. E primeiro pela primeira, para sermos bem óbvios aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira geração, também chamada de nacionalista ou indianista (isso quando não é chamada de nacionalista-indianista), tem como elemento de destaque ser nacionalista e indianista! Surpreendente isso, não é? Mas o fato é que o grande diferencial dela são esses temas mesmo. Isso porque no ponto de vista da lírica, da lírica amorosa pura, aquela que não está combinada com nenhum desses dois temas, o que sobra são as características gerais do Romantismo: o culto à natureza, o sentimento de solidão, o amor não revelado pela mulher amada, a idealização dessa mulher... A diferença mais palpável, além da combinação  da temática indianista (como em Leito de Folhas Verdes - o poema da ficha, Beatriz e Ana Beatriz, que eu não vou colocar aqui para não tornar este post mais gigantesco do que vai ficar, mas que vocês acham pelo Google, o oráculo moderno) com a amorosa é o fato de que, ao contrário da segunda geração, existe serenidade na melancolia e na tristeza vividas nos textos da primeira geração. Gonçalves Dias até tem um poema em que ele afirma que se morre de amor (literalmente o título é &lt;em&gt;Se se morre de amor&lt;/em&gt;), mas em nenhum momento existe o desejo da &lt;em&gt;&lt;strong&gt;evasão pela morte&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.  Morbidez é uma coisa exclusiva da segunda geração, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Dias, duas coisas importantes a serem ressaltadas: é o único autor que estudamos que explora a temática amorosa do ponto de vista feminino (além de ser o único que faz isso do ponto de vista indígena, claro) e é aquele que se preocupa com a musicalidade e o ritmo dos poemas. Para atingir essa sonoridade textual, ele costuma usar a redondilha, a repetição de versos e de palavras e também a de sons de letras. E antes que alguém entre em desespero, NÃO vou cobrar de vocês métrica não. RELAXEM!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a segunda geração, acho que nem preciso me estender muito. Quem leu &lt;em&gt;Lira dos Vinte Anos&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Noite na Taverna&lt;/em&gt; já conheceu muito, na prática, do ultra-romantismo, ou mal do século, ou byronianismo, ou spleen. A segunda geração, ao contrário da primeira, ufanista, que acha que o Brasil é um país lindo, literalmente uma agradável terra de palmeiras onde canta o sabiá, não acredita muito nem no presente, quanto mais no futuro. O fato é que a segunda geração tem consicência que há uma discrepância muito grande entre o mundo como ele é e o mundo como os românticos desejam que ele seja: o mundo da igualdade, liberdade e fraternidade para todos. E essa consciência de que a vida não é exatamente tão maravilhosa assim faz com que esse pessoal procure, de todo jeito, fugir da realidade, ensimesmar-se. Já que o mundo não é como eles querem que seja, que se exploda o mundo: os ultra-românticos só querem saber de si, de seus sofrimentos, de suas angústias. E a única coisa que poderia dar alegria a essas criaturas é a realização através do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contraditoriamente, então, os artistas desse período vão manifestar um grande medo de amar. O amor é lindo no plano das idéias e é melhor que ele fique lá: essa é a atitude dominante desses escritores. Afinal, se ele sair do plano das idéias, que será daquele que só tem essa ilusão para se agarrar, se as coisas não derem certo? Sobra o vício, a bebida, a desilusão completa ou ainda a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa incoerência romântica é a criadora das duas mais exploradas faces de Álvares de Azevedo, a face Ariel, a inocente, e a face Caliban, a amoral. As duas são tentativas de abordar a realidade do amor e do sofrimento sob os pontos de vista distintos que os níveis de desespero humano podem atingir. Sobra, ainda, a tal terceira, face, também chamada de irônica ou anti-romântica. Álvares, como todo artista romântico, era exagerado, e como todo ser humano inteligente, conseguia perceber o seu exagero, e como poucos seres humanos inteligentes, era capaz de fazer graça sobre si mesmo. Esse é o grande objetivo de sua face irônica: rir de si mesmo, deixar de lado aquilo que o Romantismo leva a sério demais, ridicularizar o exagero, o sentimentaloidismo, a idealização excessiva. No meio de muitos poetas excelentes, como o meu muito querido Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo se destaca não só pela sua pluralidade, mas também por conseguir ter uma consciência sobre o próprio movimento a que pertencia que nenhum outro manifestou: uma consciência racional e crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, amiguinhos (e hoje, especialmente, amiguinhas). Espero que tenha dado pro gasto. E dêem licença, agora, porque eu tenho que terminar de enlouquecer ali, tá bom? O que sobrar de mim encontra com vocês na quarta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bejinhos e boa prova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS1. Bia, os livros indicados pela escola são muito bons. Não despere que você vai se dar bem.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS2. Yuri, não pense que eu esqueci de você enquanto escrevi esse post não, tá? Só que as meninas precisavam de atenção especial hoje. Na próxima eu volto a citar você diretamente, com todo carinho que a sua saudação matinal de segundas e sábados, declarando o quanto você ama a minha aula, merece! :]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-287905036065342825?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/287905036065342825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=287905036065342825&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/287905036065342825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/287905036065342825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/11/romantismo-1-e-2-gerao.html' title='Romantismo - 1ª e 2ª geração'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-1588994384713501142</id><published>2007-10-18T08:03:00.000-03:00</published><updated>2007-10-18T09:03:59.214-03:00</updated><title type='text'>Análise de poemas</title><content type='html'>Fofinhos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu prometi, vou deixar, além da análise do poema de Gonçalves Dias &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leito de folhas verdes&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, que foi na ficha 9, vou deixar um exemplo de análise de poema para vocês aqui. Espero que aproveitem não só a ajuda para terminarem o trabalho mas também curtam o texto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Teresa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Manuel Bandeira&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A primeira vez que vi Teresa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Achei que ela tinha pernas estúpidas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Achei também que a cara parecia uma perna&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Quando vi Teresa de novo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.............................................................................................&lt;/span&gt;[nascesse)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Da terceira vez não vi mais nada&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os céus se misturaram com a terra&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema &lt;em&gt;Teresa&lt;/em&gt;, de Manuel Bandeira, faz parte do livro &lt;em&gt;Libertinagem&lt;/em&gt;, o primeiro livro modernista do autor. Trata-se de um texto lírico-amoroso em que é narrada a descoberta amorosa da personagem do título pelo eu lírico. Esta descoberta acontece de forma banal, sem os arroubos de paixão romântica, o que quebra a expectativa do leitor de encontrar um grande história de paixão à primeira vista ou de encontrar uma grande musa por quem, mais à frente, o eu lírico irá se apaixonar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teresa, para o eu lírico, à primeira vista, parece burra. Burra, pois &lt;strong&gt;&lt;em&gt;a cara parecia uma perna&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, compara o autor, um perna &lt;strong&gt;estúpida&lt;/strong&gt;, ou seja, grosseira, inexpressiva. Depois, no entanto, o olhar sobre Teresa se aprofunda: é um olhar que investiga o olhar. O eu lírico olha no fundo dos olhos de Teresa, e enxega Teresa além da perna. Teresa tem &lt;strong&gt;&lt;em&gt;olhos velhos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, e enxergar a alma velha dentro dos olhos não só denota um interesse como perceber olhos velhos indica uma relação já mais terna. Teresa tem um corpo jovem, mas seu olhar demonstra sofrimento e/ou sabedoria. A casca estúpida de Teresa é deixada de lado, a partir da segunda estrofe, pois o que se assinala então é o paradoxo da identidade da personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, na terceira estrofe, o eu lírico capitula diante de Teresa. O terceiro encontro é recheado por magia (os céus se misturam com a terra) e milagre (Deus caminha sobre a água), por uma descoberta de sensações profundas, misteriosas e grandiosas. É o momento em que o eu lírico não enxerga mais nada, o que denota uma impotência diante da visão de Teresa, sua perda de poder de reação. Neste verso, por sinal, Bandeira parafraseia, implicitamente, o dito popular "&lt;em&gt;O amor é cego&lt;/em&gt;". Impossibilitado de ver, cego àquilo que enxergava até então (os defeitos de Teresa), o eu lírico está realmente apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma sintética de expressão do poema, estruturado em tercetos, é característica do movimento ao qual Bandeira se junta a partir do livro Libertinagem. O Modernismo se demarca pelo abandono das convenções literárias, pela busca da linguagem coloquial, livre, apoética até. No plano da expressão do poema &lt;em&gt;Teresa&lt;/em&gt;, isso ocorre na estruturação livre (e excessivamente longa até, no caso do último verso da segunda estrofe, o qual, precisa ser alinhado abaixo do verso, com o sinal &lt;em&gt;&lt;strong&gt;[&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; indicando que pertence ainda ao verso anterior) de todos os seus versos, do uso de versos brancos em todo o poema e da quase total ausência de figuras de linguagem na construção textual. O poema de Bandeira se manifesta poeticamente muito mais pela associação de elementos inesperados ("a cara parecia uma perna") do que pela percepção de uma beleza divinizada na mulher amada ou na existência. Esta percepção de poesia naquilo que menos se espera, nas fontes mais incomuns do prosaismo, do cotidiano, também é uma forma de manifestação do Modernismo no poema, visto que uma característica desta escola é justamente desmistificar a poesia e conectá-la à vida cotidiana e prosaica do ser humano comum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-1588994384713501142?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/1588994384713501142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=1588994384713501142&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1588994384713501142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1588994384713501142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/10/anlise-de-poemas.html' title='Análise de poemas'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-1072188138369531829</id><published>2007-09-20T17:27:00.000-03:00</published><updated>2007-09-20T18:21:12.533-03:00</updated><title type='text'>Arcadismo</title><content type='html'>Para terminar a revisão, vou deixar a postagem sobre Arcadismo, este movimento do século XVIII também chamado de Neoclassicismo ou Setecentismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Arcadismo é um movimento que ilustra uma importante transição na história ocidental: a da sociedade aristocrática para a sociedade democrática. Sua história acompanha a formulação dos pensamentos iluministas e democráticos de filósofos como Jean-Jacques Rousseau, Voltaire e Diderot, que resultam nas insurreições políticas da burguesia, a qual se declara independente do jugo europeu (com a declaração da independência em todas as nações americanas - começando-se pelos Estados Unidos) e independente do jugo da aristocracia (o que ocorre na Revolução Francesa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ideal de renovação e inovação na ordem social do mundo, na arte, vai se concretizar com a rejeição à estética elitista, confusa e prolixa do Barroco. Como referência, os autores árcades vão ter a sobriedade e o equilíbrio dos autores do Classicismo. E como avanço vão buscar uma linguagem mais simples e direta (&lt;em&gt;inutilia truncat&lt;/em&gt;), a vida humilde - típica do povo, do bom selvagem de Rousseau, da grande massa que deve ter o poder - (&lt;em&gt;aurea mediocritas&lt;/em&gt;) e o ambiente campestre (&lt;em&gt;fugere urbem&lt;/em&gt;), onde esta vida humilde vai poder se manifestar plenamente, visto que longe do materialismo e superficialidade da corte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estes motivos, e para buscar uma convenção, uma imagem única que traduza os ideais de simplicidade e humildade campestre, é que os autores do Neoclassicismo vão se inspirar no ambiente da Arcádia grega. Trata-se de uma aplicação da teoria de Rousseau: que tipo humano pode ser considerado puro de alma, pois está longe da civilização? Na Europa, a resposta encontrada é o pastor grego, que vive não apenas num ambiente propício à manutenção de sua nobreza de alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, reproduzindo este convencionalismo da arte européia, nossos árcades também vão explorar a figura do pastor na poesia lírica. Já nos textos épicos dão o primeiro passo de brasilidade, de consciência sobre a identidade nacional, transformando este pastor no índio (que também vive, longe da civilização e dos apelos materiais, uma vida simples e humilde, em contato com a natureza).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta consciência de brasilidade, bem clara na poesia épica e satírica do Arcadismo, na lírica não se faz tão perceptível. Nossos autores, dos quais se destacam Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, reproduzem as mesmas convenções dos poemas árcades europeus, em que o pastor, eu lírico do poema, convida a pastora amada, em tom sóbrio (com contenção emocional), para desfrutarem do momento (&lt;em&gt;carpe diem&lt;/em&gt;), já que, depois do Barroco, não se poderá esquecer mais que a vida é breve e que a juventude e os momentos felizes fatalmente acabarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que diferencia, então, a poética árcade da barroca, se esse elemento do &lt;em&gt;carpe diem&lt;/em&gt; é comum a ambas? Observe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Barroco -&gt; é uma escola literária que se fundamenta na visão de mundo da Contra-Reforma. Daí que se expressa de forma exagerada, devido à grande tensão diante do principal dilema humano: aproveitar a vida terrena e seus prazeres ou se preparar, através da abstenção destes prazeres, para uma vida espiritual no paraíso?&lt;br /&gt;Além disso seu público leitor é a elite aristocrática, o que torna sua expressão estética exagerada (usando muitas figuras de linguagem), rebuscada, elitista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Arcadismo -&gt; é uma escola literária que se fundamenta na visão de mundo do Iluminismo, o qual, por sua vez, reproduz os ideais greco-romanos de equilíbrio, contenção dos exageros e de racionalismo. Não há dilemas na vida humana, porque através da razão e do equilíbrio o homem consegue ordenar e dosar todos os opostos, podendo, portanto, conciliar tanto a vida terrena e os desejos a ela relacionados, como a vida espiritual.&lt;br /&gt;Visto que o público leitor deste movimento é a burguesia, sua expressão é simples, objetiva e direta, opondo-se, portanto, ao estilo Barroco, especialmente o cultista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além desses elementos, é importante lembrar também que os dois principais autores árcades brasileiros, Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, ilustram também os pontos de partida e o destino para o qual, futuramente, rumará a literatura brasileira, prestes a entrar na Era Nacional (quando o Arcadismo der lugar ao Romantismo). Cláudio Manoel da Costa, cujo estilo individual tem ecos do Seiscentismo, é o autor que melhor ilusta a cópia do convencionalismo europeu. Sua inspiração por uma mulher de perfil abstrato, a quem ele chama de Lise ou de Nise, é uma reprodução típica da literatura feita em Portugal e no restante da Europa, lembrando, inclusive, o estilo camoniano. Tomás Antônio Gonzaga, por sua vez, ilustra o que está por vir nos anos seguintes. A liberdade formal de algumas de suas liras (poemas líricos) em &lt;em&gt;Marília de Dirceu&lt;/em&gt; será aprofundada pelos autores românticos, bem como a incorporação dos elementos de vivência pessoal (a prisão do poeta) à expressão artística (a segunda parte de Marília de Dirceu). Daí que muitos afirmam que Gonzaga é, também, um autor de influências pré-românticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, gente. Ainda bem que pude deixar tudo aqui hoje. Espero que vocês possam aproveitar como apoio para o estudo. E estudem! ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo, abaixo, o comentário das duas questões da &lt;strong&gt;ficha 7&lt;/strong&gt;. Fiquem com Deus e façam uma boa prova sábado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficha 7&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 1&lt;/em&gt; - A questão pede que se apontem as afirmativas corretas. Analisemos cada uma então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A primeira estrofe do poema contrasta a agitação do ambiente urbano com a agitação do ambiente rural." -&gt; Perfeita a análise. Nos dois primeiros versos, o eu lírico caracteriza um ambiente cansativo e barulhento, afirmando, nos versos seguintes, que prefere ir tentar a sorte no campo, para conseguir melhorar sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O primeiro terceto critica a vida superficial do ambiente aristocrático, em que as aparências são valorizadas." -&gt; Também está correta. A estrofe em questão menciona a valorização das roupas, a ostentação, a vaidade, e afirma que estas coisas são enganadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seguindo o ideal de simplicidade na linguagem, o soneto marca-se pela ausência de metáforas e de hipérbatos." -&gt; Parcialmente correta, parcialmente incorreta. Há, realmente, ausência de metáforas, mas não de hipérbatos, o que se pode perceber em versos como "Canse embora a lisonja ao que ferido / Da enganosa esperança anda magoado"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O texto expressa uma inadaptação do eu lírico ao mundo que o rodeia." -&gt; Esta afirmação resume bem a sensação do eu lírico na cidade e daí a sua procura pelo ambiente campestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O princípio árcade predominante nas idéias deste soneto é “fugere urbem”." -&gt; Como o princípio do &lt;em&gt;fugere urbem&lt;/em&gt; significa "fugir da cidade", a afirmação é perfeitamente correta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única afirmação incorreta é o item 3, sendo, portando, correta a alternativa E.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 2 &lt;/em&gt;-  O comando da questão é idêntico ao anterior, então vamos seguir o mesmo procedimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Possui versos descritivos repletos de idealização" -&gt; Isso se comprova ao observarmos como a imagem de Marília é criada de forma perfeita, numa perfeição antinatural e exagerada, o que percebemos na relação entre a luz dos olhos de Marília e a luz do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Utiliza aspectos da natureza tropical para compor os traços físicos da amada, no que destoa da tradição descritiva do Arcadismo." -&gt; Incorreto. Neve não é um elemento da natureza tropical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Exprime claramente o ideal do “carpe diem” " -&gt; O texto faz apenas a descrição física de Marília. Não há nenhuma menção ao fato de aproveitarem a vida, o que torna a afirmação incorreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Revela a preocupação em exaltar um ideal de vida simples." -&gt; Incorreto, pelo mesmo motivo apontado no intem anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não apresenta versos brancos." -&gt; Correto. Os versos brancos são aqueles que não rimam com nenhum outro. Como todo o trecho apresenta rimas alternadas, a afirmativa é perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São corretas apenas as afirmações I e V, o que leva à alternativa A.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-1072188138369531829?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/1072188138369531829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=1072188138369531829&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1072188138369531829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1072188138369531829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/09/arcadismo.html' title='Arcadismo'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-1015773741053970667</id><published>2007-09-20T08:31:00.000-03:00</published><updated>2007-09-20T11:32:15.796-03:00</updated><title type='text'>Gregório de Matos e Padre Vieira</title><content type='html'>Coisinhas mais lindas (e barulhentas) que eu tenho!&lt;br /&gt;Acharam que eu ia abandonar vocês antes da prova? Vou não! Só vou ter que deixar tudo aqui hoje, de uma vez só, pois não terei outra brecha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou começar esse post com Gregório de Matos e aproveito o espaço também para revisarmos a produção do Padre Antônio Vieira. No final, deixo o comentário dos exercícios das fichas destes dois autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gregório de Matos é o principal poeta brasileiro do período barroco. Padre Antônio Vieira é um dos maiores expoentes da prosa doutrinária européia, e um escritor de textos não-literários estudado tanto na Literatura Brasileira como na Portuguesa, visto que, nascido em Portugal, morou no Brasil por muitos anos, dividindo sua formação educacional nos dois países. Portanto, enquanto Gregório só produz versos, &lt;strong&gt;Vieira só produz prosa não-literária&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não produzindo literatura, portanto, não podemos dizer que há lirismo em Vieira. Mas, assim como a poesia lírica, seus sermões refletem uma visão de mundo a partir de um ponto de vista pessoal. A grande diferença, além da questão artística, é que enquanto a poesia lírica apenas externa esta visão, a prosa doutrinária (texto organizado em frases e parágrafos que tem o propósito de ensinar princípios religiosos) vai além: externa e tenta convencer o leitor/ouvinte que aquela é a visão de mundo que ele deve seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa tentativa de convencimento do leitor é típica da corrente estética conceptista, da qual Vieira é o grande expoente no Brasil. O conceptismo (quevedismo, na Espanha) é a corrente estética do Barroco que privilegia o conteúdo do texto, suas idéias (conceitos - daí o nome) e busca a clareza do raciocínio. Para se assegurar desta clareza, os autores do conceptismo costmam usar muitos exemplos, analogias, comparações e alegorias. E Vieira, nos sermões, particularmente, usa também as perguntas retóricas, que são aquelas perguntas que encerram, no contexto, na verdade, uma afirmação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e aqueles textos de Gregório de Matos, que é cultista, em que predomina o conceptismo, Bianca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um ponto ótimo para ser lembrado! Realmente, embora Gregório de Matos seja um autor cultista, em muitas de suas obras predomina o conceptismo. Geralmente estas obras são os poemas da &lt;strong&gt;lírica religiosa em que ele se dirige a Deus&lt;/strong&gt; (importante notar que é quando Deus é o receptor do texto) e tenta convencê-lo a perdoar seus pecados. Como é necessário, para que o seu pedido seja atendido, que este "leitor presumido" possa acompanhar o raciocínio do eú lírico e ser envolvido por ele, Gregório, nestes poemas, enfatiza a clareza do conteúdo e, assim como Vieira, nos sermões, usa exemplos e comparações para ilustrar seu raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, não só Vieira se aventura na apresentação do ponto de vista do homem seiscentista a respeito da relação do homem com Deus, como também Gregório de Matos fez isso. A diferença principal nessa relação com a religiosidade é que Vieira procura orientar os pecadores, enquanto Matos se posiciona como pecador que procura o perdão, a expiação espiritual (purificação através do sofrimento) e como homem que remoi a insignificância e fragilidade de ser homem, diante da onipotência e eternidade divina. O homem, na poesia &lt;strong&gt;religiosa&lt;/strong&gt; de Gregório de Matos, é o &lt;strong&gt;pó&lt;/strong&gt;, que está destinado a voltar a ser &lt;strong&gt;pó&lt;/strong&gt;, a ser &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt;, enquanto Deus é a fonte da qual emana a &lt;strong&gt;eternidade&lt;/strong&gt;. Oposição típica do Barroco, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da poesia lírica &lt;strong&gt;religiosa&lt;/strong&gt;, Gregório de Matos também se aventurou pela lírica &lt;strong&gt;amorosa&lt;/strong&gt;, como já mencionei no post anterior, sobre Camões, e pela lírica &lt;strong&gt;filosófica&lt;/strong&gt;. Na primeira, o autor vai registrar a oposição entre o desejo e a adoração neoplatônica, entre os dois tipos de amor de que Camões já falava, mas, desta vez, com uma tensão muito maior. Isto porque não apenas sucumbir ao desejo é vivenciar uma forma inferior de amor, como era para Camões, nos textos em que predominava a visão neoplatônica, mas especialmente porque, para o homem Barroco, sucumbir ao desejo é sucumbir ao pecado, é sujeitar-se ao inferno. Daí que, em muitos poemas amorosos, o Boca do Inferno afirma preferir ficar cego a ver a beleza da mulher amada e sentir-se tentado por ela, como no soneto abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Não vira em minha vida a formosura,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ouvia falar nela cada dia,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E ouvida me incitava, e me movia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A querer ver tão bela arquitetura:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ontem a vi por minha desventura&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Na cara, no bom ar, na galhardia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;De uma mulher, que em Anjo se mentia;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;De um Sol, que se trajava em criatura:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Matem-me, disse eu, vendo abrasar-me,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Se esta a cousa não é, que encarecer-me&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Sabia o mundo, e tanto exagerar-me:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Olhos meus, disse então, por defender-me, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Se a beleza heis de ver para matar-me,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Antes olhos cegeueis, do que eu perder-me.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na lírica &lt;strong&gt;filosófica&lt;/strong&gt;, por fim, Gregório de Matos expõe as angústias do homem barroco diante da fragilidade humana, da condição passageira de todas as coisas. Trata-se de uma primeira abordagem do tema do &lt;em&gt;carpe diem&lt;/em&gt;, do Arcadismo, mas que ainda não é &lt;em&gt;carpe diem&lt;/em&gt;, no Barroco. Isto porque &lt;em&gt;carpe diem&lt;/em&gt; é aproveitar o momento, e o homem Barroco teme se aventurar por essa fruição e acabar cometendo pecado. No Barroco, essa questão do &lt;em&gt;carpe diem&lt;/em&gt; é, na verdade, um lamento, não uma fruição: o poeta lamenta que as coisas sejam passageiras, que a beleza física se acabe e que tudo vá terminar em pó, em nada, como o próprio Gregório de Matos afirma num dos poemas filosóficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dica: se a finitude do homem é apresentada num texto sem o uso de imagens religiosas ou a referência direta a Deus, trata-se de um poema da lírica filosófica de Gregório de Matos, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora os comentários sobre as respostas das fichas 4 e 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficha 4&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 1&lt;/em&gt; - A condição humana foi abordada no poema a partir de uma perspectiva religiosa, já que existe a referência direta à Igreja. Ilustra, portanto, ideais católicos e contra-reformistas, que excluem diretamente as respostas &lt;em&gt;E&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A&lt;/em&gt;. A primeira porque menciona "deuses", ou seja, politeísmo, paganismo. A segunda porque afirma que os valores divinos estão em falência, ou seja, que o homem não acredita no poder que emana de Deus, o que contraria a religiosidade do homem seiscentista.&lt;br /&gt;Analisando, a partir desta eliminação, as alternativas restantes, a questão se torna mera interpretaçaõ de texto. Não há referência ao tipo de fim (inferno ou céu) que o homem terá. Portanto, o item C não atende à questão. Também não há referência, no texto de Gregório de Matos, a um comportamento caridoso. Isto elimina, também, o item D.&lt;br /&gt;Resta, portanto, o item B. A interpretação feita nele é perfeita: o texto afirma que Deus faz o homem do pó e que, naquele dia (provavelmente a quarta-feira de cinzas), revela ao homem sua natureza insignificante e inconstante. O primeiro verso, por sua vez, demonstra a inconstância, a efermeridade da vida: o homem é terra e há de se tornar terra, ou seja, sua existência terrena vai passar e ele vai voltar à terra, através da morte, do enterro e da decomposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 2&lt;/em&gt; - Nesta questão, a eliminção pode começar a ser feita sem sequer haver a leitura do poema. Isto porque o culto à natureza, do itrem A, não é uma característica do movimento Barroco, e pode ser descartada imediatamente. Os itens B e E também, por dois motivos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Embora sejam recursos usados pelo Barroco, são também usados por muitas outras escolas literárias. As rimas alternadas não definem, em si, o período em que se produziu um texto. Já a aliteração é uma característica marcante de um movimento literário sim, mas do Simbolismo, que ocorreu no fim do século XIX e é assunto para vocês apenas no ano que vem.&lt;br /&gt;2 - Nenhum deles foi usado no texto: as rimas são emparelhadas e não houve uso de aliterações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restam, pois, os itens C e D. O amor cortês pode aparecer no Barroco, como forma de amor neoplatônico e culto a uma dama inacessível. Asim são muitos poemas amorosos de Gregório de Matos. Mas a estrofe em questão não possui temática lírico amorosa, o que descarta a hipótese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confirmando a resposta, o item C menciona a forte presença de antíteses, figura de linguagem que, junto com o paradoxo, vai relacionar os opostos que formam a realidade e que foi ostensivamente usada no século XVII. Estas idéias opostas estão presentes no poema nos pares diz x noite, luz x sombras, tristeza x alegria. Perfeita, portanto, a resposta C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficha 5&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 1&lt;/em&gt; - O tema  é a palavra de Deus, ou, mais precisamente, o frutificar da palavra de Deus. A questão é, porque, com tantos pregadores, não frutifica mais a palvra de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 2&lt;/em&gt; - Ele compara a palavra de Deus e os corações dos homens, à semente e aos caminhos, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 3&lt;/em&gt; - A citação direta à fala de Cristo: "Diz Cristo que a palavra de Deus frutifica cento por um". Este argumento de autoridade se baseia numa proposição de fé dogmática, a qual nenhum católico do século XVII vai contestar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 4&lt;/em&gt; - Na nova comparação, ele introduziu um terceiro elemento, o pregador e através da repetição dos exemplos enfatiza a importância deste elemento no frutificar da palavra divina. A importância está no direcionamento argumentativo que o texto vai ter, pois Vieira afirma que a responsabilidade pelo pouco fruto da palavra de Deus não pode ser de Deus e também não é dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 5&lt;/em&gt; - Por eliminação, pode-se perceber que Vieira vai tentar comprovar que a culpa é do pregador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 6&lt;/em&gt;  - A chave para responder esta questão é identificar o que é idéia central e o que é idéia secundária. O item B é uma citação que o autor fez e que expressa a conclusão que ele tem sobre o assunto, mas que se aplica a uma situação específica. O item A express aa valiação que o autor faz a respeito de um tipo de ladrão, como ele identifica no texto.&lt;br /&gt;O item C, por sua vez, mostra a opinião geral que o autor tem sobre o assunto, e que ele tenta comprovar através de elementos como os anteriores. Uma prova que o roubar pouco é culpa e o muito é grandeza é que os grandes imperadores são ladrões de cidades e reinos, e eles não são condenados por seus atos, enquanto que aqueles que roubam apenas um homem o são. Outra prova é o que acontece com eles: os grandes são poderosos e condenam os pequenos por isso. Portanto, o item C apresenta a visão geral do autor sobre o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Questão 7&lt;/em&gt; -&lt;br /&gt;a) " Navegava Alexandre, o Grande, em uma poderosa armada a conquista a Índia quando foi trazido à sua presença um pirata, que por ali andava roubando os pescadores. Repreendeu-o muito Alexandre por andar em tão mau ofício; porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) "Não só são ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que vão se banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam exércitos e legiões ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força roubam e despojam os povos. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-1015773741053970667?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/1015773741053970667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=1015773741053970667&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1015773741053970667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1015773741053970667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/09/gregrio-de-matos-e-padre-vieira.html' title='Gregório de Matos e Padre Vieira'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-4345928380485833859</id><published>2007-08-31T19:32:00.000-03:00</published><updated>2007-09-01T07:47:48.866-03:00</updated><title type='text'>Fichas 2 e 3 - Respostas dos exercícios sobre Camões</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Ficha 2&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Questão 1&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esta questão, assim como as demais desta ficha, exercitam a percepção das noções sobre amor-neoplatônico e amor-sensual que vemos desde o primeiro dia de aula do semestre. O item &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; questiona com qual dos tipos de realidade, a sensível (realidade em que se realiza o amor sensual) ou a inteligível (plano em que se realiza o amor neoplatõnico) o pedido para ver a mulher amada expressa. Ver é uma ação que depende dos sentidos, o que significa que se relaciona com o plano físico. Portanto, é uma ação sensível, isto é, ligada o mundo físico, das sensções. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O item &lt;em&gt;B&lt;/em&gt;, por sua vez, questiona a certeza que o eu lírico tem a respeito do desejo de ver a amada. No questionamento, foi ressaltada a expressão "&lt;em&gt;não sabe o que deseja&lt;/em&gt;". Se o eu lírico não sabe o que deseja, é lógico que ele está inseguro quanto ao seu desejo. O motivo da insegurança está em outro verso, também destacado no enunciado: "&lt;em&gt;amor tão fino e tão delgado&lt;/em&gt;". &lt;em&gt;Delgado&lt;/em&gt;, neste verso, tem o sentido de delicado. O amor que o eu lírico sente, portanto, é um amor delicado, puro, ou que pelo menos deseja se manter assim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Questão 2&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A partir da inversão do hipérbato (ou melhor, da desinversão do hipérbato), duas construções são possíveis: &lt;em&gt;O desejo não quer logo o desejado&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O desejado não quer logo o desejo&lt;/em&gt;. Como esta segunda é incoerente, percebemos que o que Camões afirma no verso, levando-se em consideração o contexto dele na estrofe, é que para manter perpétuo o estado do amor, ele não deve logo ser concretizado. &lt;em&gt;O desejado, no poema, é a mulher amada&lt;/em&gt;, aquela a quem ele pediu para ver. E ele a rejeita, usando uma expressão do poema "&lt;em&gt;por que não falte nunca onde sobeja&lt;/em&gt;", isto é, para que não falte nunca aquilo que sobra. Ele não quer vê-la (querendo) por que se ele não a vir, o desejo de vê-la vai se manter. Quanto mais longo o processo de conquista, quanto mais longa a ausência, maior é a saudade e maior é a felicidade de se ter quem se ama.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Questão 3&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O item &lt;em&gt;A&lt;/em&gt; relaciona a comparação que Camões fez entre o amor e a pedra que cai. Cair, para uma pedra, é uma ação inevitável, pois faz parte dos acontecimentos naturais. É lei da natureza que as coisas sejam atraídas para o chão. Portanto, para respoder a esta questão, é preciso refletir o que o texto afirmou ser inevitável, natural, para o amor. Além disso, a queda também tem uma conotação negativa. Cair significa falhar, não atingir o alto. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Considerando-se, então, tanto a naturalidade, a impossibilidade de agir contra a tal força e sua conotação negativa, a queda do amor é sua transformação em amor sensual. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O item &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; questiona qual é a solicitação que se faz no poema que ilustra essa transformação. No fim do poema, percebe-se que, indiretamente o eu lírico solicitou à mulher amada para vê-la, ou seja, não resistiu ao desejo, sucumbindo às leis naturais da relação amorosas (e, para os neoplatonistas, sucumbiu a uma baixeza, retirando do amor do plano perfeito das idéias). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O item &lt;em&gt;C&lt;/em&gt;, por fim procura saber qual é a força natural que conduz o amor à queda. Trata-se do desejo físico pela mulher amada, que atrai o eu lírico a ela como atrai uma pedra ao chão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Ficha 3&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sobre os textos 1 e 2&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Questão 1&lt;/em&gt; - O texto 1 foi escrito em medida velha e o texto 2 em medida nova.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Questão 2&lt;/em&gt; - O texto 1 apresenta uma mulher mais concreta, pois revela suas características físicas e sua identidade, através de um nome, elementos que não apareceram no texto 2. Neste último nada sobre a mulher foi revelado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Questão 3&lt;/em&gt; - O texto 1. Nele as repetições estão marcadas no final de cada estrofe, como um refrão. Trata-se de um recurso típico dos textos medievais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Questão 4&lt;/em&gt; - Considerando-se as rimas toantes (imperfeitas), o esquema de rimas do texto 1 é: ABB ACCAABB CDDCCBB. O do texto 2 é: ABBA ABBA CDE CDE&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Questão 5&lt;/em&gt; - O raciocínio lógico é mais importante no texto 2. O texto 1 não passou por etapas lógicas de raciocínio, com princípio, meio e fim. Ele apenas descreve as roupas de Lianor que caminha descalça para a fonte através da relva ou grama. A ordem da descrição: pelos cabelos, mãos, roupas, não tem importância para a compreensão do texto. Já o texto 2 apresenta um raciocínio com início, meio e fim em que relações de causa e conseqüência estão bem marcadas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Exercícios&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Questão 1&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esta questão revê o conceito de paráfrase, que estudamos no primeiro semestre. A paráfrase é a relação de intertextualidade em que há uma relação harmônica entre os dois textos que se relacionam. No caso do texto de Sophia de Mello Breyner Andresen, a paráfrase da visão de  amor camoniana é a do amor neoplatônico. Isto se comprova especialmente na conceituação do amor como um "&lt;em&gt;lugar de imperfeição&lt;/em&gt;", que reflete a visão neoplatônica de que o mundo físico é imperfeito (e por isso inferior ao mundo inteligível), e no medo de sucumbir ao amor no plano da imperfeição manifesto na passagem"&lt;em&gt;terror de te amar&lt;/em&gt;". O eu lírico tem medo de cair na baixeza (como afirmou Camões no poema do exercício da ficha anterior) do amor físico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Questão 2&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Falso - Não há a manifestação do desejo físico nestes versos, mas sim o culto ao amor idéia, visto que a relação amorosa se dá na imaginação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Verdadeiro - A matéria é um elemento físico, que busca uma realização através daquilo que lhe dá consistência, a forma. Se o amor como matéria simples busca a forma, é porque ele precisa da realização no plano concreto, sensível.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Verdadeiro - Esta é a premissa que se estabelece nos quartetos, nos quais o poeta diz que de tanto pensar na pessoa amada, ela se torna uma parte dele e, sendo assim, ele não precisa tê-la no plano físico, pois já a tem como parte de sua alma.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Verdadeiro - O que acontece "&lt;em&gt;por virtude do muito imaginar&lt;/em&gt;" acontece na relação do &lt;em&gt;amador&lt;/em&gt; com a &lt;em&gt;coisa amada&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Falso - O primeiro verso afirma apenas que no amor os amantes acabam se transformando no outro. Não houve nenhuma referência à busca pela perfeição, mas sim à busca pela incorporação do amado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-4345928380485833859?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/4345928380485833859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=4345928380485833859&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4345928380485833859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/4345928380485833859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/08/fichas-2-e-3-respostas-dos-exerccios.html' title='Fichas 2 e 3 - Respostas dos exercícios sobre Camões'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-6919210363447298751</id><published>2007-08-31T18:22:00.000-03:00</published><updated>2007-08-31T19:32:43.873-03:00</updated><title type='text'>A lírica de Camões</title><content type='html'>Hello, gafanhotos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animados com a Festa do Folclore? É para ficar mesmo, é uma festa muito linda. Só lembrem que durante a aula tá rolando assunto novo, que vai cair na prova. E que, por sinal, as provas começam dia 17... É, depois do Recife Indoor!&lt;br /&gt;Tá ruim? É coisa demais para fazer? Relaxa, que depois piora! Esperem o terceiro ano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado o meu discurso irônico básico, que é para Yuri não sentir falta, vamos ao que interessa: a revisão da lírica classicista de Camões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já vimos um pouco de Gregório em sala, posso adiantar algo que deve ajudar vocês a entender melhor Camões. Ele e Gregório de Matos, nosso poeta barroco, têm alguns traços em comum: ambos na lírica amorosa confrontam o amor-neoplatônico e o amor sensual, os dois produziram textos de ordem filosófica e ambos fazem uso da antítese e do paradoxo. E nisso aí as coincidências param, não só devido ao estilo individual desses artistas, mas também ao estilo da época  em que viveram, que se projeta nas suas obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Classicista, Camões, mesmo diante dos dilemas existenciais e amorosos, apresenta um ponto de vista &lt;strong&gt;sereno&lt;/strong&gt;. Isto porque o Classicismo é marcado por uma confiança na ciência, no equilíbrio, na razão. Mesmo o Classicismo português tendo influências medievais, estas afetaram mais a estética (na produção de poemas em medida velha). Os dilemas da existência humana e da vivência amorosa são apresentados de forma despersonalizada, direta, em linguagem muito mais simples do que a linguagem do Barroco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim "forma despersonalizada"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguinte: no Classicismo, existe uma tendência de se buscar aquilo que é universal, as regras que valem para todos. Por isso vimos que Camões procura o Amor (com A maiúsculo) e a Mulher, que são as idéias perfeitas (e tome Platão nisso) que existem por trás da vivência particular do amor e por trás da existência de cada mulher. Quando Camões afirma que "&lt;em&gt;Amor é um fogo que arde sem se ver&lt;/em&gt;" ele não fala de uma experiência amorosa que um eu-lírico particular tem com um amante específico. Ele fala que em todas as vivências do amor, este sentimento é contraditório. O amor é assim para todas as pessoas, em todos os lugares e em todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da mulher, há um fenômeno semelhante. Lembrem-se que nos poemas em medida nova, Camões refere-se à mulher como Dama, Senhora. Ela não tem nome, não tem identidade, não é uma mulher em particular. Qualquer homem apaixonado pode fazer um ctrl+c   ctrl+v e oferecer o poema de medida nova de Camões a qualquer mulher. O mesmo não acontece com a poesia camoniana de medida velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembra o que é a poesia de medida nova e a de medida velha? Bora relembrar então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* A poesia de Camões que tem &lt;strong&gt;estética medieval&lt;/strong&gt; é a poesia em &lt;strong&gt;medida velha&lt;/strong&gt;. Ela segue os padrões das cantigas de amor e de amigo do período medieval, estruturando-se em mote (tema, apresentado numas estrofe curta, geralmente um dístico - estrofe de dois versos - ou terceto - estrofe de três versos) e glosas, ou voltas (as demais estrofes que desenvolvem o tema). Os versos seguem a métrica medieval, a redondilha, e como inovação no conteúdo existe a apresentação de uma mulher concreta (com características físicas e nome - Lianor por exemplo) e uma expressão do amor por essa mulher concreta, ou, ainda, a expressão do amor que esta mulher sente - e isso NUNCA acontece na poesia em medida nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Essa poesia em &lt;strong&gt;medida nova&lt;/strong&gt;, portanto, é aquela que segue a &lt;strong&gt;estética classicista&lt;/strong&gt;. Ela pode se estruturar em sonetos (poemas de 14 versos, geralmente distribuídos em dois quartetos e dois tercetos - forma conhecida como &lt;em&gt;soneto italiano&lt;/em&gt;), oitavas (estrofes de oito versos) e sextinas (estrofes de seis versos). Seus versos seguem a métrica clássica, o verso decassílabo. O conteúdo desse tipo de texto, expresso em écoglas (poema de temática pastoril, estruturado em forma de diálogo), odes (poema elogioso e alegre) ou elegias (poema lamentoso e triste), é a expressão do amor-neoplatônico, que tende ao universalismo, e a reflexão filosófica sobre o desconcerto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feita a revisão, retomemos o ponto nevrálgico da distinção do estilo de Camões e de Gregório, que acaba sendo a distinção também do estilo do Classicismo e do Barroco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu já escrevi mais acima, a serenidade e a universalidade com que Camões trata os dilemas humanos são os pontos que claramente diferenciam este autor de Gregório de Matos (e o Classicismo do Barroco). Outro ponto também em que a oposição entre eles se faz sentir é na forma de construir o texto, é na linguagem. Mesmo usando em muitos dos seus textos a antítese e o paradoxo, a forma como Camões o faz é bem distinta da forma como o Barroco utiliza estes recursos. Isto porque o Classicismo deseja equilibrar o mundo, conciliar os contrários, enquanto o Barroco se angustia pela impossibilidade de fazê-lo. Observe como isso se dá com os dois exemplos abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Depois da Luz se segue a noite escura, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em tristes sombras morre a formosura, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em contínuas tristezas a alegria.  &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Porém se acaba o Sol, por que nascia? &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se formosa a Luz é, por que não dura? &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como a beleza assim se transfigura? &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como o gosto da pena assim se fia?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Na formosura não se dê constância, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E na alegria sinta-se tristeza.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Começa o mundo enfim pela ignorância, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E tem qualquer dos bens por natureza &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A firmeza somente na inconstância. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Muda-se o ser, muda-se a confiança;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Todo o mundo é composto de mudança,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tomando sempre novas qualidades.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Continuamente vemos novidades,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Diferentes em tudo da esperança;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Do mal ficam as mágoas na lembrança,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E do bem, se algum houve, as saudades.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O tempo cobre o chão de verde manto,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que já coberto foi de neve fria,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E enfim converte em choro o doce canto.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E, afora este mudar-se cada dia,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Outra mudança faz de mor espanto:&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que não se muda já como soía.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito não ser difícil perceber que o primeiro texto &lt;strong&gt;exagera&lt;/strong&gt; o uso das antíteses e dos paradoxos, enquanto o segundo não. No primeiro soneto, os contrários estão presentes praticamente em todos os versos, e o eu-lírico não consegue conciliá-los. Daí ele fazer uso, no segundo quarteto, de várias perguntas retóricas (aquelas que se faz para que o próprio autor tente responder no texto) que mostram seu &lt;strong&gt;desconforto&lt;/strong&gt; frente aos opostos mencionados anteriormente. Por sinal, estas oposições serviram para ilustrar a idéia presente nos dois sonetos: a da fucagidade das coisas do mundo, da impermanência dos estados. Não só o primeiro soneto mostra desconforto diante desta realidade através do exagero estilístico e das perguntas retóricas, como ele também manifesta pessimismo, ainda que leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo soneto, por sua vez, tem uma atitude bastante diferente. Note que além de as antíteses estarem em menor número e localizadas em apenas um pedaço do texto, o autor não demonstra angústia ou desconforto diante da realidade. Seu poema apenas faz uma constatação do que acontece na vida. A contenção emocional deste poema é típica da contenção emocional classicista, e típica da contenção emocional camoniana também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto não quer dizer que Camões não expresse emoções em seus poemas. Apenas que ele faz isso de uma forma equilibrada, o que percebemos principalmente se confrontarmos seus textos com os de autores de escolas literárias que se pautaram na emocionalidade, como o Barroco e o Romantismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje é isso. Respostas das fichas de Camões durante o fim-de.&lt;br /&gt;Beijinhos para vocês!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-6919210363447298751?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/6919210363447298751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=6919210363447298751&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/6919210363447298751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/6919210363447298751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/08/lrica-de-cames.html' title='A lírica de Camões'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-8700732608230087812</id><published>2007-08-23T22:14:00.000-03:00</published><updated>2007-08-25T19:36:07.328-03:00</updated><title type='text'>De volta à ativa</title><content type='html'>Olá, pessoas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá vendo, Yuri, não chamei ninguém de monstrinho do pântano lindinho dessa vez. Sou uma professora menos sarcástica na volta das férias. Pelo menos um pouquinho! :P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei em falta com vocês nestas três semanas após o nosso retorno, mas compenso com as respostas das fichas 1, 2 e 3 todas de uma vez (rima toante bonitinha essa né?) e, no processo, uma revisão básica sobre os conteúdos desse quase primeiro mês de aula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos então pela &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ficha 1&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, da nossa poética aula sobre o amor na contemporaneidade com &lt;em&gt;Anna Julia&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Tchuchuca&lt;/em&gt;. Quando debatemos o texto em sala de aula, nós vimos que, resguardadas as disparidades de visão de mundo e da classe social que pretensamente representam, em comum as duas canções têm a declaração de um eu lírico à mulher amada (o que responde nossa &lt;strong&gt;questão 1&lt;/strong&gt;). As disparidades encontram-se na atitude do eu lírico diante do universo feminino, seu modo de encarar o amor. Em &lt;em&gt;Anna Julia&lt;/em&gt;, o eu lírico porta-se com admiração, não transparece desejo sexual e se oferece àquele relacionamento mesmo diante da impossibilidade de este se concretizar. Note bem que mesmo sabendo que ele não tem chance com a amada, o eu lírico afirma que irá tentar reconquistá-la (como, se ele nunca a teve "Nunca acreditei na ilusão de ter você pra mim", é que eu não sei).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em &lt;em&gt;Tchuchuca&lt;/em&gt;, à primeira vista, a impressão que se tem é de que há total ausência de admiração, pois a letra consiste no pedido de contato sexual entre o eu lírico e a Tchuchuca. Se observarmos, no entanto, que o termo Tchuchuca não tem conotação depreciativa, que o diminutivo "pretinho" tem, no contexto, uma conotação carinhosa e que o outro apelido usado, Tigrão, demonstra uma relação de intimidade, não podemos afirmar que o eu lírico não se importa com os sentimentos de sua Tchuchuca. Pelo menos carinho ele promete que, com ele, ela terá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Objeto de admiração no primeiro texto e de desejo no segundo, a mulher, em ambos os casos, não tem voz ou personalidade definida. Quem é Anna Julia e Tchuchuca, o que pensam sobre o mundo, não sabemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como você pode perceber, as considerações acima respondem à &lt;strong&gt;questão 2&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última questão da ficha questiona o sucesso que duas canções, com pontos de vista tão diferentes sobre a mulher (objeto de admiração e objeto de desejo sexual), obtiveram praticamente no mesmo período de tempo. O ritmo das duas é bastante distinto, portanto não pode ser uma justificativa consistente. A linguagem é popular, mas a de outras canções da mesma época também era e nem por isso se tornaram tão marcantes assim. Além disso, apenas a linguagem ser acessível não faz com que o público possa se identificar com duas visões de mundo tão distintas se, previamente, esta identificação já não existir. Assim, a conclusão mais lógica é que tanto uma quanto outra visão a respeito da mulher e do relacionamento amoroso são igualmente aceitas pela grande massa consumidora de música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas duas visões, conforme estudamos na &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ficha 2&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, fazem parte dos relacionamentos humanos há muito tempo. Já na Grécia antiga, o filósofo Platão percebeu que existem nos relacionamentos amorosos os dois componentes: o desejo sexual e a admiração metafísica (a admiração pela alma, pelos elementos imateriais que formam a pessoa). Para ele, não há nada de errado nisso, desde que o relacionamento não se baseie apenas no desejo. Segundo Platão, como o desejo está ligado a uma satisfação física, é um sentimento que se liga ao mundo sensível, o mundo físico, que é uma reprodução imperfeita de uma outra realidade, o mundo das idéias. Portanto, apenas o desejo físico é uma forma de relação superficial e imperfeita. Os seres humanos, para viverem o amor de forma plena, devem se aprofundar na admiração metafísica, no amor-idéia, que se liga ao plano existencial imaterial. O amor à humanidade em geral (como o amor de Cristo, que se sacrifica pela humanidade não como ela é, mas como ela pode vir a ser), o amor à pátria, o amor que ignora defeitos físicos, deficiências físicas, cognitivas, mentais, são exemplos dessas formas de amor-idéia, mais elevados do que o amor físico, porque ligados a uma realidade mais perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repare que não há, na teoria de Platão, a rejeição pelo amor-desejo. Quem primeiro, no campo da filosofia, vai fazer essa rejeição é Plotino, um filósofo do século III que revisitou as teorias de Platão (por isso ele é chamado de neo-platônico). Plotino associou as idéias de Platão a certos elementos da moral cristã e transformou a distinção de Platão em oposição. Para Plotino o amor-desejo é uma forma baixa de amor, pecaminosa, porque se liga a um plano inferior de existência. O homem, para elevar-se, deve, necessariamente, abandonar o amor-desejo e vivenciar apenas o amor-idéia. Por isto, neste conceito de amor neoplatônico, o amor não precisa ser correspondido para que o amante se sinta feliz. Basta amar para que o amor seja realizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como você pode perceber, esta dualidade, amor-desejo x amor-idéia, faz parte do pensamento ocidental desde as nossas raízes. A literatura não poderia, então, ser alheia a ele, e o reproduziu ao longo dos séculos, com maior ou menor ênfase no desejo ou na idéia, de acordo com a visão de mundo predominante na época. Mudaram-se os tempos, mas a essência do sentimento humano mais importante permaneceu praticamente inalterada. A alteração principal aconteceu na forma de expressá-lo, no conceito de estética dos movimentos artísticos que conformam a literatura brasileira desde a nossa colonização. E é justamente estas diversas formas de expressão em que vamos nos concentrar ao longo do semestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No próximo post, revisão sobre Camões e as respostas das fichas 2 e 3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijinhos e bom restinho de fim de semana!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-8700732608230087812?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/8700732608230087812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=8700732608230087812&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8700732608230087812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8700732608230087812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/08/de-volta-ativa.html' title='De volta à ativa'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-3358421686074681465</id><published>2007-06-17T12:37:00.000-03:00</published><updated>2007-06-17T13:18:48.767-03:00</updated><title type='text'>O Guarani</title><content type='html'>Olá pessoas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem a ausência, mas estou me recuperando de uma crise brabinha de asma. Como ficou prometido um material sobre &lt;strong&gt;O Guarani&lt;/strong&gt; para a aula de sábado, e promessa é dívida, olha os slides aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes que alguém se sinta seguro: é CLARO que o resumo NÃO está completo e é CLARO que só estudar por aqui NÃO é o suficiente para fazer a semestral. LEIAM o livro! : )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijinhos e até amanhã!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Guarani&lt;/strong&gt; é um livro que se insere, mutuamente, na classificação de indianista e histórica da prosa romântica. A produção do Romantismo em prosa não tem classificação em gerações, mas sim em temas: prosa urbana (ou de costumes), regionalista, histórica e indianista. O Guarani se encaixa nestas últimas duas porque recria elementos da história do Brasil (D. Antônio Mariz, por exemplo, realmente existiu, e se retirou do Rio de Janeiro para a Paraíba quando Portugal perdeu a independência e ingressou na União Ibérica) e faz a exaltação do índio "bom selvagem". Sendo um romance, apresenta várias inovações estruturais em relação aos textos narrativos que fizeram parte da Era Clássica da Literatura. Vamos relembrá-los:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gêneros Literários da Era Clássica da Literatura:&lt;br /&gt;· lírico&lt;br /&gt;· dramático&lt;br /&gt;· épico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gêneros Literários da Era Moderna da Literatura:&lt;br /&gt;· lírico&lt;br /&gt;· dramático&lt;br /&gt;· épico&lt;br /&gt;· narrativo (romance, novela, conto, crônica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romance x Epopéia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrutura:&lt;br /&gt;1. Romance: prosa e capítulos&lt;br /&gt;2. Epopéia: versos e cantos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conteúdo:&lt;br /&gt;1. Romance: variado, visa satisfazer a imaginação do leitor&lt;br /&gt;2. Epopéia: texto de cunho nacionalista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herói:&lt;br /&gt;1. Romance: símbolo de humanidade, através da conquista individual satisfaz o desejo de conquista individual do leitor, através da cartase&lt;br /&gt;2. Epopéia: símbolo da civilização, através da conquista individual promove uma conquista coletiva, satisfazendo o desejo de identidade nacional do seu povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ficar bem clara essa distinção em termos de conteúdo e da posição de herói, deixem-me esmiuçar esses elementos. A epopéia, como estudamos, é um texto que serve, principalmente, para se exaltar os feitos de uma nação, através da conquista de um herói que simboliza essa nação. Assim, quando Vasco da Gama conquista o oceano Atlântico em Os Lusíadas, a vitória não é só de Gama, mas de Portugal. O romance, porém, é individualista. Seu compromisso não é com uma nação, mas com o seu leitor. Por isso, é importante para ele que seus personagens possam projetar identificação não pelos leitores de uma nação apenas, mas por qualquer ser humano. É por isso que um romance inglês, francês ou alemão vão fazer sucesso em vários outros países: porque neles não se reconhece os conflitos que envolvem uma nação, mas os conflitos que envolvem qualquer ser humano. A  conquista do herói romântico é individual, e, ao mesmo tempo, representa a satisfação do objetivo de qualquer pessoa. Peri, por exemplo, tem como único objetivo, em &lt;strong&gt;O Guarani&lt;/strong&gt;, conquistar Cecília. É uma conquista individual, apenas, mas que representa o anseio de qualquer pessoa, de conquistar o amor de quem se gosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo disso, vamos aos elementos da obra e seu enredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;strong&gt;Tempo&lt;/strong&gt;: cronológico, em 1604, durante o período em que Portugal perde a independência política e forma a União Ibérica com a Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;strong&gt;Espaço&lt;/strong&gt;: estado da Paraíba, às margens do Rio Paquequer, afluente do rio Paraíba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;strong&gt;Narrador&lt;/strong&gt;: onisciente, em 3ª pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;strong&gt;Enredo&lt;/strong&gt;: &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;No início do século XVII, um dos fundadores do Rio de Janeiro, o fidalgo português D. Antônio de Mariz, em protesto contra a dominação espanhola (1580-1640), estabelece-se em plena floresta, construindo um verdadeiro castelo medieval, onde mora com sua família. Junto à sua casa, vive um bando de mais ou menos quarenta aventureiros. Estes homens entram no sertão, fazendo o contrabando de ouro e pedras preciosas e deixam-lhe um percentual. &lt;br /&gt;Deles destacam-se dois: Álvaro de Sá, que ama respeitosamente Cecília ( e é amado por Isabel), e Loredano.&lt;br /&gt;Um dia, Cecília é salva pelo índio Peri, um jovem cacique. Peri passa a viver então junto a eles, numa pequena cabana, pois tivera uma visão de Nossa Senhora, a qual lhe ordenara que a servisse e Ceci tinha as mesmas feições da Virgem Maria. Ceci sente medo do índio, mas depois de vários feitos que demonstram a devoção do índio percebe seu espírito nobre ("É um cavalheiro europeu no corpo de um selvagem").&lt;br /&gt;  Certo dia, por acidente, D. Diogo mata a filha do cacique dos aimorés. Os aimorés ("povo sem pátria e sem religião") querem vingança, exigindo em troca a vida de Ceci.&lt;br /&gt;Peri, fiel aos portugueses, parte para o acampamento dos inimigos. Lá é preso e levado para o ritual antropofágico, mas ingere então poderosa dose de curare, um veneno terrível, pois, assim, quando os selvagens o devorassem, morreriam todos. É resgatado por Álvaro de Sá e diante da exigência de Ceci que ele tente se salvar, vaga pela floresta até encontrar o antídoto.&lt;br /&gt;  Loredano se amotina com os capangas e planeja matar toda a família, mas é desmascarado por Peri. Sem alternativa de resistência, D. Antônio chama o índio e diz que, se este se tornasse cristão, lhe confiaria a filha para que tentasse levá-la à civilização. O herói  aceita e foge então com Ceci para o rio Paquequer onde escondera uma canoa. Ouve-se uma grande explosão.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elemento de destaque na obra: o papel de índio&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A leitura de &lt;strong&gt;O guarani&lt;/strong&gt; seria superficial sem uma reflexão sobre a ideologia sobre a identidade indígena apresentada na obra. Há três elementos indígenas no texto de Alencar, que vão se chocar ideologicamente, representando aquilo que a sociedade do século XIX vai aceitar e condenar, ou seja, refletindo o que se entendia que seria o bom índio, que deve ser aceito, e o índio mau, que deve ser rejeitado. Veja só:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Peri: protege Cecília, torna-se cristão, volta-se contra os povos indígenas, abandona a floresta (mas não se atreve a ir à cidade).&lt;br /&gt;*Isabel: permanece sempre ao lado dos brancos, civilizada.&lt;br /&gt;*Aimorés: antropófagos, vingativos, terríveis, devem ser mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o índio aculturado, que vive com os brancos (como Isabel) ou que é a eles subserviente (como Peri é, de forma até religiosa, a Cecília), são os bons índios, por cuja felicidade e sucesso o leitor é levado a torcer. Já o índio "in natura", não aculturado, é o vilão perigoso, que deve ser morto porque é ameaçador. O índio que não sente necessidade de ser como branco ou estar junto a ele é rejeitado na obra e não há mal nenhum em sua morte, afinal ele não passa de um selvagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ideologia é fruto histórico do apagamento das marcas de identidade do nosso indígena na literatura brasileira. O índio que começa o Quinhentismo, em sua cultura, alvo de admiração e preconceito, ao mesmo tempo, no Arcadismo se transforma no índio que precisa do homem branco para ser salvo (dos jesuítas, em &lt;strong&gt;O Uraguai&lt;/strong&gt;, ou do pecado e do paganismo, em &lt;strong&gt;Caramuru&lt;/strong&gt;) e, finalmente, no Romantismo, é o índio que se despe de sua cultura por ter um caráter naturalmente bom, e, por isso, é um ser civilizado, com quem se pode conviver harmoniosamente. Aquele que não se encaixar neste perfil é mau, é rejeitado pelo leitor, e terá seu fim trágico assegurado na obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, é isso. Espero que ajude a leitura da obra.&lt;br /&gt;Boas provas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-3358421686074681465?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/3358421686074681465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=3358421686074681465&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/3358421686074681465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/3358421686074681465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/06/o-guarani.html' title='O Guarani'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-734267395392386910</id><published>2007-06-13T07:02:00.000-03:00</published><updated>2007-06-13T22:00:34.545-03:00</updated><title type='text'>Identidade Nacional - A crítica social no Romantismo</title><content type='html'>Meus monstrinhos do pântano lindos!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não completamente boa da tendinite, dormindo cinco horas por noite, terminando de reformular umas coisinhas lindinhas da nossa fofíssima prova semestral, volto aqui para deixar o último conteúdo visto em slide e que estava faltando aqui: a crítica social da geração abolicionista do Romantismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, lembrem-se que esta geração também se chama condoreira, em decorrência das referências constantes às aves de grande altitude (o condor em especial pela imponência e por ser uma ave sul-americana), que vêem melhor do que os outros animais. Como todo bom romântico, o pessoal da 3ª geração ainda "se acha". E se acha especial exatamente como estas aves: eles acreditam que enxergam melhor que os outros seres humanos, pois eles percebem os defeitos da sociedade e hasteiam a bandeira de luta para que as desigualdades sejam combatidas. Essa bandeira é justamente hasteada através da arte, um instrumento de modificação social, na perspectiva deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro nome para este mesmo grupo de escritores é geração hugoana, nome que se refere a Victor Hugo, grande escritor francês que inspira os nossos poetas. A grande obra prima de Victor Hugo é o romance &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Os miseráveis. &lt;/span&gt;Em sua produção se destaca também &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O corcunda de Notre-Dame. &lt;/span&gt;Ambas as obras defendem os excluídos da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa preocupação social dos românticos da 3ª geração faz com que eles superem, em parte, o egocentrismo que marca o seu movimento literário. Em parte porque, embora os problemas dos &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;outros &lt;/span&gt;(no Brasil, a vida sofrida dos escravos) se tornem mais importante do que os problemas pessoais dos autores, e embora eles procurem produzir uma &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;arte engajada&lt;/span&gt; em causas sociais, eles ainda se percebem como o poeta-gênio iluminado por Deus e superior aos outros homens, único ser a ver as coisas como ela realmente são e destinado pelo seu dom a modificar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos em sala, também, sobre Castro Alves (1847 – 1871) que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;?xml:namespace prefix = p /&gt;&lt;p:colorscheme colors="#ffffff,#000000,#808080,#000000,#bbe0e3,#333399,#009999,#99cc00"&gt;&lt;/p:colorscheme&gt;&lt;div class="O" shape="_x0000_s1026"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:178;"&gt;&lt;span style="LEFT: -3.44%; POSITION: absolute"&gt;•&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:32;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;* O poeta dos escravos é baiano de nascimento e estudou Direito em Recife e São Paulo.&lt;br /&gt;* Produziu poesia lírica e social (Espumas Flutuantes e A cachoeira de Paulo Afonso), poesia épica (Os escravos) e teatro (Gonzaga e a Revolução de Minas).&lt;br /&gt;* Faleceu aos 24 anos em decorrência de um tiro no pé.&lt;br /&gt;* Usa uma linguagem grandiosa:&lt;br /&gt;**Gosto acentuado pelas hipérboles (exagero)&lt;br /&gt;**Presença constante de espaços amplos (mar, céu, infinito, deserto)&lt;br /&gt;**Grande carga emocional na denúncia dos problemas sociais (manifesta principalmente através de exclamações e de interjeições).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, fiquem com um dos textos deste autor que foram lidos em sala. Mais textos dele estão disponíveis nos dois livros didáticos indicados no início do ano e na internet. As obras completas de Castro Alves, por exemplo, vocês podem encontrar no site &lt;a href="http://www.secrel.com.br/jpoesia"&gt;Jornal de Poesia &lt;/a&gt;(recomendo muito!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Navio negreiro (excerto)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;III &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!&lt;br /&gt;Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano&lt;br /&gt;Como o teu mergulhar no brigue voador!&lt;br /&gt;Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!&lt;br /&gt;É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...&lt;br /&gt;Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;Era um sonho dantesco... o tombadilho&lt;br /&gt;Que das luzernas avermelha o brilho.&lt;br /&gt;Em sangue a se banhar.&lt;br /&gt;Tinir de ferros... estalar de açoite...&lt;br /&gt;Legiões de homens negros como a noite,&lt;br /&gt;Horrendos a dançar... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Negras mulheres, suspendendo às tetas&lt;br /&gt;Magras crianças, cujas bocas pretas&lt;br /&gt;Rega o sangue das mães:&lt;br /&gt;Outras moças, mas nuas e espantadas,&lt;br /&gt;No turbilhão de espectros arrastadas,&lt;br /&gt;Em ânsia e mágoa vãs!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ri-se a orquestra irônica, estridente...&lt;br /&gt;E da ronda fantástica a serpente&lt;br /&gt;Faz doudas espirais...&lt;br /&gt;Se o velho arqueja, se no chão resvala,&lt;br /&gt;Ouvem-se gritos... o chicote estala.&lt;br /&gt;E voam mais e mais... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Presa nos elos de uma só cadeia,&lt;br /&gt;A multidão faminta cambaleia,&lt;br /&gt;E chora e dança ali!&lt;br /&gt;Um de raiva delira, outro enlouquece,&lt;br /&gt;Outro, que martírios embrutece,&lt;br /&gt;Cantando, geme e ri!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;No entanto o capitão manda a manobra,&lt;br /&gt;E após fitando o céu que se desdobra,&lt;br /&gt;Tão puro sobre o mar,&lt;br /&gt;Diz do fumo entre os densos nevoeiros:&lt;br /&gt;"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E ri-se a orquestra irônica, estridente...&lt;br /&gt;E da ronda fantástica a serpente&lt;br /&gt;Faz doudas espirais...&lt;br /&gt;Qual um sonho dantesco as sombras voam!...&lt;br /&gt;Gritos, ais, maldições, preces ressoam!&lt;br /&gt;E ri-se Satanás!... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Fazei-os mais dançar!..."&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-734267395392386910?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/734267395392386910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=734267395392386910&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/734267395392386910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/734267395392386910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/06/identidade-nacional-crtica-social-no_13.html' title='Identidade Nacional - A crítica social no Romantismo'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-8257042799224231515</id><published>2007-06-06T12:17:00.000-03:00</published><updated>2007-06-06T12:46:15.998-03:00</updated><title type='text'>Identidade nacional - A crítica social no Arcadismo</title><content type='html'>Olá, pequenos gafanhotos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta a essa vida de nerd! Meu fofíssimo voltou da manutenção aparentemente lindo, cheiroso, novinho e sem danos! Espero que sem dano nenhum mesmo, mas não tem nem como confirmar por enquanto. Bora ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitem esse lapso da greve para estudar. Provavelmente as datas dos simulados estarão mantidas então botem pra quebrar nos estudos daqui pra segunda. E moderação no São João da Capitá: pouco sono e muito quentão fazem mal aos neurônios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao que interessa: devido à minha crise desinformatizada eu não consegui postar os slides da aula de Arcadismo. Aqui estão: divirtam-se! Vou esperar um pouco e amanhã eu posto os slides da aula sobre a 3ª geração do Romantismo e os trechos de texto. E no fim de semana fica a vez para o gabarito da ficha de revisão (quem não recebeu ainda vai receber, ok?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijinhos e até o retorno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A crítica social do século XVIII - Cartas chilenas e a Inconfidência Mineira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contexto histórico de Portugal pós-União Ibérica não era dos mais promissores. Embora as idéias iluministas tenham finalmente chegado ao governo português, a estagnação econômica do país durante a regência espanhola deixou o Tesouro português em maus lençóis. O rei D. José I e seu primeiro-ministro, Marquês de Pombal, ambos no governo de 1750 a 1777 bem que tentaram a modernização do país, através de um governo déspota, mas o fato é que Portugal perdera, então, completamente, o brilho conquistado duzentos anos antes. Marcam o contexto português:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•D. José assume o reino e nomeia como primeiro-ministro o Marquês de Pombal (de 1750 a 1777).&lt;br /&gt;•Despotismo esclarecido português.&lt;br /&gt;•Destruição de Lisboa em terremoto (1755)&lt;br /&gt;•Reformas de tendência iluminista. Expulsão dos jesuítas.&lt;br /&gt;•Morte d D. José, queda de Pombal. Regência de Maria I, a rainha louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, a situação também não é das melhores. As ruínas econômicas de Portugal se refletem diretamente na exploração que a corte aristocrática da Metrópole faz das riquezas da colônia. E tendo sido feita, na colônia, a descoberta de ouro, a exploração portuguesa, para manter o luxo e a pompa de sua elite, se fez sentir de forma cada vez mais sufocante. A insatisfação dos colonos foi se tornando cada vez mais inquietante e não tardou então para que os ideais democrátricos iluministas, que fundamentaram a Independência dos EUA (1776) e a Revolução Francesa (1789) se fizessem sentir aqui também. Infelizmente, nossa Conjuração Mineira (1789) foi sufocada antes de se efetivar qualquer manobra revolucionária.&lt;br /&gt;Fizeram parte do contexto histórico brasileiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•Exploração do ouro na região de Minas Gerais.&lt;br /&gt;•Urbanização do sudeste.&lt;br /&gt;•Progresso econômico, advindo da necessidade administrativa.&lt;br /&gt;•Esgotamento das Minas.&lt;br /&gt;•“Arrocho” econômico: cobrança de pesados impostos para a ostentação da corte portuguesa. Derrama.&lt;br /&gt;•Insatisfação social. Formação de grupos de discussão intelectual.&lt;br /&gt;•Formação de um sistema literário brasileiro.&lt;br /&gt;•Inconfidência Mineira (1789)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste contexto de insatisfação, a literatura se firma, como aconteceu no século anterior, como instrumento de manifestação da criticidade de seu povo. Agora, porém, há uma conquista que precisa ser assinalada: enquanto no Barroco temos a expressão de dois gênios individuais, em manifestações literárias esparsas, no Arcadismo constituem-se, finalmente, as três bases para a consolidação do nosso sistema literário: público consumidor, grupo de autores que compartilham ideais estéticos e circulação efetiva de textos literários escritos nas comunidades. No tocante à produção crítica quanto à nossa identidade, esses textos escritos são justamente os treze poemas que compuseram as &lt;em&gt;Cartas chilenas&lt;/em&gt;, escritos por Tomás Antônio Gonzaga.&lt;br /&gt;Sobre Gonzaga, não esqueça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•Filho de um magistrado brasileiro, nasceu em Porto, Portugal. Retornou ao Brasil aos sete anos.&lt;br /&gt;•Estudou com os jesuítas, na cidade da Bahia até os dezessete anos, quando volta a Portugal para estudar Direito em Coimbra.&lt;br /&gt;•Ocupou importantes cargos jurídicos em Vila Rica.&lt;br /&gt;•É o autor dos poemas líricos de Marília de Dirceu.&lt;br /&gt;•Preso pelo envolvimento na Conjuração Mineira, ficou três anos detido numa prisão no Rio de Janeiro e depois foi condenado a dez anos de degredo em Moçambique.&lt;br /&gt;•Casou-se com a filha de um rico traficante de escravos moçambicano e dada a influência do sogro voltou a ocupar postos importantes na burocracia portuguesa.&lt;br /&gt;•Morreu no continente africano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre as &lt;em&gt;Cartas chilenas&lt;/em&gt;, lembre-se de que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• São a compilação incompleta de 13 poemas satíricos que circularam entre 1787 e 1788.&lt;br /&gt;•O autor usa o pseudônimo Critilo e se dirige a Doroteu (identidade atribuída a Cláudio Manoel da Costa) criticando Fanfarrão Minésio (o governador Luís da Cunha Meneses).&lt;br /&gt;•A maior importância deste texto é o painel social e político que ele descreve. Assim como a sátira de Gregório de Matos no século XVII, Gonzaga nos mostra a fragilidade da estrutura política colonial e os abusos praticados pelo governador da capitania de Minas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não confundir as &lt;em&gt;Cartas chilenas&lt;/em&gt; com a sátira de Gregório de Matos, fique atento aos seguintes aspectos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•Os poemas que compõem as cartas chilenas são anônimos. Gregório declamava seus textos publicamente.&lt;br /&gt;•Gregório faz uso de textos curtos, como o soneto. A estrutura das Cartas chilenas é de um poema longo, sem estrofação e com muitos versos brancos.&lt;br /&gt;•O Boca do Inferno fazia uso de palavras de baixo calão em muitos de seus textos, além de ridicularizar quem criticava por seus defeitos. O texto de Gonzaga é sóbrio na linguagem e na crítica, embora também faça ataque pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, os dois trechos que vimos em sala:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A lei do teu contrato não faculta&lt;br /&gt;que possas aplicar aos teus negócios&lt;br /&gt;os públicos dinheiros. Tu, com eles,&lt;br /&gt;pagaste aos teus credores grandes somas!&lt;br /&gt;Ordena a sábia Junta que dês logo&lt;br /&gt;da tua comissão estreita conta;&lt;br /&gt;o chefe não assina a portaria,&lt;br /&gt;não quer que se descubra a ladroeira,&lt;br /&gt;porque te favorece, ainda à custa&lt;br /&gt;dos régios interesses, quando finge&lt;br /&gt;que os zela muito mais que as próprias rendas.&lt;br /&gt;Por que, meu Silverino? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***********************************************&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Agora, Fanfarrão, agora falo&lt;br /&gt;contigo, e só contigo. Por que causa&lt;br /&gt;ordenas que se faça uma cobrança&lt;br /&gt;tão rápida e tão forte contra aqueles&lt;br /&gt;que ao Erário só devem tênues somas?&lt;br /&gt;Não tens contratadores, que ao rei devem&lt;br /&gt;de mil cruzados centos e mais centos?&lt;br /&gt;Uma só quinta parte que estes dessem,&lt;br /&gt;não matava do Erário o grande empenho?&lt;br /&gt;O pobre, porque é pobre, pague tudo,&lt;br /&gt;e o rico, porque é rico, vai pagando&lt;br /&gt;sem soldados à porta, com sossego!&lt;br /&gt;Não era menos torpe, e mais prudente,&lt;br /&gt;que os devedores todos se igualassem?&lt;br /&gt;Que, sem haver respeito ao pobre ou rico,&lt;br /&gt;metessem no Erário um tanto certo,&lt;br /&gt;à proporção das somas que devessem?&lt;br /&gt;Indigno, indigno chefe! Tu não buscas&lt;br /&gt;o público interesse. Tu só queres&lt;br /&gt;mostrar ao sábio augusto um falso zelo,&lt;br /&gt;poupando, ao mesmo tempo, os devedores,&lt;br /&gt;os grossos devedores, que repartem&lt;br /&gt;contigo os cabedais, que são do reino.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-8257042799224231515?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/8257042799224231515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=8257042799224231515&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8257042799224231515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8257042799224231515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/06/identidade-nacional-crtica-social-no.html' title='Identidade nacional - A crítica social no Arcadismo'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-8955591961942564770</id><published>2007-05-23T15:12:00.000-03:00</published><updated>2007-05-23T16:04:29.027-03:00</updated><title type='text'>Identidade nacional - A crítica social no Barroco</title><content type='html'>O Barroco é o principal movimento artístico do século XVII. É considerado a arte da Contra-Reforma, pois sua visão de mundo está profundamente ligada à angústia existencial do homem cristão. Esse caráter se manifesta de maneira mais clara na poesia lírica de Gregório de Matos, que será estudada no segundo semestre. Por agora, como nosso recorte temático se concentra nas visões da literatura colonial e romântica a respeito da identidade nacional brasileira, vamos nos afastar desse caráter mais próprio do Barroco para estudar um elemento particular da produção literária de Gregório: a poesia satírica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poemas satíricos remontam desde o início da literatura. A arte sempre serviu para, não só exaltar sentimentos pessoais, mas também denunciar a realidade à sua volta. E é exatamente isso que a sátira procura fazer. Às vezes ácida, às vezes bem-humorada, ela expressa a desaprovação que o artista tem de um indivíduo, um comportamento ou uma situação em geral. Está presente nas piadas, nas charges, nas esquetes humorísticas de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da sátira de Gregório de Matos, há uma relação direta com as cantigas de escárnio e de maldizer medievais. O movimento Barroco, de uma maneira geral, resgata uma visão de mundo teocêntrica e medieval, e Gregório de Matos não se afasta dessa tendência, nem na produção lírica nem na satírica. Há, porém, uma liberdade formal muito maior em seus textos satíricos, visto que são considerados mais populares, menos sérios. O que não é, necessariamente, se afastar da tradição medieval: essas cantigas de escárnio e de maldizer não seguiam modelos rígidos, justamente por serem produzidas por artistas populares, de rua. Característica que Gregório de Matos manteve não só na forma mais livre de seus textos como na perfomance que fazia para que viessem a público - ele os declamava em praça pública, nas ruas de Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou me alongar mais. Deixo para vocês os slides que foram vistos em sala de aula. Na dúvida, gritem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contexto histórico em Portugal:&lt;br /&gt;&lt;p&gt;•União Ibérica&lt;br /&gt;•Sebastianismo&lt;br /&gt;•Absolutismo&lt;br /&gt;•Estagnação de Portugal&lt;br /&gt;•Acirramento da Contra-Reforma&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Contexto histórico no Brasil:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;•Comércio extensivo da cana-de-açúcar&lt;br /&gt;•Exploração da colônia&lt;br /&gt;•Formação das primeiras cidades&lt;br /&gt;•Invasões holandesas no nordeste&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;Pe. Antônio Vieira (1608-1697)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•Português, veio para o Brasil com 7 anos de idade.&lt;br /&gt;•Padre jesuíta, ordem na qual ingressou aos 15 anos.&lt;br /&gt;•Conselheiro de D. João IV e mediador político e representante econômico de Portugal&lt;br /&gt;•Sua produção se compõe, principalmente de cartas e sermões, sendo de maior destaque estes últimos.&lt;br /&gt;•Criticou a presença de holandeses em Pernambuco (por serem invasores e calvinistas), defendeu os índios e os judeus, o que o indispôs com muitos, principalmente com os pequenos comerciantes, os colonos que escravizavam índios e até com a Inquisição.&lt;br /&gt;•Foi condenado à prisão por dois anos pelo Tribunal da Santa Inquisição.&lt;br /&gt;•“&lt;em&gt;Vieira era, então, o homem mais odiado de Portugal. E quanto mais era odiado pela Inquisição, mais a desafiava&lt;/em&gt;” (Ana Maria Miranda, no romance Boca do Inferno ).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho do &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal  contra as de Holanda&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1640)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Finjamos pois — o que até fingido e imaginado faz horror, finjamos que vem a Bahia e o resto do Brasil a mãos dos holandeses: que é o que há de suceder em tal caso? Entrarão por esta cidade com fúria de vencedores e de hereges; não perdoarão a estado, a sexo nem a idade; com os fios dos mesmos alfanjes medirão a todos. Chorarão as mulheres, vendo que se não guarda decoro à sua modéstia; chorarão os velhos, vendo que se não guarda respeito às suas cãs; chorarão os nobres, vendo que se não guarda cortesia à sua qualidade; chorarão os religiosos e veneráveis sacerdotes, vendo que até as coroas sagradas os não defendem; chorarão, finalmente, todos, e entre todos mais lastimosamente os inocentes, porque nem a estes perdoará — como em outras ocasiões não perdoou — a desumanidade herética. Sei eu, Senhor, que só por amor dos inocentes dissestes vós alguma hora que não era bem castigar a Nínive. (...)&lt;br /&gt;       Entrarão os hereges nesta igreja e nas outras; arrebatarão esta custódia em que agora estais adorado dos anjos; tomarão os cálices e vasos sagrados, e aplicá-los-ão a suas nefandas embriaguezes. Derrubarão dos altares os vultos e estátuas dos santos, deformá-las-ão a cutiladas, e metê-las-ão no fogo, e não perdoarão as mãos furiosas e sacrílegas nem as imagens tremendas de Cristo crucificado, nem as da Virgem Maria. Não me admiro tanto, Senhor, de que hajais de consentir semelhantes agravos e afrontas nas vossas imagens, pois já as permitistes em vosso sacratíssimo corpo; mas nas da Virgem Maria, nas de vossa Santíssima Mãe, não sei como isto pode estar com a piedade e amor de Filho.&lt;br /&gt;     No Monte Calvário esteve esta Senhora sempre ao pé da cruz, e com serem aqueles algozes tão descorteses e cruéis, nenhum se atreveu a lhe tocar nem a lhe perder o respeito. Assim foi e assim havia de ser, porque assim o tínheis vós prometido pelo profeta: Flagellum non apropinquabit tabernaculo tuo *. Pois, Filho da Virgem Maria, se tanto cuidado tivestes então do respeito e decoro de vossa Mãe, como consentis agora que se lhe façam tantos desacatos? Nem me digais, Senhor, que lá era a pessoa, cá a imagem. Imagem somente da mesma Virgem era a Arca do Testamento, e só porque Oza a quis tocar, lhe tirastes a vida. Pois, se então havia tanto rigor para quem ofendia a imagem de Maria, por que o não há também agora? (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gregório de Matos Guerra, o Boca do Inferno (1633-1696)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•Baiano, estudou no Colégio dos Jesuítas em Salvador e depois cursou Direito em Coimbra .&lt;br /&gt;•Seus poemas satíricos, cujo alvo principal eram o governador Antônio de Souza Menezes, o Braço de Prata, renderam-lhe um período de degredo em Angola, do qual só retornou sob a condição de não produzir mais sátiras e não regressar a Salvador.&lt;br /&gt;•Sua sátira o aproxima dos poetas populares da Idade Média.&lt;br /&gt; •Era irreverente como pessoa e como artista: chocava-se pessoalmente com a falsa moral baiana e usava em suas sátiras palavras de baixo calão; tinha comportamento indecoroso e em suas denúncias não se curvava ao poder de autoridades políticas ou religiosas.&lt;br /&gt;•Na sátira não poupou palavrões e foi além do mero português de baixo calão: inaugurou o uso de uma língua diversificada, cheia de termos indígenas e africanos, gírias e expressões locais&lt;br /&gt;•Temas principais estão a crítica ao governador, ao clero, aos comerciantes, à sociedade e à cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poemas de Gregório de Matos não foram intitulados por ele. As glosas (referências de tema que passam a agir como título de um texto) que receberam foram dadas pelos estudiosos da obra do Boca do Inferno a partir do século XIX. Não deixarei as glosas dos textos, alguns dos poemas que vimos em sala. Para mais textos, vocês podem consultar o site Jornal de Poesia (&lt;a href="http://www.secrel.com.br/jpoesia"&gt;www.secrel.com.br/jpoesia&lt;/a&gt;). Lá é só buscar no menu da letra G o nome do autor. Muita coisa que não pôde ser vista em sala, por n motivos está lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor Antão de Souza Meneses,&lt;br /&gt;Quem sobe o alto lugar, que não merece,&lt;br /&gt;Homem sobe, asno vai, burro parece,&lt;br /&gt;Que o subir é desgraça muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fortunilha autora de entremezes&lt;br /&gt;Transpõe em burro o Herói, que indigno cresce:&lt;br /&gt;Desanda a roda, e logo o homem desce,&lt;br /&gt;Que discreta a fortuna em seus revezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem (sei eu) que foi Vossenhoria,&lt;br /&gt;Quando pisava da fortuna a Roda,&lt;br /&gt;Burro foi ao subir tão alto clima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois vá descendo do alto, onde jazia,&lt;br /&gt;Verá quanto melhor se lhe acomoda&lt;br /&gt;Ser homem embaixo, do que burro em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada canto um grande conselheiro,&lt;br /&gt;que nos quer governar cabana, e vinha,&lt;br /&gt;não sabem governar sua cozinha,&lt;br /&gt;e podem governar o mundo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada porta um freqüentado olheiro,&lt;br /&gt;que a vida do vizinho, e da vizinha&lt;br /&gt;pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,&lt;br /&gt;para a levar à Praça, e ao Terreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos mulatos desavergonhados,&lt;br /&gt;trazidos pelos pés os homens nobres,&lt;br /&gt;posta nas palmas toda a picardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estupendas usuras nos mercados,&lt;br /&gt;todos, os que não furtam, muito pobres,&lt;br /&gt;e eis aqui a cidade da Bahia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-8955591961942564770?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/8955591961942564770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=8955591961942564770&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8955591961942564770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8955591961942564770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/05/identidade-nacional-crtica-social-no.html' title='Identidade nacional - A crítica social no Barroco'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-5703193835834038472</id><published>2007-05-20T23:42:00.000-03:00</published><updated>2007-05-20T23:57:41.604-03:00</updated><title type='text'>Auto da Festa de São Lourenço</title><content type='html'>Quando eu prometo, eu cumpro. E aqui aos 45 do segundo tempo (ou melhor, do domingo, quinze minutinhos para daqui a pouco ser amanhã) eu deixo aqui as respostas da ficha sobre o auto de Anchieta que estudamos na última segunda-feira. Até daqui a algumas horas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Compreendendo a estrutura do texto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 1 -&lt;/strong&gt; Logicamente nem tudo o que foi escrito por Anchieta na peça será dito pelos atores. Mesmo uma leitura feita sem tanta atenção reconhece isso. Os trecho que não pertencem às falas dos personagens são as &lt;strong&gt;rubricas&lt;/strong&gt; da peça. São instruções sobre o que se deve fazer em que momento, como devem ser os figurinos, o cenário, a iluminação. Como o teatro de Anchieta é rústico e feito em condições precárias, nas rubricas do trecho que lemos estão apenas indicações sobre o assunto da peça e sobre as ações dos atores. Em peças mais sofisticadas, o autor indica o que imaginou para a sonoplastia, maquiagem, efeitos especiais, etc.&lt;br /&gt;A diferença que há entre a rubrica e as falas e a forma como são grafadas no texto. A rubrica precisa ser destacada para que os integrantes da peça não tenham dificuldade, na leitura, de separá-las do texto que será interpretado. Freqüentemente a rubrica será escrita entre parênteses e em itálico, como aconteceu na ficha de vocês, mas pode vir destacada de outras maneiras: uma fonte diferente, um parágrafo destacado (se ela for muito longa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 2 -&lt;/strong&gt; A obra simboliza o conflito entre a moral cristã e a moral indígena e representa, através do personagem do anjo e da ação dos santos, a ação da moral cristã sobre o indígena através da pregação dos padres. Para Anchieta o essencial é incutir no índio a idéia de que aquilo que ele, Anchieta, em sua moral cristã, é pecado trará ao índio conseqüências negativas, enquanto agir segundo o que acredita o homem branco trará conseqüências positivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 3 -&lt;/strong&gt; O teatro de Anchieta é muito simples e precisa ser simples dadas as condições de sua produção. Por isso mesmo os tipos humanos são clicherizados, facilmente reconhecíveis. Dividindo-se em protagonistas (mocinhos) e antagonistas (bandidos) os personagens vivem seus conflitos, com a vitória do bem sobre o mal no desfecho da peça. Do lado dos mocinhos (protagonistas) estão os anjos e os santos católicos, neste trecho da peça. Do lado dos bandidos (antagonistas), os demônios. No restante da peça há outros personagens e todos se dividirão nestes dois pólos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 4 -&lt;/strong&gt; Como o intuito de Anchieta é catequisar o indígena, o desfecho da peça visa alcançar este intento. Daí a necessidade de demonstrar a força dos elementos cristãos sobre os pagãos. Ser vitorioso, na cultura indígena, é ser honrado, valoroso. Assim Anchieta criava no índio a expectativa de ser vencedor como os personagens eram, o que facilitava a inculcação dos valores católicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 5 -&lt;/strong&gt; O efeito pretendido por Anchieta era a conversão indígena. Portanto, o provável é que após a encenação os índios que dela participaram ou a ela assistiram pedissem para serem batizados e convertidos, ou, no mínimo, se mostrassem mais receptivos à doutrina católica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-5703193835834038472?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/5703193835834038472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=5703193835834038472&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/5703193835834038472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/5703193835834038472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/05/auto-da-festa-de-so-loureno.html' title='Auto da Festa de São Lourenço'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-2059962321382072352</id><published>2007-05-13T17:45:00.000-03:00</published><updated>2007-05-13T18:13:51.763-03:00</updated><title type='text'>Indianismo Romântico - Respostas da ficha 1</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Olá pessoas!&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Demora um pouquinho, mas eu venho aqui. Sabem como é: com vocês 870 alunos, algumas provas e trabalhinhos simpáticos (não é Yuri? :P) e uma pobre professora que passou a semana doente. (Alguém quer um restinho de gripe aí?)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Demoro, mas venho. Divirtam-se com a análise dos textos e a reposta da ficha 1. Esperem mais um pouquinho que eu posto um comentário desse grupo de escritores e as respostas da ficha 1.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O primeiro texto de Gonçalves Dias, &lt;strong&gt;Deprecação&lt;/strong&gt;, que significa ato de &lt;em&gt;implorar&lt;/em&gt;, nos mostra um eu lírico que é um índio e que se dirige ao deus indígena Tupã (questão 1). Esse índio implora para que Tupã descubra seus olhos do velame (véu) de penas que o impede de ver o que acontece com o povo indígena, dizimado por invasores que possuem armas de fogo (raios) e, por isso, o índio interpreta que são alguma forma de vingança de Tupã, já que ele é o deus dos raios (e trovões) contra seu povo (questão 3, 5, 7). Por isso ele implora que Tupã se apiede de seu povo e os ajude a se defender dos europeus, dando-lhes o poder de combater de combatê-los, ressuscitando o valor indígena (questão 10).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A mudança a que se refere o texto é a transição de um estado de paz inicial, em que os índios se encontrariam em harmonia com a natureza, para um estado de guerra e opressão que se inicia com a chegada dos europeus. Essa, pelo menos, é a visão romântica da vida indígena num momento em que este é o símbolo de pureza e civilidade da pátria. Note que é um desenvolvimento da teoria do bom selvagem, criada no século anterior por Rousseau e já adotada pelos árcades (questão 4).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O eu lírico relembra o passado para demonstrar que seu povo é destemido e enfrentaria de igual para igual os invasores, não fosse o fato de estes manejarem o raio cruento e os índios não terem esse instrumento disponível para si (questão 8). &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Desfazendo o hipérbato, temos: E teus filhos jazem clamando vingança da perda infeliz dos bens que lhe deste e "O Piaga nos disse que seria breve a cruel punição que nos infliges" (questão 9)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O segundo texto de Gonçalves Dias, &lt;strong&gt;I-Juca Pirama&lt;/strong&gt;, mostra-nos um índio que é um cavaleiro medieval típico: ele é bravo e forte (questão 11a), foge com o pai cego para protegê-lo (questão 11c) e para cuidar dele pede para viver (questão12a), o que seria uma desonra para um grande guerreiro, principalmente nas condições em que sua tribo se encontra: foi dizimada e sobraram poucos guerreiros timbiras (questão 11 b). Para isso ele pede "&lt;em&gt;Não vil, não ignavo, / Mas forte, mas bravo, / Serei vosso escravo: / Aqui virei ter&lt;/em&gt;."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Listando as características típicas de cavaleiro medieval, podemos apontar que ele é um guerreiro valente que possui um código de honra que não permitiria descumprir a palavra dada, que o obriga a cuidar dos fracos. Esse cumprimento da palavra oferecida, e o fato de não mentir são elementos típicos do indivíduo naturalmente bom, que ainda não foi corrompido pela civilização (questão 13 a e b, respectivamente).&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O texto de Manuel Bandeira trata-se de uma paródia, pois os valores foram invertidos: o eu lírico não é bravo, não é forte e preza tanto a vida que não se proporia a morrer. As conjunções/locuções conjuntivas que podem ser usadas no lugar de "Bem que" são "Ainda que", "Embora", "Apesar de".&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Quanto à questão 16,o gabarito é letra D.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Bom restinho de domingo e até amanhã!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-2059962321382072352?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/2059962321382072352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=2059962321382072352&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/2059962321382072352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/2059962321382072352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/05/indianismo-romntico-respostas-da-ficha.html' title='Indianismo Romântico - Respostas da ficha 1'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-6317492535915720743</id><published>2007-04-29T12:54:00.000-03:00</published><updated>2007-04-29T13:36:27.962-03:00</updated><title type='text'>Exercícios de Caramuru, O uraguai e orientações para o trabalho</title><content type='html'>Ok, pessoas, minhas criaturinhas do pântano lindas que eu amo tanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu prometi, divirtam-se com os exercícios (e suas respostas) e com a orientação do trabalho (um oferecimento especial de Ana Beatriz e Débora para vocês! O que vocês me pedem sorrindo que eu não faço com um sorriso maior ainda além de divulgar as respostas ANTES de uma prova? ;-) Nadica mesmo!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijinhos e aproveitem o feriado. Porque euzinha mesmo vou corrigir prova! Eita vida de professor!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exercícios&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 1:&lt;/strong&gt; O tema da morte por amor, evocado no episódio do assassinato de Inês de Castro. A diferença é que Inês foi assassinada, sua morte foi provocada por outras pessoas; Moema e Lindóia, por sua vez, deixam-se morrer porque seu amor se tornou impossível: Lindóia procura a morte na floresta e se deixa picar por uma cobra por não conseguir continuar vivendo sem Cacambo; Moema se deixa afogar pelas ondas do mar porque não consegue viver sem a presença de Diogo, que está partindo. Notem que o único amor não correspondido é o de Moema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao evento mais dramático, há aí uma questão bastante pessoal. Eu, particularmente, considero que dos três, sem dúvida, a morte de Inês é mais chocante, até porque a morte não foi procurada por ela. Já entre a morte de Lindóia e a de Moema, eu fico com a primeira. O ponto de vista do narrador, a partir das impressões de Caitutu sobre o morte da irmã tem uma emocionalidade bastante aflorada. Já a morte de Moema é reduzida ao lamento de uma mulher que se considera traída. Trata-se de um escândalo de uma barraqueira, quase, e ainda por cima sem o menor fundamento, pois Diogo nunca deu bola para índia nenhuma a não ser Paraguaçu. Moema só aparece mesmo para morrer. Santa Rita Durão bem que tentou criar um episódio de morte por amor, mas acabou criando uma louca ciumenta obsessiva, como umas personagens de filme de suspense americano classe B. A única diferença é que ela não tentou, como as personagens desses filmes, matar alguém, só a si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 2:&lt;/strong&gt; Não há diferença entre a linguagem do narrador e a linguagem dos personagens indígenas em Caramuru. Santa Rita Durão preferiu investir no artificialismo da linguagem para  tentar manter a sobriedade e eloqüência da epopéia. Não culpem o coitado! Até José de Alencar vai fazer isso com Peri! A adaptação da linguagem literária à linguagem do povo , salvo algumas exceções, só vai acontecer mesmo no modernismo. Oswald de Andrade que o diga! (Eita, olha a dica!!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 3:&lt;/strong&gt; A relação entre personagem e natureza é mais harmônica na morte de Lindóia do que na morte de Moema. Vejam que o mar engole Moema, ela é morta por ele, mas queria, na verdade, ir embora com Diogo. Lindóia não. Ela quer morrer e busca ajuda da floresta para isso. Lindóia está triste e a natureza ao seu redor também é lúgubre (depressiva, sombria, triste): o bosque "escuro e negro" é um "lugar delicioso e triste" e ela escolhe esse lugar para morrer. Lindóia permite que a cobra a envenene, ela deixa a natureza agir sobre ela, segundo o seu desejo. O mar, para Moema, porém, é um obstáculo que a separa de Diogo, e que procura impedir o amor da índia. Veja que Moema tem "ardor" no peito e é tanto ardor que "nem tanta água que flutua vaga / ... / banhando apaga". O obstáculo deveria apagar o amor de Moema, mas não consegue e nem ela deseja que isso aconteça. &lt;br /&gt;Uma observação: notaram que eu deixei um trecho na citação assim: "/.../"? Para colocar o trecho na ordem direta, eu tive que pular uma estrutura. Estando na ordem indireta (e mais difícil de se entender por causa disso), há aí (e em muitas outras partes dos dois poemas) um hipérbato, ou inversão! Lembrem-se que isso é típico da epopéia de Camões e vai continuar nas epopéias brasileiras do século XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 4:&lt;/strong&gt; O fato de Diogo ser tão religioso e de a mulher que escolhe para ser esposa ser uma índia acima das outras índias porque tem características de branca ressalta a superioridade dos portugueses sobre os índios. O indígena que se submete ao branco e à catequese é que é valorizado e é quem pode ascender ao poder social e político na região, pois assim ele deixa der "índio" e passa a ser um "homem civilizado" (ou mulher). E é essa associação entre civilidade e a compleição física e a cultura branca que fazem com que Diogo escolha Paraguaçu. Ela é menos selvagem, mais civilizada, mais apresentável como esposa para a coroa portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Questão 5:&lt;/strong&gt; O poema &lt;em&gt;Caramuru&lt;/em&gt; conta como um único português, Diogo Álvares, através da sua inteligência e religiosidade, domina todas as nações indígenas do litoral da região de Salvador e de Itaparica. Trata-se de um poema que elogia o sucesso português em domar o território e a gente selvagem do Brasil, salvando-a da perdição que os hábitos pagãos representavam. Elegia-se, na obra, portanto, os feitos portugueses, tal qual Camões elogia a conquista do Atlântico por Portugal. A diferença principal é que Camões também critica, enquanto Santa Rita Durão é puramente ufanista (não lembra o que é ufanista? Pegue o dicionário, ué!)&lt;br /&gt;Já em &lt;em&gt;O Uraguai&lt;/em&gt; há um caráter crítico bem mais acentuado. Lembrem-se que Basílio da Gama não era realmente contrário aos jesuítas (do contrário ele não teria sido preso por se corresponder com um!). A obra foi um artifício para ele "limpar a barra" com o Marquês de Pombal. E é por isso que a obra é elogiosa, &lt;em&gt;pero no mucho&lt;/em&gt;. O fato é que, em relação aos jesuítas, Gama se obriga a fazer rasgados elogios à ação portuguesa, mas quanto ao efeito disso na população indígena há um tom muito amargo no poema. Os índios, lembrem-se, foram chacinados na região das Missões, e a simpatia com que Gama os apresenta na epopéia não poderia deixar de lamentar a guerra. Enquanto em &lt;em&gt;Caramuru&lt;/em&gt; o elogio à ação portuguesa se faz sem ressalvas, em &lt;em&gt;O Uraguai&lt;/em&gt; o elogio é mais crítico, pois o herói, Gomes Freire de Andrade, demonstra que há certa injustiça na luta contra os índios, embora tenha que cumprir seu dever, este sim legítimo, de acabar com o domínio dos malvados jesuítas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trabalho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dicazinhas sobre o trabalho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Enxuguem a pesquisa sobre Oswald. Concentrem-se nele. Sobre o movimento a que ele pertenceu (o Modernismo) e as correntes do modernismo em que ele se insere (&lt;em&gt;Movimento do Pau-Brasil&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Antropofagia&lt;/em&gt;) não são necessárias páginas e páginas de pesquisa. As informações essenciais que expliquem as ideologias desses três elementos são suficientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Sobre o poema de Oswald de Andrade, pensem na simbologia do ato de "vestir" e de "despir". Lembrem-se que a forma como nos vestimos é um reflexo do grupo social a que pertencemos. As vestimentas de uma população refletem seus hábitos, suas visões do belo e do feio, seus gostos, enfim, sua cultura. Atentem também para as condições de chegada dos portugueses: em uma, "debaixo de bruta chuva", há um evento; na outra "uma manhã de sol" acontece outra coisa. As condições externas, alheias à nossa vontade, influenciam o que acontece conosco. Vocês podem se preparar para ir a uma festa com a roupa mais linda. Mas se no dia faz muito calor e a programação era uma roupa pesada, escura, é preciso mudar de planos, para que haja uma adaptação a essa condição externa. Se for o contrário: roupa leve, bem fresquinha, e o tempo está frio, é preciso mudar o roteiro para uma nova adaptação a essa condição externa.&lt;br /&gt;Visto isso, agora pensem um pouco: o que é o ato de "vestir" e de "despir" nessa situação de encontro de civilizações? Que condição externa representa a chuva e o sol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Uma metáfora é uma comparação implícita. Se eu digo que "&lt;em&gt;Sigismunda fala &lt;strong&gt;como &lt;/strong&gt;uma matraca&lt;/em&gt;" eu comparo Sigismunda a uma matraca. Mas se eu digo que "&lt;em&gt;Sigismunda &lt;strong&gt;é&lt;/strong&gt; uma matraca&lt;/em&gt;", eu uso uma metáfora. Sigismunda, coitada, não é uma matraca de verdade. Ela se parece com uma porque as duas têm um elemento em comum: fazem muito barulho. Para maiores informações, pesquisem nos livros de vocês e na internet sobre metáforas, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijinhos e fiquem com Deus! Sejam felizes!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-6317492535915720743?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/6317492535915720743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=6317492535915720743&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/6317492535915720743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/6317492535915720743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/04/exerccios-de-caramuru-o-uraguai-e.html' title='Exercícios de Caramuru, O uraguai e orientações para o trabalho'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-2092397562058729809</id><published>2007-04-22T00:29:00.000-03:00</published><updated>2007-04-22T00:31:43.404-03:00</updated><title type='text'>As questões da prova</title><content type='html'>A primeira questão direcionava a leitura do texto para o fato de o autor responsabilizar os índios e não os franceses pelas mortes e danos à região. O enunciado pedia que, para se construir a resposta, fosse considerada a tecnologia dos dois povos.&lt;br /&gt;É de conhecimento universal que as armas mais poderosas, no século XVI, pertenciam aos brancos, sendo, portanto, mais provável que o dano fosse feito pelos franceses, não pelos índios. Assoma-se a isso o fato de a França ter interesses econômicos grandes na exploração do pau-brasil, interesse de lucro que o indígena não possuía. Portanto, o lucro com os ataques aos portugueses é dos franceses e não dos indígenas, alvo fácil dos embates contra as armas européias.&lt;br /&gt;A partir desta reflexão, a resposta que corretamente pode-se inferir do texto para essa pergunta é de que a responsabilização indígena é incorreta, visto que os franceses é que tinham interesse econômico no ataque e poderio militar para provocar tantos estragos.&lt;br /&gt;A partir daí, segue-se a segunda reflexão: que interesse o relator, o informante português tem para atribuir essa responsabilidade a indígenas e não a franceses? Duas possibilidades são as mais evidentes: os indígenas, naquele tempo, como vimos nos demais textos da literatura de informação, eram considerados selvagens, inferiores e perigosos. Portanto, há uma natural tendência de, entre um branco civilizado e um indígena selvagem, atribuir a ação aos gentios. Além disso, uma atribuição dos ataques aos franceses poderia provocar conflitos muito mais preocupantes, dada a força econômica e bélica da França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda questão, de um vestibular da UFPB, apresentava três afirmações sobre o texto e solicitava que se assinalasse a alternativa que apresentava a correta (ou as corretas).&lt;br /&gt;A primeira proposição afirma que o texto faz parte da literatura de informação e justifica essa classificação a partir do objetivo: informar a Portugal sobre a colônia. Essa proposição é verdadeira, tanto no conceito que apresenta de literatura de informação como na classificação do texto de Gabriel Soares, que visa relatar os estragos supostamente provocados por índios nas capitanias de Pernambuco e de Itamaracá.&lt;br /&gt;A segunda proposição afirma que o texto reflete um modelo literário luso-brasileira. Está incorreta, pois, para seguir um modelo literário luso-brasileiro, supõe-se que há produção literária efetivamente, ou seja, produção artística. Além disso, usou-se o adjetivo luso-brasileiro, que assinala uma identidade brasileira que já se firma, embora ainda em associação com a portuguesa. Isso aconteceu nos séculos e movimentos seguintes, mas não no Quinhentismo.&lt;br /&gt;A terceira proposição assinala a importância do Quinhentismo na tradição literária brasileira. Isso foi visto e constantemente repetido em sala: embora não seja literatura, o Quinhentimos inicia a descoberta da identidade brasileira, sendo, portanto, fundador de tradição, que será rejeitada ou copiada pelos movimentos seguintes.&lt;br /&gt;Feitas estas considerações, pode-se perceber que a alternativa correta é aquela que indicar como verdadeiras as proposições I e III. De acordo com o tipo de prova, logicamente, o gabarito se altera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira questão faz afirmações sobre a carta de Caminha. Era uma questão bastante fácil e nela fica uma dica de vestibular: três alternativas eliminavam a si mesmas e, portanto, a resposta ficava já restrita a uma delas. Observe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não há preocupação com a conquista material.&lt;br /&gt;A única preocupação era a catequese dos índios.&lt;br /&gt;Apresenta tato preocupação material quanto espiritual.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não há preocupação material na conquista da terra, evidentemente a única preocupação é espiritual. Assim, considerando-se a primeira alternativa verdadeira, a segunda obrigatoriamente se torna verdadeira também, o que é um vício. Já se considerarmos que há os dois tipos de preocupação, as duas proposições se tornam inválidas. Detalhe: uma questão muito parecida foi vista na revisão da informática e comentamos exatamente este ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, você se pergunta, e as outras duas afirmações, porque estão erradas? Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não cita, em momento algum, os nativos brasileiros.&lt;br /&gt;É representativa do pensamento contra-reformista&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que a Carta de Caminha não cita nossos índios é ter faltado praticamente todas as aulas de fevereiro e nem ter parado para ler as fichas. Absurda esta afirmação. Já afirmar que ela é representativa do pensamento contra-reformista significa dizer que ela ideologicamente tem como principal objetivo combater as heresias reformistas, afastar o homem do pecado e mantê-lo contrito com o catolicismo. A carta possui uma preocupação com a catequese que é reformista, mas seu objetivo principal não é esse. A literatura que vai realmente representar o pensamento contra-reformista será a literatura de catequese do século XVI e a literatura barroca do século XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão 4 foi extremamente batida na revisão. Em Portugal há Quinhentismo porque esta é a denominação genérica para a produção cultural do século XVI. E há Classicismo porque este é o movimento artístico fruto do Renascimento. Já no Brasil não há Classicismo, porque não há produção de literatura. Os nossos escritos não são obras de arte, seu propósito é informativo ou catequético. Há Quinhentismo, porém, pois há produção de cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As questões 5 e 6 tratavam da fala do Velho do Restelo de Os lusíadas. Esse foi o trecho do poema em que mais batemos da tecla. Vimos em sala e na revisão da informática que é uma das partes em que Camões faz a crítica às grandes navegações, e que a outra era o epílogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo disso, já pelos verbos poderíamos eliminar alternativas. Veja:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Abençoa&lt;br /&gt;Critica&lt;br /&gt;Emociona-se&lt;br /&gt;Destrata&lt;br /&gt;Adverte&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abençoar e emocionar-se estão fora de cogitação. Lendo as outras afirmações temos que:&lt;br /&gt;Critica as navegações portuguesas por considerar que elas se baseiam na cobiça e busca de fama.&lt;br /&gt;Destrata os marinheiros por não o terem convidado a participar de tão importante empresa.&lt;br /&gt;Adverte os marinheiros portugueses dos perigos que eles podem encontrar para buscar fama em outras terras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das três a segunda se torna impossível sem nem ser necessária a leitura do trecho apresentado. Se o velho do Restelo é contra a navegação para as Índias, não há sentido em ele desejar ser levado para ela. E se alguém ficou em dúvida entre a primeira e a última, era só ler o texto. O velho menciona, vagamente, que há perigos na viagem, mas ele não intenta dissuadir os marinheiros, advertindo-os. Seu lamento se faz pelo fato de as navegações, no seu ponto de vista, visarem a fama, a glória e a riqueza, a despeito do sofrimento que isso possa causar. Essa parte do texto, por sinal, foi vista em ficha e resolvida em sala.&lt;br /&gt;Portanto, a resposta é a alternativa em que se afirma que o velho critica as navegações portuguesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão seguinte era pura interpretação. E nem de texto, mas de frase. Pedia-se, apenas, que fosse indicada a relação lógica entre as idéias dos versos Chamam-te ilustre, chamam-te subida, / Sendo digna de infames vitupérios.&lt;br /&gt;O primeiro verso mostra que Portugal era uma nação conhecida como grande nação, ilustre, subida, isto é, no alto. Já o segundo diz que o país é digno de infames maldições, xingamentos. Sendo as duas idéias contrárias, claro que a alternativa só pode ser a que afirma que a relação é de oposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão 7 era sobre o Renascimento, movimento cultural do qual deriva o movimento artístico classicista. Eu orientei para que revissem os trabalhos para a prova, não foi? Pois é, estavam avisados.&lt;br /&gt;Em estrutura semelhante à questão 2, aqui se apresentavam informações sobre o Renascimento e se pedia que fosse assinalada a alternativa que contivesse as afirmações corretas. Analisemos cada uma então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira afirmação atesta que o Renascimento se caracterizou pela valorização da razão, do experimento e pelo humanismo. Afirmativa perfeitamente correta e fácil de relacionar a um movimento que enfatiza a razão e a ciência, em oposição à religiosidade medieval. O termo humanismo conecta-se imediatamente ao conceito de antropocentrismo, tão prezado pelos renascentistas.&lt;br /&gt;A segunda afirmação atesta que o movimento expressou o universo mental da nova sociedade, a sociedade burguesa. Ora, o século XVI foi justamente marcado pela transição da sociedade feudal para a sociedade burguesa, que vai se firmar como classe dominante um pouco depois. É no século XVI que o comércio mercantilista se estabelece, em que a economia se centraliza. O que é a exploração das colônias americanas senão uma exploração burguesa (na maior parte da América, pelo menos) de uma terra inexplorada, onde havia a oportunidade do homem livre europeu se tornar senhor de si mesmo?&lt;br /&gt;A terceira proposição afirma que caracterizam o Renascimento o individualismo, o naturalismo e o heliocentrismo. Foi nesta época que a teoria heliocêntrica surgiu pela primeira vez, o que torna a alternativa verdadeira. Também o movimento prega que o homem é senhor do próprio destino, o que o torna individualista. O naturalismo é a busca pela experiência natural, científica, que também tipificaram o século XVI.&lt;br /&gt;A última proposição afirma que é característico do período renascentista produzir obras que glorificavam o Estado, o príncipe e enobreciam sua origem. Quem fez o trabalho com atenção, viu que surge aí o primeiro conceito de absolutismo, doutrina que se opõe diretamente ao modelo de governo medieval. Correta a firmação, portanto.&lt;br /&gt;Analisadas as proposições, verifica-se que a alternativa correta é aquela que apresenta todas as afirmações como corretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A penúltima questão da prova, com o texto Mulheres de Atenas, era, também, a mais simples delas. A questão pedia que se relacionasse o texto com o movimento classicista. A relação mais óbvia e mais profunda é o fato de o texto e o movimento assumirem a cultura grega como um modelo a ser seguido. Mirar-se no exemplo das mulheres de Atenas é mirar-se no exemplo dos gregos que a cidade representa. Em princípio é esta a relação estabelecida.&lt;br /&gt;Alguns alunos me surpreenderam relacionando o luto das mulheres de Atenas ao luto das mulheres e das famílias que o Velho do Restelo menciona em seu lamento. Foi uma leitura interessante essa, e mereceu ser bonificada com parte da pontuação. Pena que vocês complicaram a coisa mais do que ela realmente era e não buscaram no texto aquilo que ele tinha de mais concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última questão foi IDÊNTICA a uma questão de ficha. Apenas o poema de Fernando Pessoa foi trocado. Ela pediu que se classificasse a relação do texto de Fernando Pessoa com o texto da fala do Velho do Restelo e do epílogo de Os lusíadas em paráfrase e paródia e justificasse essa classificação. Ora, vimos em aula e em revisão que nesses dois trechos há a crítica de Camões às grandes navegações. Quem não tinha certeza disso bastava reler o trecho disposto para as questões 5 e 6. O texto de Fernando Pessoa também apresenta um tom melancólico, desesperançoso, pois o país encontra-se em ruínas. O futuro de Portugal, incerto, pobre, sem brilho, como Camões profetizou em Os lusíadas. Há portanto, uma paráfrase na relação dos trechos com o poema, visto que compartilham de uma visão amarga sobre as conseqüências das grandes navegações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-2092397562058729809?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/2092397562058729809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=2092397562058729809&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/2092397562058729809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/2092397562058729809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/04/as-questes-da-prova.html' title='As questões da prova'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-7802463908640885957</id><published>2007-03-31T07:55:00.000-03:00</published><updated>2007-03-31T17:31:16.635-03:00</updated><title type='text'>Fichas de exercícios e revisão</title><content type='html'>Desculpem a ausência... 250 provas de redação me deixaram maluca nas últimas semanas. Além disso, algumas turmas se adiantaram, outras atrasaram e eu não podia atualizar isso aqui até conseguir organizar vocês.&lt;br /&gt;Alguém mandou um comentário para mim pedindo uma revisão sobre Quinhentismo. Vou fazer melhor: vou fazer uma revisão de tudo e deixar junto com isso as respostas das duas fichas de exercícios, a sobre o Quinhentismo (cujos dois primeiros textos são um excerto da Carta de Caminha e a apropriação de Oswald de Andrade desse mesmo trecho no poema "As meninas da gare") e sobre Classicismo (com a ficha de exercícios sobre "Os lusíadas").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quinhentismo e Classicismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como eu disse em sala, a denominação &lt;em&gt;quinhentismo&lt;/em&gt; se conecta ao período histórico. Quinhentismo é a produção intelectual e cultural do século XVI, artística ou não. É por isso que, no Brasil, pode-se dizer que há Quinhentismo, pois há uma produção intelectual escrita nesse período. O que não há é o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Classicismo&lt;/span&gt;, a produção artística fruto do Renascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;O Quinhentismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Marcam os textos do quinhentismo, como vimos na ficha &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Confrontando textos - Ficha de Exercícios 1&lt;/span&gt;, o olhar sobre o índio e sobre a natureza. Esse olhar sobre o índio oscila entre a percepção de sua inocência, como acontece no Texto I da ficha, excerto da Carta de Caminha, e a malícia do colonizador (como Oswald, no século XX, manifesta em &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;As meninas da gare&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;Os exercícios dessa ficha, por sinal, baseiam-se nas relações de paródia e de paráfrase entre textos produzidos em épocas diferentes sobre esses mesmos dois assuntos primordiais da nossa literatura de informação do século XVI: o homem e a terra. Oswald, em seu poema, resgata e redimensiona a primeira impressão do homem português sobre o índio brasileiro, transformando as índias de Caminha nas prostitutas da estação de trem (&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;gare &lt;/span&gt;é uma palavra francesa que significa estaçaõ de trem). A simples atribuição do título faz essa transformação total no texto, que ressalta os malefícios que a civilização européia traz ao Brasil (a prostituição e a miséria que ela representa). O avanço tecnológico existe (os trens), mas ele é pano de fundo, apenas, para a decadência do Brasil, que continua sendo usado pelo viajante, agora quase um turista sexual mesmo, turista de que o Brasil necessita para continuar sobrevivendo, assim como necessita da cultura européia (observe a necessidade do uso de uma palavra de língua estrangeira no lugar da língua portuguesa - ela denota uma influência fortíssima da cultura européia na nossa).&lt;br /&gt;A natureza, no quinhentismo brasileiro, freqüentemente (para não dizer quase sempre) será exaltada em sua exuberância e na sustentabilidade que o homem tem ao se relacionar com ela. É o nosso pau-brasil que sustenta a colônia no século XVI e é o nosso solo cuja fertilidade o próprio Caminha já apontava na famosa Carta que sustentará o Brasil nos séculos seguintes: através do açúcar, do ouro (que também brota da terra), do café... Resgatando esta tradição temos os dois poemas do restante da ficha: &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;À Ilha da Maré&lt;/span&gt;, de Botelho de Oliveira, escrito no século XVII, e &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Ladainha&lt;/span&gt;, de Cassiano Ricardo, escrito no século XX. Em ambos o &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;nativismo&lt;/span&gt; (sentimento de apego à terra natal) é expresso através da exaltação da nossa fauna e da nossa flora, dos nossos animais e das nossas plantas. A diferença consiste na forma como cada autor fez esta exaltação: Cassiano Ricardo o faz através da repetição constante do refrão ( repetição que foram a ladinha do título), que se intercala com digressões mais profundas sobre os elementos que formam a nossa natureza e que vão mostram como o conhecimento sobre o Brasil foi sendo formado no século XVI. Botelho de Oliveira, por sua vez, faz uso de versos livres (sem métrica) com rimas emparelhadas e, no final do trecho que está na ficha, usa a disseminação e recolha com assimetria. A disseminação é o ato de espalhar os conceitos dos quatro AA na penúltima estrofe, que, segundo ele, são perfeitos. A recolha é a reordenação desses quatros AA na última estrofe. Esse processo foi feito com assimetria pela diferença na ordenação desse "espalhamento" e da recolha: o poeta espalhou numa ordem as palavras e recolheu em outra, provavelmente para manter o seu esquema de rima e possivelmente para ordenar os elementos pelo seu valor econômico.&lt;br /&gt;Essas apropriações artísticas dos temas do Quinhentismo, como é fácil de perceber, resgatam muito da visão sobre o Brasil daquele período. A diferença fundamental, porém, é o fato de o fazerem através da criação de uma obra de arte, enquanto que o Quinhentismo brasileiro não constitui um movimento artístico. O primeiro movimento ocorrido aqui no Brasil vai ser o Barroco, no século XVII. Quanto ao primeiro movimento artístico de caráter brasileiro, puramente nacional, aí é outra complicação que nem os críticos mais gabaritados conseguiram resolver consensualmente ainda. São cenas dos próximos capítulos... Por enquanto, relaxem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Classicismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Classicismo é um movimento que nas artes manifesta a nova visão de mundo obtida com a revolução cultural que fez renascer a cultura greco-romana na Europa. Ou seja: é o Renascimento nas Artes.&lt;br /&gt;Sendo parte deste movimento maior que é o Renascimento, o Classicismo compartilha com ele de seus conceitos: o antropocentrismo, a valorização da razão e da contenção emocional. Além disso, vai copiar os preceitos estéticos da arte greco-romana, os quais são transformados em modelos que precisam ser cumpridos para se atingir o belo. Na literatura isso aconteceu com a adoção das estruturas dos gêneros literários como se manifestavam na Grécia e em Roma, tanto na sua constituição lógica como na estética. No nosso estudo imediato nos interessa observar isso no resgate que Camões faz, na literatura portuguesa, do gênero épico.&lt;br /&gt;A epopéia (poesia épica), como foi inclusive abordado na ficha "&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Os lusíadas&lt;/em&gt; - Analisando o texto&lt;/strong&gt;", estrutura-se logicamente em proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo, sempre nessa ordem.&lt;br /&gt;Na &lt;strong&gt;proposição&lt;/strong&gt;, o artista informa qual será o tema de que ele tratará no texto: em &lt;em&gt;Os lusíadas&lt;/em&gt; isso acontece nas duas primeiras estrofes, em que Camões informa que tratará da viagem de Vasco da Gama (toda a primeira estrofe diz isso), da história de Portugal (&lt;em&gt;as memórias gloriosas / Daqueles Reis que foram dilatando / A Fé, o Império, e as terras viciosas / De África e de Ásia andaram devastando&lt;/em&gt;) e dos grandes mitos portugueses - que é o caso de Inês de Castro, por exemplo (&lt;em&gt;aqueles que por obras valerosas / Se vão da lei da Morte libertando&lt;/em&gt;). Na &lt;strong&gt;invocação&lt;/strong&gt;, o artista pede auxílio às Musas, pedindo que elas as inspirem a fazer um bom poema. Na Antigüidade Clássica, recorria-se a Calíope, a musa da poesia épica. Camões inova pedindo auxílio às Tágides, ninfas do rio Tejo, numa clara exaltação nacionalista (afinal ele prefere uma entidade mitológica que seja conectada à nação portuguesa, e não simplesmente uma entidade estrangeira). A invocação ocupa da terceira à quinta estrofe.&lt;br /&gt;Na &lt;strong&gt;dedicatória&lt;/strong&gt;, o artista oferece o poema a alguma figura importante, geralmente de importância política e financeira para ele (lembre-se do papel do mecenas na Idade Moderna). No caso de &lt;em&gt;Os lusíadas&lt;/em&gt;, Camões elege como receptor da dedicatória o rei D. Sebastião. Essa estratégia deu certo: o rei decretou que deveria ser paga uma pensão a Camões enquanto ele vivesse. O problema é que aquilo que se decreta não é necessariamente o que se faz: o autor morreu na miséria. A dedicatória ocupa uma longa parte do primeiro Canto de &lt;em&gt;Os lusíadas&lt;/em&gt;: na ficha, isso representa todas as outras estrofes do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narração contitui o contar a história, especificamente. Nela, Camões faz algumas inovações:&lt;br /&gt;1 - Ao mesmo tempo em que exalta a própria nação, elemento constitutivo típico do gênero épico, ele toma liberdades poéticas que a criação literária permite para criticar o empenho conquistador de Portugal, através da fala do Velho do Restelo;&lt;br /&gt;2 - Introduz os episódios líricos na epopéia: é o caso da morte de Inês de Castro e do lamento do Gigante Adamastor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre essas duas inovações, por sinal, tivemos três questões da ficha, as quais nos ajudaram a compreender melhor estes elementos. A primeira delas foi sobre Inês, descendente de uma família nobre na época da formação do Estado único português. Inês foi apaixonada pelo príncipe Pedro, filho de Afonso IV, e eles viveram um romance adúltero desaprovado pelo rei, que temia a influência dos Castro sobre o futuro regente português. Quando o príncipe Pedro, já viúvo, perde também o filho que teve com a princesa Constança, morta no parto, o rei Afonso teme que os Castro aproveitem a oportunidade para reclamar o trono através de um dos filhos de Inês e de Pedro. Por isso, manda matar Inês, que foi degolada por capangas num local conhecido hoje como Quinta das Lágrimas. Conta a lenda que a água que brota da fonte desta quinta é vermelha, como o sangue derramado de Inês.&lt;br /&gt;Na narração da história portuguesa, Camões revive este episódio trágico da morte de Inês de Castro num dos pontos altos da obra. A ficha reproduziu um pequeno trecho em que um eu-lírico, que reflete sentimentalmente o mundo, fala sobre a morte de Inês. Para isso ele conversa com o sentimento amoroso e com Eros (Amor). Essa imagem pagã valoriza a cena da morte de Inês, que é comparada a um sacrifício a um deus tirano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fala do Velho do Restelo, assim como o Epílogo (conclusão da obra) são os momentos em que Camões toma liberdade para criticar Portugal. Hoje alguém me perguntou se chegam a constituir momentos líricos. Não exatamente. A fala do Velho do Restelo reproduz em discurso direto (sem a intervenção do narrador) a impressão negativa que o personagem tem sobre a conquista portuguesa, a qual, segundo ele, é movida pela cobiça, pela glória, pela fama. Não há um eu-lírico de quem escreve a obra &lt;em&gt;Os lusíadas&lt;/em&gt; se manifestando nela (daí Camões conseguir se disfarçar com o personagem). Também não é o que ocorre no epílogo, já que o que caracteriza esta parte é justamente uma reflexão sobre o que foi narrado e isso constitui naturalmente a obra maior que é a epopéia. É diferente de, na narração, o autor deixar de lado o relato de guerras para contar a história de um amor e nessa história derramar-se emocionalmente no texto. Ou do texto de Fernando Pessoa, em que o poema tem o únco propósito de mostrar a reflexão de seu autor sobre a conquista portuguesa, sem se preocupar, nisso, em fazer uma narração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio do Gigante Adamastor é outro ponto de lirismo na obra. Infelizmente esse lirismo não pode ser percebido no trecho da questão 5 da ficha, pois ela tem como propósito principal trabalhar os conceitos de paráfrase e paródia. Nela se compara a personificação do cabo das Tormentas que fazem Fernando Pessoa e Camões. O momento lírico é posterior à apresentação do personagem, quando ele relata e lamenta seu amor impossível por Tétis, ninfa dos oceanos. Aí existe uma pausa na narração da história de Vasco da Gama, de novo, para que um novo narrador, este sim que se posiciona sobre o assunto, possa contar sua história e se posicionar sobre ela. Quando o Gigante Adamastor se transforma em narrador (enquanto o Velho do Restelo é apenas personagem) ele dá um caráter lírico, pessoal ao que narra. Ah... e sim, existe paráfrase, hamornia, nas duas caracterizações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, é isso. Boa prova segunda-feira e bom fim-de-semana!&lt;br /&gt;Sejam felizes!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-7802463908640885957?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/7802463908640885957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=7802463908640885957&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/7802463908640885957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/7802463908640885957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/03/fichas-de-exerccios-e-reviso.html' title='Fichas de exercícios e revisão'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-1069022324801632616</id><published>2007-03-11T10:04:00.000-03:00</published><updated>2007-03-31T07:55:46.434-03:00</updated><title type='text'>Camões, Os lusíadas e o Classicismo</title><content type='html'>Olá pessoas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem a ausência na última semana, mas a correção de trabalhos (de vocês e dos meus outros 500 alunos) me mantiveram ocupada demais para postar aqui. Mas vamos lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminamos o estudo da literatura de informação com aqueles exercícios com o texto de Oswald de Andrade e com os textos de Botelho de Oliveira e Cassiano Ricardo... Menos a turma A, que não pôde, aindam, trabalhar com este material (mas que o fará em breve). Por essa discrepância eu vou pedir a vocês um pouquinho de paciência para eu postar as repostas aqui, mas não se preocupem, elas aguardarão vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, começamos o estudo desse mesmo período da literatura, mas em Portugal. Vimos, então, duas fichas teóricas sobre Camões e as turmas A, B e E já começaram a exercitar sobre o texto de Camões. Quem não começou ainda, é só aguardar a próxima aula. Quando terminarmos este material, eu deixo as resposta aqui, como sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que falar de Camões então? Muito vocês já descobriram nos trabalhos sobre o século XVI e muito nas nossas fichas teóricas. Estudamos em sala que, sendo representativo do Classicismo português, Camões se pauta em dois grandes autores da tradição clássica greco-romana para fazer seu poema: Homero e Virgílio. Estes dois autores e seus &lt;strong&gt;poemas épicos&lt;/strong&gt; (epopéias) fundaram a tradição clássica que, no século XV foi resgatada inicialmente por Dante Alighieri, autor italiano, em &lt;strong&gt;A Divina Comédia&lt;/strong&gt;, e, depois pelo próprio Camões, na literatura portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que significa "resgatar a tradição da epopéia clássica"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Grécia Antiga, os filósofos Platão e Aristóteles produziram as primeiras teses que embasam a &lt;strong&gt;teoria da literatura&lt;/strong&gt;. Observando a produção de literatura de seu tempo, eles perceberam que poderia agrupar os textos em três categorias distintas, às quais chamaram gêneros literários. São eles: lírico, dramático e épico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A distinção principal entre o primeiro dos dois últimos é o &lt;strong&gt;conteúdo&lt;/strong&gt;. No gênero lírico, importa a apresentação de uma perspectiva, um sentimento, uma reflexão de um "eu" sobre o mundo. Daí vem a expressão "eu lírico". Já no gênero dramático e no gênero épico, importa a narração de eventos que mobilizam personagens. Estes dois gêneros, de conteúdo bastate semelhante, diferenciam-se na forma: o gênero dramático é feito para ser representado (e isso, na Grécia Antiga, significava ser a peça de teatro), enquanto o gênero épico contém um narrador que faz o relato da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não significa, porém, que os textos de romances e contos que costumamos ler são parte do gênero épico. São, sem dúvida, textos de um gênero narrativo sim, mas não são, necessariamente, épicos. Um texto, para ser épico, precisa de um elemento essencial que outras produções narrativas não precisam ter: um herói modelo de civilização, cuja perfeição deve exortar o homem a ser melhor do que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendeu? Então vamos fazer uma comparação só para ilustrar... Se pensarmos em séries de TV como &lt;strong&gt;OC&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Smallville&lt;/strong&gt;, veremos que em OC, os personagens, mesmo aqueles a quem admiramos, são pessoas comuns. Elas podem ser engraçadas, tristes, alegres, têm defeitos e qualidades e delas gostamos, mas elas não são nada além de humanas, com tudo o que um ser humano tem, principalmente os defeitos. Esse tipo de personagem é amado porque seu público se identifica com ele, percebe nele elementos que as pessoas no cotidiano também têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em &lt;strong&gt;Smallville&lt;/strong&gt;, temos um herói bastante clássico. Clark Kent é bom filho, bom amigo e ainda encontra tempo para salvar o mundo. É um personagem altruísta, que prefere sofrer com a ausência de quem gosta a deixar a pessoa em perigo. Apesar de sofrer, ele sempre vai fazer aquilo que é certo, nem que para isso o seu tão importante segredo seja revelado. Ele tem poderes suficientes para dominar o mundo, mas é bom demais para deixar a ambição o dominar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse exemplo de herói exemplar é que corresponde ao herói clássico (herói da literatura clássica grega e romana). Esse herói, para Platão, é que fazia com que as tragédias gregas e a epopéia fossem o gênero literário de maior valor, pois elas estimulariam os homens a serem melhores do que são, exaltando qualidades que todas as pessoas deveriam desejar desenvolver. Com o tempo, além desse componente de "estímulo ao indivíduo melhor", também se associou o componente de "tornar a nação melhor". Foi o que aconteceu na obra de Virgílio e na de Camões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Como assim?", você deve estar se perguntando. Vamos voltar um pouquinho ao que eu falei sobre as obras clássicas e adentrar na obra classicista portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos poemas &lt;strong&gt;Ilíada&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Odisséia&lt;/strong&gt;, Homero se concentra em dois grandes heróis: Aquiles e Ulisses, que servirão de exemplo para o homem grego. Aquiles é o grande herói da guerra de Tróia (embora Ulisses seja o personagem que consegue determinar a vitória dos gregos). Ele é um semideus - e chegou a ser cultuado como Deus por algumas populações do mar morto - e, por isso, tem uma beleza olímpica (ou seja, divina, perfeita), um corpo perfeito, mais ágil, mais forte, mais resistente do que o de qualquer homem comum. E, como foi banhado pela mãe no rio Estige, é também imortal (exceto pelo famoso calcanhar, única parte que não foi banhada pela imortalidade). Em Aquiles, Homero exalta a grandiosidade do herói guerreiro, colérico e impiedoso, mas também demonstra que apenas a força não leva a vencer uma guerra. E nisso entra Ulisses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses, ou Odisseu, era um homem comum, mas nem tanto: por ser rei e por ser ardiloso, inteligente, sagaz como nenhum outro homem grego. A guerra em Tróia não teria sido vencida pelos gregos não fossem os conselhos de Ulisses e o estratagema do cavalo de Tróia, por ele criado. Ulisses passou dez anos tentando regressar à Ítaca, seu reino, após tempo equivalente em guerra. Foi sua inteligência, paciência e persistência que o permitiram não só vencer Tróia e as dificuldades criadas por Netuno para seu regresso como também reassumir seu trono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Aquiles e Ulisses, Homero demonstra as duas principais qualidades desejadas pelos homens gregos: bravura e inteligência. Não há, porém, um compromisso nacional com esses elementos, pois as obras não têm a intenção de fazer propaganda nacionalista. É o que distingue, principalmente &lt;strong&gt;Ilíada&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Odisséia&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;Eneida&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema de Virgílio, como está informado na ficha de vocês, foi encomendado pelo imperador romano Augusto, para que uma obra romana, contando a origem de Roma, superasse a memória das obras gregas e alçasse Roma a um patamar superior na memória da Antigüidade. Daí Virgílio faz o resgate de Enéias, guerreiro troiano sobrevivente da invasão dos gregos, que lidera os troianos por anos de navegação e batalhas até conseguirem se estabelecer na península Itálica e fundar a cidade que originou Roma. Enéias, o herói, além de grande guerreiro é um homem religioso, que se submete aos deuses. A ele, então, são associadas as duas grandes qualidades do homem romano, e que todos os romanos deveriam ter: bravura para a guerra e submissão religiosa aos desígnios dos deuses - qualidade que se associa à piedade e à justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os heróis clássicos são homens incomuns, que estão em um nível se evolução superior, também o herói classicista precisa estar. Daí Camões resgata Vasco da Gama: grande navegador, grande guerreiro, homem justo e cristão. Vasco da Gama vai personificar todo o ideal de perfeição de um homem português em &lt;strong&gt;Os lusíadas&lt;/strong&gt;: bravura (contra o mar e as guerras) e submissão religiosa. Bastante parecido com Enéias, não é verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim e não é à toa essa semelhança, dada a &lt;strong&gt;imitação de modelos&lt;/strong&gt; que caracterizam o Classicismo e que acompanham não apenas o conteúdo, mas também a estrutura dos textos. Essa estrutura-modelo se divide em duas partes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrutura lógica:&lt;br /&gt;São as partes lógicas do relato, semelhantes à introdução, desenvolvimento e conclusão que vocês estudam em produção de texto. À introdução correspondem as três primeiras partes lógicas da epopéia: proposição, invocação e dedicatória. Ao desenvolvimento corresponde à narração e à conclusão o epílogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entenda melhor: uma introdução, em um texto dissertativo, apresenta o tema que será discutido e a abordagem dessa discussão. Na epopéia a proposição indica o tema a que o poeta se propõe a desenvolver; a invocação é a solicitação do apoio das musas (e das ninfas, em Camões) para que o poema seja bem feito; a dedicatória é o oferecimento do texto a alguém importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o desenvolvimento apresenta os argumentos que justificam o ponto de vista defendido no texto. O equivalente a isso, no texto narrativo, é a própria narração em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a conclusão, em um texto dissertativo, é a demonstração final da tese, do que pensa o autor sobre os argumentos expostos. Camões também faz essa avaliação final no epílogo, mas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-1069022324801632616?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/1069022324801632616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=1069022324801632616&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1069022324801632616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/1069022324801632616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/03/cames-os-lusadas-e-o-classicismo.html' title='Camões, Os lusíadas e o Classicismo'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-8451505442711644843</id><published>2007-02-25T08:37:00.000-03:00</published><updated>2007-02-25T09:32:58.223-03:00</updated><title type='text'>A Carta de Pero Vaz de Caminha a El-Rei D. Manuel sobre o Achamento do Brasil</title><content type='html'>Hello, pessoas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhando já no contexto histórico do século XVI? Se tiverem dúvidas, procurem Gerardo, de História! Ele já disse que orienta vocês sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No nosso trabalho com Quinhentismo, já lemos excertos de trechos distintos de obras da literatura de informação, aquela que tem como objetivo reportar à coroa portuguesa e ao povo europeu em geral como é o novo mundo, sua terra, sua natureza e seu povo. Vimos, também, que, além deste tipo de literatura, há um outro, que estudaremos mais à frente: a literatura de catequese. De antemão, já expliquei a vocês que o intuito desta literatura de catequese é promover a conversão dos índios ao catolicismo. Portanto, ainda não estamos no campo da literatura propriamente dita, pois, ainda que os autores da literatura de catequese utilizem poemas, peças de teatro e canções, o objetivo &lt;strong&gt;utilitário&lt;/strong&gt; destas produções (converter os gentios) é que está em primeiro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos textos da literatura de informação do quinhentismo brasileiro, o mais importante, sem dúvida, é a &lt;em&gt;Carta&lt;/em&gt; de Caminha. Como documento histórico, ela faz o papel de "certidão de nascimento" do nosso país, e de nossa identidade enquanto nação também. Identidade que vai sendo moldada, aos poucos, a partir do olhar estrangeiro do homem europeu sobre nossa terra, e que, ao longo do processo de colonização, vai se alterando, em decorrência da miscigenação étnica, do sincretismo cultural e da firmação de uma população que aos poucos se independentiza da Metrópole. Todo esse processo culmina, politicamente, na proclamação da independência brasileira. Mas não é uma processo que termina na Independência, em 1822. Afinal, ainda com ela, continuamos economicamente dependentes (como ainda o somos) de países desenvolvidos e continuamos absorvendo uma cultura estrangeira que vai sendo misturada com a nossa. Ser brasileiro, talvez, no fim das contas, se defina justamente no "ser antropófago" dos nossos índios: alimentarmo-nos do que nos faz mais fortes, e desprezar o resto. Oswald de Andrade, no Modernismo, e Caetano Veloso, na Tropicália, que o digam! Pena que estes movimentos são assuntos que vocês só estudarão no terceiro ano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;em&gt;Carta&lt;/em&gt;, como podemos perceber na colagem que fiz dela (como eu avisei, seria impossível lermos as 13 páginas em aula - o que não impede vocês de buscar o texto integral: ele já foi publicado em livro e existem muitos sites aqui na web que o disponibilizam) manifesta os dois interesses do colonizador em nossa terra - a conquista material e a espiritual - e é um texto de motivo edênico. O interesse pela lucratividade que se poderia obter com a exploração da nova terra se manifesta na associação do gesto do indígena que aponta para elementos do navio e depois para a terra como um sinal de que lá se encontraria a matéria prima daqueles objetos: o ouro e a prata. Já o interesse pela conquista espiritual dos índios - através de sua catequese - está bem demarcado na declaração de Caminha, ao fim do texto "&lt;em&gt;o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente&lt;/em&gt;". Nessa afirmação, Caminha demarca que, dada a ausência de sinais da possibilidade de ouro e prata no Brasil, a atividade que dará mais lucro certo a Portugal é a conquista espiritual. Lembrem que nesta época, dados os eventos da Contra-Reforma, Portugal buscava o prestígio junto à Igreja e ao Papa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motivo edênico, por sua vez, aflora na apresentação do esplendor da natureza brasileira e da inocência dos gentios. O que mais se assemelharia ao Éden do que gente bonita, "de bons rostos e bons narizes" que tem total inocência - aos olhos da moral cristã - acerca da nudez do corpo e que habita uma região, provavelmente uma ilha, em que abundam arvoredos, terra chã (plana, chão) e praia formosa? Infelizmente a moral católica do século XVI e seu radicalismo acerca de certo, errado, pecado e salvação e a conquista material, com a exploração do pau-brasil, da cana-de-açúcar e do ouro vão "contaminar" este paraíso inicial com tudo aquilo que a Europa tinha de negativo: repressão, ganância e luta pelo poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feitas estas considerações, vamos às respostas da ficha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;questão 1&lt;/strong&gt; lembra o estranhamento do português diante dos índios e pergunta o que chama a atenção em relação às índias. Os trechos em que Caminha tratava dessa visão sobre as índias foram suprimidos, e é preciso &lt;strong&gt;inferir&lt;/strong&gt; a respeito dessa impressão, a partir do que foi apresentado como impressão sobre os índios. Ora, Caminha ressalta em sua descrição o exotismo dos índios em seu visual e a inocência com que exibiam "suas vergonhas". Considerando-se isso, podemos afirmar que a nudez inocente das índias é algo tão exótico para o conquistador português que certamente provocou o estranhamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;questão 2&lt;/strong&gt; destaca uma passagem da carta em que Caminha relata os sentimentos provocados pela visão das índias nuas. Nesse trecho, o autor vale-se da dupla atribuição de sentidos à palavra "vergonha". A "vergonha" dos índios e índias são seus órgãos sexuais. A vergonha do conquistador é o constrangimento diante da nudez alheia. Se lembrarmos do excertode Eduardo Bueno, "Vida a bordo", do livro Brasil - &lt;strong&gt;Terra à vista!&lt;/strong&gt;, até o banho era considerado nocivo à saúde, mito criado para reprimir a lascívia que a visão do corpo poderia gerar no bom cristão. Portanto, a&lt;strong&gt; formação moral e religiosa do conquistador associa sexo e nudez a pecado&lt;/strong&gt;, e se confronta com a moral indígena, que encara estes elementos com completa naturalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;questão 3&lt;/strong&gt; trata da comunicação entre portugueses e índios. Na frota de Cabral havia três intérpretes, um para línguas africanas (e que foi o primeiro negro a pisar no Brasil), um para o idioma hindu (afinal a intenção era realmente ir para a Índia - o Brasil foi um mero &lt;em&gt;pit-stop&lt;/em&gt;) e um para outras línguas asiáticas, se não estou enganada.&lt;br /&gt;Apesar de todo este aparato lingüístico, porém, não foi possível haver comunicação entre portugueses e os índios da costa brasileira, que usavam uma língua completamente desconhecida. (Uma não, várias! Havia milhares de tribos distintas e embora muitas compartilhassem de uma mesma língua geral, havia milhares de idiomas diferentes também.)&lt;br /&gt;Como, porém, contar ao rei que com todo o aparato levado, a frota de Cabral foi incapaz de se comunicar com gente tão primitiva? A solução de Caminha foi culpar o mar, que quebrava na costa e fazia barulho. Assim fica adiado o problema e a tripulação não recebe o rótulo de incompetente pelo receptor do texto.&lt;br /&gt;Isto foi no episódio de Nicolau Coelho, sendo as considerações anteriores, portanto, as respostas para os itens A e B da questão 3. Mas antes de prosseguirmos com a questão 3, deixem-me fazer mais uma observação. Posteriormente, quando os dois índios jovens são levados a bordo, caminha lança uma interpretação para os gestos de aponte, demonstrando ao rei que entende o que o silvícola quer dizer, mesmo sem entender o que ele fala. Ou seja, mais uma vez ele contorna o problema, mostrando (ou pelo menos tentando) que a culpa do não-entendimento anterior realmente fora do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;questão 4&lt;/strong&gt; trata do primeiro contato dos índios com Cabral (até então havia se limitado a Nicolau Coelho e aos marujos). Relendo o trecho que trata disto, podemos perceber que Cabral procurou assinalar seu posto de comando com elementos culturais que na Europa seriam facilmente entedidos: estava sentado, bem vestido, e com um estrado de alcatifa onde repousava os pés. Na Europa estes elementos dão destaque à posição superior de quem conta com eles. Mas para os índios brasileiros, não significavam nada. Tanto que eles ignoram o capitão e não o cumprimentam. As disparidades das duas culturas, portuguesa e gentílica são fortemente assinaladas nessa passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;questão 5&lt;/strong&gt;, por fim, trata dos interesses que já foram discutidos no início deste post. Os portugueses, de início buscavam metais preciosos e como não podem confirmar sua existência, há a sugestão da conquista espiritual dos indígenas, através da catequese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, &lt;em&gt;that's all folks&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;Bom domingo e até amanhã!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-8451505442711644843?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/8451505442711644843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=8451505442711644843&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8451505442711644843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8451505442711644843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/02/carta-de-pero-vaz-de-caminha-el-rei-d.html' title='A Carta de Pero Vaz de Caminha a El-Rei D. Manuel sobre o Achamento do Brasil'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-8213583926622585400</id><published>2007-02-17T11:38:00.000-03:00</published><updated>2007-02-17T12:52:53.142-03:00</updated><title type='text'>Exercícios com os textos do século XVI</title><content type='html'>Olá, queridos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, eu demorei dessa vez. Peço perdão e deixo uma justificativa: na soma de três escolas, são 900 e alguns vocês e eu administrando esse pelotão. Por isso, pode demorar um pouquinho chegar a atualização daqui, mas lembrem-se do ditado: Tarda, mas não falha! E eis me aqui, em pleno carnaval, deixando o post com as considerações sobre os textos do século XVI que trabalhamos e a correção dos exercícios sobre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de mais nada, para quem não registrou os títulos que foram cortados, aqui vai:&lt;br /&gt;Texto 1: História da Província de Santa Cruz&lt;br /&gt;Texto 2: Carta de Pero Vaz de Caminha a El-Rei D. Manuel sobre o Achamento do Brasil&lt;br /&gt;Texto 4: A verdadeira história dos selvagens nus e ferozes devoradores de homens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vimos em sala, os objetivos, os emissores e os receptores dos quatro textos, de maneira geral, são os mesmos. Todos visam &lt;strong&gt;informar&lt;/strong&gt; alguém (o povo em geral, da Europa ou de Portugal em específico - apenas o texto 2 fica mais restrito, pois dirige-se à coroa) a respeito da nova terra, seus habitantes e a cultura deles. Os excertos (trechos) que lemos focaram-se no índio, mas as obras em que se inserem e os demais textos da mesma época também abrangeram a natureza, a fauna, a flora e o clima brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta constatação nos permite responder à &lt;strong&gt;questão 1&lt;/strong&gt; da ficha: os elementos que se mostram em comum nos textos é o &lt;strong&gt;objetivo&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;função social exercida por quem escreve&lt;/strong&gt; (mesmo o Pe. Manuel da Nóbrega e Hans Staden, que não estiveram aqui com o propósito de atuarem como informantes, acabam cumprindo este papel ao produzirem os textos que lemos), o &lt;strong&gt;tema&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;público alvo&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A informação veiculada pelos textos baseia-se, principalmente, na descrição física e cultural dos gentios. Quem se difere um pouquinho, neste aspecto, é o texto de Hans Staden, de caráter narrativo. Notem, entretanto, que junto à narração (o que aconteceu) existe uma descrição (como aconteceu). Staden assinala como os gentios são perigosos através de uma descrição de comportamento. Portanto, podemos responder à &lt;strong&gt;questão 2&lt;/strong&gt; assinalando que a para cumprir o propósito informativo da produção escrita - e assim saciar a curiosidade européia sobre o Novo Mundo - , os cronistas (historiadores do tempo presente) e os viajantes concentravam-se na descrição da terra e de sua gente, seja através da caracterização (como nos textos 1 e 2) seja através do relato de costumes (texto 3) ou de eventos específicos (texto 4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mote da descrição (o índio em seus aspectos físicos e culturais) aproxima os quatro textos, de origens e posições ideológicas distintas. Em todos eles, também, prevalece um ponto de vista estrangeiro intrigado com o exotismo do indígena.  Esta constatação responde à &lt;strong&gt;questão 3&lt;/strong&gt;. O ponto de vista ideológico singular da &lt;em&gt;Carta&lt;/em&gt;  de Caminha, destarte, destaca este texto dos demais. Caminha considera os índios bonitos (bons rostos e bons narizes) e não apresenta reprovação aos costumes indígenas, como o fez explicitamente Gândavo e Hans Staden (como comprova o título da obra), e implicitamente Pe. Manuel da Nóbrega. Este implícito está tanto na seleção do ritual antropofágico do indígena como assunto como na relação de Nóbrega com este aspecto cultural: para um padre católico contemporâneo à Contra-Reforma Católica uma atitude como esta representa, no mínimo, um estado completo de incivilidade, o qual, provavelmente, conecta-se a tentações demoníacas e perdição da alma. Tais comparações levam à Carta de Caminha como resposta para a &lt;strong&gt;questão 4&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;questão 5&lt;/strong&gt;, pode ser solucionada de duas formas. Podemos considerar que no nível explícito, o objetivo dos textos realmente não se altera: informar a população européia sobre o Novo Mundo. É uma resposta precisa e aceitável como plenamente correta, inclusive em questão de prova (bastanto, apenas, a apresentação da justificativa para a conquista da totalidade de pontos a ela reservada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, podemos também lançar um olhar mais profundo sobre a ideologia dos textos e seus implícitos. O que desejam os autores ao selecionar as informações que apresentaram em seus textos? Quem informa alguém, informa por uma razão específica, que raramente é altruísta. Gândavo, por exemplo, em seu texto reduziu os índios a animais, com expressões como &lt;em&gt;machos&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;fêmeas&lt;/em&gt;. Além disso infere que a ausência de F, L e R significa a ausência de Fé, Lei e Rei naquela cultura. Como interpretaria isso Portugal? O que se deve fazer com um povo que não tem Fé, Lei e Rei, segundo a interpretação do homem europeu no século XVI? Que ação é impulsionada por essa informação? A dominação parece ser a resposta mais acertada, não é? Portanto, podemos considerar que Gândavo tem como objetivo, também, estimular o povo português a tomar para si a terra e impor sua Fé, sua Lei e o seu Rei àqueles que não têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta intenção colonizadora e dominadora inexiste, entretanto, no texto de Caminha, pelo menos no excerto que lemos. Aparentemente, Caminha se manteve mais neutro em sua posição ideológica, e a informação, no excerto, realmente parece servir apenas para satisfazer a curiosidade real sobre o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto a Nóbrega e Staden? Os excertos parecem intentar demostrar como é perigosa a nova terra e seus habitantes. Provavelmente depois da leitura destes textos, o homem do século XVI não esperaria muito para reagir de forma violenta se encontrasse com indígenas, como realmente acabou ocorrendo - e resultando em extermínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ou outra forma de se responder à&lt;strong&gt; questão 5 &lt;/strong&gt;é satisfatória para nosso início de trabalho. Mas assinalo que esta segunda demonstra uma capacidade de leitura muito mais atenta e aprofundada dos trechos. Gostaria muito que, ao fim de nosso ano letivo, boa parte de vocês tivessem este tipo de análise crítica. Se Deus quiser, chegaremos lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restou-nos a &lt;strong&gt;questão 6&lt;/strong&gt;. Como já assinalamos anteriormente, o título da obra de Hans Staden apresenta um ponto de vista negativo sobre os índios brasileiros: selvagens demonstra um julgamento de valor que parte do ponto de vista do homem europeu. Além disso, as características nus, ferozes e devoradores de homens representam pecado, violência e pecado/ausência de pudor, respectivamente. Isto responde ao item A.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao item B: "descobrir" e "achar" denominam ações diferentes? Pensemos: Isaac Newton "descobriu a lei da atração dos corpos" ou "achou a lei"? Em que consiste uma ação e outra? Ora, nós achamos aquilo cuja existência se conhecia, mas que tinha um paradeiro ignorado ou esquecido. Achamos uma nota de 10 reais no bolso da calça guardada. Um dia aquela nota era conhecida e ali foi esquecida. Achamos um livro que guardáramos em algum lugar, mas que foi dali retirado por outra pessoa. Se Newton houvesse "achado" a lei de atração dos corpos, ela já seria conhecida antes. Como essa lei não era conhecida, trata-se de uma "descoberta". Por isso, dizer que os portugueses "acharam" o Brasil associa-se à idéia de que já se conhecia a existência do Brasil, mas que sua localização não era precisa. Descobrir o Brasil, por outro lado, é encontrar uma terra completamente desconhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para concluirmos, observem o item C: que título se conecta a uma série de eventos e a uma obra longa. A palavra &lt;strong&gt;História&lt;/strong&gt; do título dos textos de Gândavo e de Staden salta aos nossos olhos neste momento. Porém, apenas o título de Gândavo tem esta conotação, pois é a história de toda uma terra, e não apenas de um povo. Presume-se que na província de Santa Cruz existam muitos povos, além de componentes naturais que serão abordados em um compêndio sobre sua história. Já "os selvagens nus e ferozes devoradores de homens" delimitam a concentração do texto de Hans Staden apenas a este povo. Por isso, a resposta é o título do texto 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminamos desta vez por aqui! Aproveitem MUITO o carnaval!!&lt;br /&gt;Beijos e até a próxima!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-8213583926622585400?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/8213583926622585400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=8213583926622585400&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8213583926622585400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/8213583926622585400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/02/exerccios-com-os-textos-do-sculo-xvi.html' title='Exercícios com os textos do século XVI'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-3448159760825729780</id><published>2007-02-05T18:45:00.000-03:00</published><updated>2007-02-05T19:13:35.612-03:00</updated><title type='text'>Exercícios de Interpretação do texto Sangue na Areia</title><content type='html'>Sejam bem-vindos! Este foi um espaço que deu muito certo em 2006 e espero que seja assim também em 2007. Aqui eu deixarei as resoluções de todos os nossos exercícios, textos de apoio e e complementação, material de revisão dos assunto e vocês podem usar os comentários para tirar dúvidas. Assim que for possível, geralmente uma vez por semana, eu postarei aqui e responderei aos comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes das respostas das questões em si, um comentário que eu fiz na maioria das turmas e que alguém pode não ter entendido (e quem faltou não terá a oportunidade de ter contato com esses conceitos a não ser através daqui): todo texto, mesmo que seja um poema sobre o amor ou uma redação científica, tem &lt;strong&gt;ideologia&lt;/strong&gt;. Ter ideologia significa ter um posicionamento político/social. Um poema sobre o amor tem esse posicionamento na medida em que ao expressar o amor, seu autor expressa, mesmo que de maneira muito sutil, sua perspectiva sobre os papéis sociais de homens e mulheres e sobre os relacionamentos humanos. Um texto científico, mesmo que pretenda ser imparcial, já tem um posicionamento ideológico desde o momento em que escolhe seu tema (uma escolha significa dar importância a um elemento em detrimento de outros). Além disso, todo texto de caráter científico segue uma teoria, um entendimento sobre o seu assunto. Caso seu objetivo seja confrontar teorias porque não escolheu ainda uma especificamente, esse também é um posicionamento. Até a imparcialidade é ideológica, pois é a posição de onde se busca olhar o mundo com isenção de julgamento (o que é impossível, no fim das contas, pois sempre há algo de subjetivo em nossas escolhas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se todo texto tem uma ideologia, ele também tem uma &lt;strong&gt;tese&lt;/strong&gt;, ou seja, uma &lt;strong&gt;opinião&lt;/strong&gt;. Mesmo que seu objetivo não seja comprovar para as outras pessoas de que essa tese é a mais correta sobre o tema, todo autor tem uma opinião sobre aquilo que ele escreve ou fala. O que ele não precisa apresentar, necessariamente, são os &lt;strong&gt;argumentos&lt;/strong&gt;. Argumentos são as idéias que usamos para mostrar ao receptor do nosso texto de que a nossa tese é factível, possível, e que ele deveria concordar conosco. São as &lt;strong&gt;idéias que buscam um convencimento&lt;/strong&gt; do leitor a respeito da tese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo disso, podemos entender melhor o que foi pedido na &lt;strong&gt;primeira questão&lt;/strong&gt; do exercício. O enunciado já nos apresentou a tese defendida em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Sangue na areia&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: o filme turistas não prejudica a imagem do Brasil no exterior. Para conseguir comprovar isto ao leitor, Osmar Freitas Jr fez uso de duas idéias principais e de algumas secundárias que as desenvolveram. A idéia principal que ganhou mais força é a de que &lt;strong&gt;Turistas&lt;/strong&gt; é um filme ruim e clicherizado, que foi desprezado pela crítica, teve pouca lucratividade e possivelmente será logo esquecido.&lt;br /&gt;Junto a essa idéia, o jornalista expôs outra, anteriormente no texto, e que tem como finalidade desacreditar os autores do filme. Com a apresentação dos dados estatísticos a respeito do desconhecimento dos americanos sobre seu próprio país, foi posta em cheque a capacidade dos americanos (e o filme é americano) de conhecerem a realidade de outros países. Com esta idéia, o autor desacredita a competência do autor do filme de apresentar o Brasil como ele é. A obra acaba sendo um filme feito por alguém que não conhece o país e por isso aquilo que se diz não tem credibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns alunos perguntaram-me se o fato de o Brasil, segundo o texto, ter uma imagem negativa no estrangeiro anterior ao filme (e nisso chegamos na &lt;strong&gt;terceira questão&lt;/strong&gt;) não poderia ser considerado um argumento favorável à sua idéia. E a resposta é que realmente não podemos deixar de perceber nesse dado um elemento que põe em cheque o impacto negativo do filme, visto que antes dele já havia essa imagem de miséria, violência e sexo fácil. A comprovação de que a imagem é anterior a &lt;strong&gt;Turistas&lt;/strong&gt; é a convenção feita em 2004 para tentar recuperar a imagem do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o outro elemento que exporta a imagem do Brasil para o exterior mencionado por Osmar Freitas Jr foram as notícias ruins veiculadas pela mídia. Alguém me perguntou, creio que no 1ºA, se a Embratur não faria isso também. Não deixa de ser função da Embratur, mas o texto não mencionou este papel, então melhor nos atermos às notícias, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que as possíveis dúvidas tenham sido resolvidas!&lt;br /&gt;Grande abraço e até a próxima!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-3448159760825729780?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/3448159760825729780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=3448159760825729780&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/3448159760825729780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/3448159760825729780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2007/02/exerccios-de-interpretao-do-texto.html' title='Exercícios de Interpretação do texto Sangue na Areia'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-116311658050595164</id><published>2006-11-09T20:18:00.000-03:00</published><updated>2006-11-25T22:30:20.360-03:00</updated><title type='text'>Gabarito da prova e comentários</title><content type='html'>Como eu prometi, deixo aqui o gabarito da prova do dia 08/11.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira questão, discursiva, pediu que vocês detectassem qual é a característica do Romantismo de que fala aquele trecho do prefácio do livro de Gonçalves Dias. Observem que eu não pedi características desse autor, mas sim a que surge nesse trecho específico. Um olhar mais atento conseguiria encontrar na passagem "não têm a uniformidade nas estrofes porque menosprezo regras de mera convenção" o desprezo romântico aos moldes clássicos. Isso pode ser expresso nas repostas com "liberdade de expressão artística", "iconoclastia", "desprezo às convenções artísticas", "desprezo aos modelos clássicos". Não há nenhuma outra característica além dessa no texto apresentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda questão apresentou quatro trechos de poemas. O primeiro pertence a "I-Juca Pirama", pertencendo, portanto, à primeira geração. Isso poderia ser detectado nas referências "arco", "tapuia" e "tapir", de referência ao universo indígena. Portanto, as alternativas A e D ficam excluídas da lista de possibilidades.&lt;br /&gt;O segundo trecho pertence ao poema "Se eu morresse amanhã", de Álvares de Azevedo, e a repetição do refrão que dá título ao poema já apresenta a morbidez e o fascínio da morte típicos da geração ultra-romântica. Assim, o texto II confere com o solicitado, o que elimina a alternativa E.&lt;br /&gt;O terceiro trecho pertence ao poema "Medo de Amar", de Casimiro de Abreu. A referência que o eu-lírico faz ao medo da mulher amada também é uma característica típica da segunda geração e associar texto e característica já nos conduz à alternativa B.&lt;br /&gt;Por fim, o quarto trecho pertence ao poema "Bandido Negro", de Castro Alves. Seu vocabulário com a palavra "algemas" faz já menção à temática libertária característica da terceira geração. Portanto, este trecho fica de fora das possibilidades de resposta correta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira questão contrasta dois textos distintos de Álvares de Azevedo, um pertencente à sua face Ariel e o outro à terceira face, a auto-irônica. Portanto, as percepções do eu-lírico sobre o amor são completamente distintas, e qualquer alternativa que aponte semelhanças completas entre eles está errada. Isto exclui a alternativa D e E. A alternativa A está incorreta pois considera que a poesia da face Ariel de Azevedo apresenta uma realização amorosa completa entre os amantes, o que não ocorre na 2ª geração romântica. A alternativa B está incorreta porque considera que NÃO há rebaixamento do tema amoroso, sendo que a ironia sobre o tema o faz. Por fim, resta a alternativa C, correta, visto que a relação amorosa, na face Ariel de Azevedo, é sempre incompleta, platônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última questão solicitou a correspondência entre os textos e as características apresentadas. O texto A, de Gonçalves Dias, enfatiza bastante a relação do eu-lírico com a natureza. Portanto, corresponde à evasão na natureza. O texto B, de Casimiro de Abreu, apresenta como temática principal a tristeza. Portanto, correponde à melancolia. O texto C, de Junqueira Freire, enfatiza o desejo de morte. Portanto, relaciona-se à evasão pela morte. O texto D, de Gonçalves Dias, expressa a saudade da pátria durante o exílio. Portanto, relaciona-se ao saudosismo. Por fim, o texto E apresenta no trecho "Vivi na solidão" a consciência de solidão, fechando a relação dos textos com as características.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-116311658050595164?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/116311658050595164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=116311658050595164&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/116311658050595164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/116311658050595164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/11/gabarito-da-prova-e-comentrios.html' title='Gabarito da prova e comentários'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-116154232726791675</id><published>2006-10-22T15:13:00.000-03:00</published><updated>2006-11-23T17:55:52.096-03:00</updated><title type='text'>Romantismo</title><content type='html'>Olá, pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria de ter deixado esse post aqui antes, para atender às solicitações de vocês, mas não foi possível. Provinhas e alguns trabalhos para corrigir fazem isso com o fim-de-semana de uma pessoa :P. De qualquer jeito, cá estamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem ainda não aterrisou: prova depois de amanhã sobre ROMANTISMO. Do contexto histórico à segunda geração, cai tudo! E aqui fica uma pequena revisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Romantismo vai inaugurar, na segunda metade do século XIX (1836 a 1881 no Brasil), a arte de expressão burguesa. Embora o movimento árcade já tenha, no período anterior, hasteado, no campo ideológico, a bandeira dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que fundamentam as revoluções burugesas (Revolução Francesa, Revolução Industrial e Independência das Colônias Americanas), a &lt;strong&gt;forma&lt;/strong&gt; de se fazer arte (todas elas, plásticas, cênicas, verbais) era pautada nos ideais clássicos da Antigüidade Greco-Romana, e que foi extensamente repetido pela aristocracia. Assim, esteticamente, até o Arcadismo, as artes eram muito mais voltadas para o ideal aristocrático de beleza (ficando a Idade Média e o Barroco com alguns elementos de apresentação da arte popular, apenas). Somente no movimento romântico que a &lt;strong&gt;estética&lt;/strong&gt; da arte vai se alterar para representar a &lt;strong&gt;concepção de belo da buguesia&lt;/strong&gt; (nova classe no poder).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa concepção vai se pautar pela ênfase na &lt;strong&gt;liberdade de criação&lt;/strong&gt;, que chega à &lt;strong&gt;iconoclastia&lt;/strong&gt; (quebra dos modelos pré-existentes) e à tese da &lt;strong&gt;expressão livre do gênio&lt;/strong&gt;, crença que procurava assegurar a originalidade do texto através da não-revisão deste quando concluído. Isso faz com que a arte romântica oscile entre momentos grandiosos e outros de péssima qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto a essa liberdade criadora, liberdade de expressão, predomina também a busca pelo mundo ideal preconizado pelo lema da revolução francesa na arte romântica. Por isso os personagens do romantismo vão ser tipos cuja diferença de caráter sempre será bastante demarcada. Mocinhos são mocinhos mesmo, perfeitos estetica e moralmente. E os vilões serão sempre a escória total da humanidade, sem nenhum traço de humanização, perdão ou virtude. Pessoas e sentimentos estarão, neste movimento, sempre retratados de maneira completamente parcial e exagerada. O amor, tema tão caro aos românticos, é a mola propulsora do mundo, que pode transformar um homem num louco ou num santo, de acordo com seu caráter original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, uma pausa para não haver a confusão propiciada pelo nome do movimento. Romantismo vem de romance, mas romance nesse caso não é sinônimo de história de amor (essa conotação só foi atribuída depois, e por causa do movimento). Romance é uma estrutura narrativa que foi particularmente desenvolvida nesse período. Lembram da epopéia? Era o gênero narrativo lido feito pela aristocracia. Para se opor a ela, os românticos se dedicarão ao romance: gênero narrativo em prosa, de estrutura mais simples e cujos personagens são centrados nos tipos comuns do cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à programação normal, vamos revisar um pouco das duas primeiras gerações. As distinções entre elas são bastante evidentes: a primeira assinala-se pelo indianismo, a exaltação da pátria e de sua natureza peculiar; a segunda ressalta-se pela melancolia, pela tristeza, pelo pessimismo e a vontade de fugir da realidade. Enquanto há um otimismo e uma utopia inerentes aos românticos indianistas/nacionalistas, os ultra-românticos (ou byronianos, ou geração mal-do-século) apresentam um profundo desgosto pela vida, que ora os faz desejar a morte, ora se manifesta na busca pelos vícios, pelo exílio voluntário numa vida decadente e cínica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que ainda é domingo e há um pouquinho de tempo, aqui fica uma dica de dois filmes que podem ajudar vocês a entenderem um pouquinho melhor o espíritos desses dois grupos de poetas. Pocahontas e Moulin Rouge :P. É sério! O primeiro vai exaltar a natureza americana, a vida natural dos índios, sua bondade natural, seu desapego material, sua perfeição de caráter. No segundo temos em Christian (olha só, Cristão) apaixonado por Satine (Satânica... oposição interessante), um ingênuo escritar que se envolve com uma criatura do "sub-mundo" de Paris. Por esse amor, Christian se envolve profundamente no ambiente decadente do bordel, cai nas garras do absinto (bebida de poder tão destrutivo que matou muita gente e se tornou ilegal) e se torna um pária (como o vemos no início do filme). Observem que enquanto Christian é ingênuo (como a face Ariel de Álvares de Azevedo), a realidade que ele vê é rica, colorida, feliz. Quando Christian perde sua ingenuidade (como a face Caliban de Azevedo), essa realidade passa a ser cinza, escura, decadente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. Espero ter ajudado.&lt;br /&gt;Até a próxima!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-116154232726791675?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/116154232726791675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=116154232726791675&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/116154232726791675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/116154232726791675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/10/romantismo.html' title='Romantismo'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-116023613257563627</id><published>2006-10-07T12:27:00.000-03:00</published><updated>2006-10-22T15:11:48.633-03:00</updated><title type='text'>Instruções de apoio para o trabalho e exemplos</title><content type='html'>Demorou mais do que eu gostaria a oportunidade para que eu pudesse sanar as últimas dúvidas de vocês, mas finalmente estou podendo redigir este post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira coisa: relaxem! Vocês estão complicando mais o trabalho do que ele realmente é. A reescritura não é um tratado de pós-graduação, nem estou exigindo de vocês uma linguagem rebuscada. A linguagem que vocês devem usar deve ser coerente com a ambientação que vão dar ao diário, essa é a única exigência. Se vocês planejaram fazer um diário informal, podem fazer uso de uma linguagem informal também, com gírias e abreviações até. Só tenham o cuidado de fazer com que essa informalidade seja coerente, também, de acordo com o perfil desse eu-lírico (a idade dele, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo: como um diário é um texto pessoal, me primeira pessoa, usem essa primeira pessoa sim! Como eu falei em sala, a premissa do trabalho é: como Cecília Meireles teria organizado o planejamento do Romanceiro da Inconfidência durante sua viagem à região de Ouro Preto através de anotações em um diário? Ou seja: à medida que ela conhece o ambiente e o pesquisa, quais são as imagens que ela começa a selecionar para produzir os poemas? É claro que nem tudo que está no planejamento necessariamente está no livro: podem faltar idéias, sobrar ou ela pode, ao longo do diário, mudar de opinião e modificar a forma que havia planejado para produzir um poema X.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo vou deixar um exemplo para vocês de como organizar um capítulo (data) do diário. Para vocês não se perderem, nele está a reescritura do &lt;em&gt;Romance VIII ou Do Chico-Rei&lt;/em&gt;. Por favor, &lt;strong&gt;não copiem&lt;/strong&gt;. A originalidade é um dos critérios de correção do trabalho de vocês. E, lembrando: entrega dia 17/10.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer dúvida, mandem um comentário por aqui que eu respondo assim que puder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mais,&lt;br /&gt;Bianca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20/04/1940&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os folclores que compõem essa cidade são realmente incríveis. Contaram-me hoje a história do Chico-Rei e ela é tão pitoresca que não poderia deixar de transformar em poema. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dizem que o Chico-Rei era um escravo do Congo, rei de seu povo e que aqui trabalhou na mineração do ouro. Conseguiu, de algum modo, alforriar o próprio filho, mas ele mesmo, embora fosse um líder dos outros escravos, não conseguiu a própria liberdade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;É interessante... isso de liberdade é tão presente na história e nas estórias daqui! Os homens buscaram o ouro, buscaram os diamantes, buscaram a independência, sempre querendo liberdade, liberdade e sempre sendo sufocados pelos poderosos. Quando penso nisso me vem a imagem de um grande tigre, um tigre que ruge, que assusta, que devora os que tentam alcançar a liberdade... Acho que posso usar isso: o tigre ruge e o Chico-Rei conta sua história, sua falta de liberdade. Talvez eu possa mostrar no fim do poema que todos, no fim das contas, eram explorados, escravos. Cativos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-116023613257563627?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/116023613257563627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=116023613257563627&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/116023613257563627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/116023613257563627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/10/instrues-de-apoio-para-o-trabalho-e.html' title='Instruções de apoio para o trabalho e exemplos'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-116001169604228081</id><published>2006-10-04T22:18:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T12:25:45.326-03:00</updated><title type='text'>Ciclo do diamante, ciclo da liberdade e Destinos</title><content type='html'>Continuando a transposição dos slides para vocês, deixo aqui os slides sobre os dois últimos ciclos do Romanceiro: o ciclo do diamante e o ciclo da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até sexta-feira, no máximo, deixo para vocês aqui um exemplo de como estruturar o trabalho. Tentarei também emitir cópias para entregar a vocês na próxima semana. Lembrando, como vocês já devem saber, a data de entrega do trabalho ficou para o dia 17/10, a terça-feira após o feriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ciclo do diamante&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;O ciclo do diamante é narrado principalmente através da história de Chica da Silva, de seu amante, o contratador Fernandes e do Conde de Valadares. Trata-se de uma passagem relativamente breve, em que o rio Tejuco, fonte de diamantes da época (e por isso, atual Diamantina) lamenta a sorte de seus personagens. Rio e homens, em nova união da natureza com o ser humano, vão compartilhar o lamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim do ciclo do diamante traz os maus presságios que intitulam o último romance antes da mudança de cenário. Chega-se a hora de se fundarem as Arcádias e da palavra liberdade começar a ser espalhada na região. Neste romance, o eu-lírico critica a vilania dos fidalgos “&lt;em&gt;que reinam mais que a Rainha&lt;/em&gt;” e a exploração abusiva da região “&lt;em&gt;Sobre o tempo vem mais tempo. / Mandam sempre os que são grandes: / e é grandeza de ministros / roubar hoje como dantes. / Vão-se as minas nos navios... / Pela terra despojada, / ficam lágrimas e sangue&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ciclo da liberdade&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o &lt;strong&gt;Cenário&lt;/strong&gt; após o Romance XIX insinua-se o mau tempo vindouro para a liberdade, freqüentemente retratada como luz, assim como a razão. A névoa “&lt;em&gt;chega, envolve as ruas, / move a ilusão de tempos e figuras&lt;/em&gt;” e “&lt;em&gt;vai formando / nublados reinos de saudade e pr&lt;/em&gt;anto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A este &lt;strong&gt;Cenário&lt;/strong&gt; lúgubre, segue-se a &lt;strong&gt;Fala à antiga Vila Rica&lt;/strong&gt; e os romances que contam a criação das Arcádias, templo para nascerem as idéias, que vão se espalhando no fim das estrofes como se espalharam pela cidade. A idéia de liberdade se espalha e leva o povo a tentar ter sua própria riqueza, ainda que através de diamantes extraviados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morre um príncipe de Portugal, filho de D. Maria I, a rainha louca, e esta é também uma esperança que morre. Nas exéquias (ritos fúnebres) do príncipe, muita agitação. Alguma coisa está sendo tramada - "&lt;em&gt;já ninguém quer ser vassalo&lt;/em&gt;". Por isso as idéias começam a se transformar em ações e a formular a bandeira da Inconfidência. Inicia-se a semana santa de 1789 e, com ela, a caracterização dos personagens envolvidos: o Alferes (Tiradentes), Joaquim Silvério, Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Marília, o Embuçado (personagem folclórico cuja veracidade não se conhece, que teria tentado salvar Cláudio Manoel da Costa) além dos tipos populares da cidade: as velhas piedosas, os tropeiros, as pilatas (prostitutas), as sentinelas, os delatores, e personagens menores do período (Francisco Antônio, o sapateiro Capanema, o padre Rolim).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem seguir uma ordem cronológica clara, os poemas vão se alternando, apresentando os diversos pontos de vista sobre os mesmos eventos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os romances dedicados aos personagens vão se alternando ainda os que narram os eventos (conversas indignadas, seqüestros de bens, sentenças, o leilão dos bens de Tiradentes, seu enforcamento – em 21 de abril de 1792, três anos depois de ser preso - e esquartejamento) e os poemas avaliativos (&lt;strong&gt;Fala aos pusilânimes&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Do jogo de cartas&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Das palavras aéreas&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Da reflexão dos justos&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambição gera injustiça.&lt;br /&gt;Injustiça, covardia.&lt;br /&gt;Dos heróis martirizados&lt;br /&gt;nunca se esquece a agonia.&lt;br /&gt;Por horror ao sofrimento,&lt;br /&gt;ao valor se renuncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E, à sombra de exemplos graves,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;nascem gerações opressas.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Quem se mata em sonhos, esforço,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;mistérios, vigílias, pressas?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Quem confia nos amigos?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Quem acredita em promessas?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Que tempos medonhos chegam,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;depois de tão dura prova?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Quem vai saber, no futuro,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o que se aprova ou reprova?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;De que alma é que vai ser feita&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;essa humanidade nova?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Epílogo:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Epílogo, como já estudamos ao nos debruçarmos na estrutura do texto épico, é a parte final de um poema narrativo, na qual o narrador (ou eu-lírico, no caso do texto de Cecília) faz uma avaliação final dos eventos por ele contados. Este epílogo, porém, ao invés de ser apenas um poema, compõe-se de vários, os quais contam os destinos dos personagens envolvidos. Podemos, por isso, também chamar esta parte de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Destinos&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente a transição do ciclo da liberdade para o epílogo é feita através de um &lt;strong&gt;Cenário&lt;/strong&gt;. Trata-se de um ambiente ermo, abandonado e já sem vida, como ficaram as Minas após as penas aos inconfidentes (as mortes e os degredos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu início se dá com as falas dos maldizentes, que comentam o destino dos inconfidentes e, depois, o destino de Gonzaga, que, após prisão na masmorra da Ilha das Cobras foi degredado para a África negra (Moçambique), onde se casou com Juliana Mascarenhas. Neste epílogo apresenta-se também o destino de Marília (Maria Dorotéia), inconformada com as notícias do casamento. Ela se desfigurou pelo tempo (olha o carpe diem!) e pela Inconfidência e finaliza o poema com seu testamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro destino apresentado é o de Alvarenga Peixoto (também poeta, cujo pseudônimo era Alceu, desterrado em Angola ), Dona Bárbara Eliodora, sua "estrela do norte" e de Maria Ifigênia, filha do casal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eles segue-se uma mudança de cenário para se apresentar o destino de D. Maria I, que mandara executar os inconfidentes da sua coroa, acaba se tornando prisioneira do seu próprio destino: ela que executava tantos, com masmorras , desterros, forcas, torna-se prisioneira da loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, vem a &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fala aos Inconfidentes mortos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, avaliação final dos eventos narrados, num cenário desolador e triste, quando nada mais resta dos sonhos e ideais pretéritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Treva da noite, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;lanosa capa &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;nos ombros curvos &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;dos altos montes &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;aglomerados... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Agora, tudo &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;jaz em silêncio: &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;amor, inveja, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;ódio, inocência,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;no imenso tempo &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;se estão lavando... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;não, não se avistam&lt;br /&gt;Grosso cascalho &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;da humana vida... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(e covardias!) &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;vão dando voltas &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;no imenso tempo - &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;à água implacável &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;do tempo imenso, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;rodando soltos, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;com sua rude &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;miséria exposta...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Parada noite, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;suspensa em bruma:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;os fundos leitos... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Negros orgulhos,&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Mas, no horizonte&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;ingênua audácia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;do que é memória&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e fingimentos&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;da eternidade,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;e covardias&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;referve o embate&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de antigas horas,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;de homens antigos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;E aqui ficamos todos contritos,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;a ouvir na névoa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;o desconforme,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;submerso curso&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;dessa torrente do purgatório...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Quais os que tombam,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;em crimes exaustos,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;quais os que sobem,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;purificados? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, tudo jaz em silêncio: amor, inveja, ódio, inocência, no imenso tempo se estão lavando, declara a poetisa na &lt;strong&gt;Fala aos inconfidentes mortos&lt;/strong&gt;. No horizonte eterno há de ficar sempre o anseio de liberdade, e só o purgatório do tempo está apto às ações vis e nobres dos homens da terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-116001169604228081?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/116001169604228081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=116001169604228081&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/116001169604228081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/116001169604228081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/10/ciclo-do-diamante-ciclo-da-liberdade-e_04.html' title='Ciclo do diamante, ciclo da liberdade e Destinos'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-115958277874611815</id><published>2006-09-29T23:03:00.000-03:00</published><updated>2006-09-29T23:19:38.766-03:00</updated><title type='text'>Voltando ao Romanceiro da Inconfidência</title><content type='html'>Como eu prometi, volto a postar os slides sobre o Romanceiro da Inconfidência. Se houver tempo, no fim de semana, eu posto um exemplo de adaptação de um dos poemas para a estrutura do diário. Só não vale copiar: critividade é um dos critérios para a atribuição da nota! :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Os ciclos&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Podemos dividir os fatos que compõem a narrativa de “Romanceiro da Inconfidência” em três partes ou ciclos: &lt;/div&gt;a) ciclo do ouro;&lt;br /&gt;b) ciclo do diamante;&lt;br /&gt;c) ciclo da liberdade (ou da Inconfidência)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos estes ciclos envolvem a ascensão e a queda dos elementos. Notem que há uma gradação de valor nos elementos: ouro, diamante, liberdade. Como o ouro e o diamante, a liberdade brilhou intensamente nas Minas Gerais, mas como o ouro e o diamante, a liberdade trouxe desgraças, masmorras e mortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Ciclo do ouro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Fala inicial&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: apresenta a proposta geral do Romanceiro. O eu-lírico se apresenta dentro das cenas que comporão a história, com uma percepção mesmo física do que acontece (sinto, percebo, vejo, avisto). Ocorre aqui uma espécie de materialização desse eu-observador, que relata o que encontra em momento presente, mas já conhecedor dos fatos em sua totalidade. Os julgamentos e o convite à reflexão são típicos de passagens como&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ó meio dia confuso,&lt;br /&gt;ó vinte-e-um de abril sinistro,&lt;br /&gt;que intrigas de ouro e de sonho&lt;br /&gt;houve em tua formação?&lt;br /&gt;Quem ordena, julga e pune?&lt;br /&gt;Quem é culpado e inocente?&lt;br /&gt;Na mesma cova do tempo&lt;br /&gt;cai o castigo e o perdão.&lt;br /&gt;Morre a tinta das sentenças&lt;br /&gt;e o sangue dos enforcados...&lt;br /&gt;-liras, espadas e cruzes&lt;br /&gt;pura cinza agora são.&lt;br /&gt;Na mesma cova, as palavras,&lt;br /&gt;o secreto pensamento,&lt;br /&gt;as coroas e os machados,&lt;br /&gt;mentira e verdade estão.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Ó grandes muros sem eco,&lt;br /&gt;presídios de sal e treva, &lt;br /&gt;onde os homens padeceram&lt;br /&gt;sua vasta solidão... &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Não choraremos o que houve, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;nem os que chorar queremos:&lt;br /&gt;contra as rocas da ignorância&lt;br /&gt;rebenta nossa aflição.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Choraremos esse mistério,&lt;br /&gt;esse esquema sobre-humano,&lt;br /&gt;a força, o jogo, o acidente&lt;br /&gt;da indizível conjunção&lt;br /&gt;que ordena vidas e mundos&lt;br /&gt;em pólos inexoráveis&lt;br /&gt;de ruína e exaltação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ó silenciosas vertentes&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;por onde se precipitam&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Inexplicáveis torrentes, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt; por eterna escuridão.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cenário&lt;/em&gt;: apresenta o passeio do eu-lírico pela cidade de Vila Rica. Nesta passagem, o eu-lírico se conecta com o passado, vislumbrando os acontecimentos de outrora nos detalhes da cidade e da paisagem. O cenário (os lugares da cidade) e o eu-lírico compartilham os mesmos sentimentos e lembranças, numa fusão do eu com a paisagem que muito lembra a fusão dos árcades com o espaço natural. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Passei por entre as grotas negras, perto&lt;br /&gt;dos arroios fanados, do cascalho&lt;br /&gt;cujo ouro já foi todo descoberto.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;As mesmas salas deram-me agasalho&lt;br /&gt;onde a face brilhou de homens antigos,&lt;br /&gt;iluminada por aflito orvalho.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;De coração votado a iguais perigos,&lt;br /&gt;vivendo as mesmas dores e esperanças,&lt;br /&gt;a voz ouvi de amigos e inimigos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Vencendo o tempo, fértil em mudanças,&lt;br /&gt;conversei com doçura as mesmas fontes,&lt;br /&gt;e vi serem comuns nossas lembranças&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Da brenha tenebrosa aos curvos montes,&lt;br /&gt;do quebrado almocafre aos anjos de ouro&lt;br /&gt;que o céu sustém nos longos horizontes,&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;tudo me fala e entende do tesouro&lt;br /&gt;arrancado a estas Minas enganosas,&lt;br /&gt;com sangue sobre a espada, a cruz e o louro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Tudo me fala e entendo: escuto as rosas&lt;br /&gt;e os girassóis destes jardins, que um dia&lt;br /&gt;foram terras e areias dolorosas,&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;por onde o passo da ambição rugia;&lt;br /&gt;por onde se arrastara, esquartejado,&lt;br /&gt;o mártir sem direito de agonia.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Romances&lt;/em&gt;: começam com a busca pelas jazidas até sua descoberta, envolvendo as lutas e mortes que se deram no processo, provocadas pela ambição desmedida. Depois, a partir da descoberta de Ouro Preto (e conseqüente fundação de Vila Rica), aprofunda-se o olhar sobre a cobiça e a ganância dos homens, que, no início, matava animais, florestas e vai se alastrando, como doença, até se matar tudo que há no caminho. É uma doença que se perpetua no tempo, atravessando as gerações “&lt;em&gt;E gerações e mais gerações de netos afundariam nesse abismo&lt;/em&gt;” e atingindo a sociedade de modo a se registrar em seu folclore (é o ouro que cria o tipo folclórico “caçador feliz”. É o ouro que provoca o assassinato da donzela pela mão de seu pai) e em sua história (o assassinato de Felipe dos Santos morto e esquartejado pela fúria do Conde de Assumar). O Brasil é então apenas o menino adormecido, mas já prenuncia nesse herói a força e a coragem do Alferes inconfidente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir daí, oscilam os elementos históricos factuais com os registros do cotidiano e da sociedade da época do ciclo do ouro. O romance “Da transmutação dos metais” brinca com o mito medieval dos alquimistas e o romance “De Nossa Senhora da Ajuda” descreve uma cena fictícia do Alferes ainda criança tendo sua sina demarcada nas suas súplicas e nas que o eu-lírico faz à santa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-115958277874611815?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/115958277874611815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=115958277874611815&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115958277874611815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115958277874611815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/09/voltando-ao-romanceiro-da-inconfidncia.html' title='Voltando ao Romanceiro da Inconfidência'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-115862726478246749</id><published>2006-09-18T21:22:00.000-03:00</published><updated>2006-11-17T17:54:21.696-03:00</updated><title type='text'>Sobre Caramuru</title><content type='html'>Vocês me pediram muito para postar aqui sobre Caramuru, tema do nosso exercício desta semana. Pois bem, vamos fazer uma pequena revisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema Caramuru foi escrito por Frei José de Santa Rita Durão em 1781. Trata-se de um épico bastante tradicionalista, o qual resgata todas as regrinhas clássicas de uma epopéia: 10 cantos, em oitava rima do tipo ABABABCC, cujo assunto é uma vitória de um grande herói de uma passado remoto, a qual representa a vitória de uma nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa história, por que real, é a de Diogo Álvares Correia, náufrago português que conseguiu se tornar grande chefe dos índios tupinambás na Bahia, e auxilou a fundação da cidade de Salvador. O poema ficcionaliza a vivência de Diogo no Brasil até o momento em que este se tornou, efetivamente, funcionário do governo português. Vai, portanto, do naufrágio até o encontro com os representates nomeados para a capitania da Bahia, de volta a Salvador. Desta ficção, o que se sabe que realmente aconteceu foi o relacionamento de Diogo com Paraguaçu, a viagem deles à Europa para que se batizassem e se casassem e o retorno ao Brasil. O restante é baseado em folclore, em lendas, sem registro histórico oficial e, por isso, elementos de veracidade duvidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com "Caramuru", Santa Rita Durão aborda o indígena do ponto de vista da catequese (Diogo no livro é um personagem muito religioso), a qual servirá como elemento de dominação, de amansamento e de transformação do índio de um selvagem para um humano. Observem que Paraguaçu, a índia por quem Diogo se apaixona e se casa, é descrita com traços brancos, e sabe falar português. Ou seja, dentro de tantas índias que foram oferecidas a Diogo, a única digna de sua atenção (por que no livro ele é um herói casto) é aquela que se assemelha com uma européia.&lt;br /&gt;As demais, como Moema - cuja morte por afogamento, na tentativa de alcançar o navio em que Diogo parte com Paraguaçu para a Europa, é o momento de lirismo mais intenso no livo - não mereceram a atenção do herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caramuru - A invenção do Brasil, seriado da rede Globo para a comemoração dos 500 anos de descobrimento do nosso país, em 2000, por sua vez, é uma releitura irônica sobre os mitos da colonização brasileira e de seus heróis. O Diogo que assistimos na obra de Guel Arraes, transformada em filme tempos depois, é o típico anti-herói: medroso, covarde até, inconseqüente muitas vezes, bobo outras tantas. As mulheres da narrativa (Paraguaçu, Moema, Isabelle) têm Diogo na mão, sempre conseguindo dele o que querem. No lugar do herói, corajoso, que domina os índios por sua inteligência e que guerreia com bravura, temos, no filme, um artista sonhador, quase inocente, que se deixa cair facilmente nas situações arquitetadas pelos outros personagens. O domínio dos tupinambás vem por uma mera obra do acaso (ou da fé).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Diogo não é o grande herói da obra, quem toma seu lugar? Para resolver isso, é só lembrar quem consegue transformar toda situação da obra a seu favor. Pensem no final, em que Isabelle tenta, de todas as formas, conseguir o poder casando-se com Diogo... Quem consegue fazer com que a vilã se dê mal? Paraguaçu. A índia, esperta como ela, faz com Diogo o que quer, e consegue também manipular até Isabelle, uma cortesã experiente e cheia de lábia. Paraguaçu e Diogo se complemente em ingenuidade e esperteza e juntos é que vão criando essa espécie de identidade nacional, malandra, preguiçosa, sonhadora. Por isso o filme vai além de um relato de um evento histórico: ele acaba simbolizando a criação da identidade nacional, que mistura o romantismo, a melancolia e os altos ideais de Diogo, a Europa, com a picardia, a sensualidade e a praticidade dos indígenas, representada por Paraguaçu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante assinalar também uma visão do índio muito marcante em toda obra. Longe de ser um "bom selvagem" ou de apenas um "selvagem", o índio brasileiro é apontado às vezes com malícia e uma certa dose de preconceito, às vezes com bom humor e boa dose de realismo. A cultura índia, em seus costumes rituais, como a antropofagia, e em sua liberdade sexual, além do desapego à matéria, e o conseqüente choque com os valore europeus são várias vezes reforçados no filme, com bastante isenção até. Porém, ao mesmo tempo, boa parte dos momentos cômicos da obra baseiam-se na caricatura do índio como preguiçoso ou promíscuo, o que pode revelar um estereótipo talvez bastante afastado da realidade. O indígena, no filme, é uma figura pitoresca, ambígua, engraçada, mas da qual raramente se tem uma relação de identidade como se tem com personagens mais realistas (a sensação de conhecer alguém daquela maneira ou de ser um pouco parecido com ele).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, é isso. Entre filme e livro, conforme estudamos, há uma relação de paródia bastante marcante. Na intenção de resgatar o livro e atualizá-lo, personagens foram acrescentados, retirados, modificados (como é o caso de Moema). Tudo para se reforçar a ironia sobre a ingenuidade propagada pelo texto de Santa Rita Durão e enfatizar-se as reais motivações dos homens europeus da época (exploração de ouro, da colônia e de sua gente). Ter uma visão ampla de uma e de outra ora é de extrema importância para que se possa discutir a identidade nacional, conforme vista no passado e no presente. Ufanismo e utopia confrontam-se, na mesma história, com criticidade e ironia. Estas são palavrinhas chaves para entender-se as obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que o texto tenha ajudado.&lt;br /&gt;Beijos e até a próxima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-115862726478246749?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/115862726478246749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=115862726478246749&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115862726478246749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115862726478246749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/09/sobre-caramuru.html' title='Sobre Caramuru'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-115771937052630797</id><published>2006-09-08T09:26:00.000-03:00</published><updated>2006-10-27T12:22:11.030-03:00</updated><title type='text'>Romanceiro da Inconfidência</title><content type='html'>Como vocês pediram, vou deixar os slides da aula sobre o livro. A cada dia, nesse feriadão, deixarei para vocês um slide, para que os posts não fiquem excessivamente longos. Qualquer dúvida, gritem! : )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tema&lt;br /&gt;O tema principal é a própria Inconfidência Mineira que dá título à obra. Porém, para escrever sobre isto, Cecília Meireles busca o passado mais remoto de Vila Rica (Ouro Preto), que se inicia com a descoberta do ouro, envolve a caracterização da sua sociedade no século XVIII, descreve o levante republicano dos inconfidentes e suas principais figuras humanas e narra o fim trágico.&lt;br /&gt;A digressão histórica é importante porque ao fim de cada etapa histórica narrada, há o mesmo movimento de opressão por parte de quem tem poder. A cada vez que a população, a massa, sonha com riqueza e prosperidade, há uma desgraça, como a de Felipe dos Santos e a do contratador Fernandes, que prenunciam o destino dos inconfidentes. É como se Cecília, com essa repetição de estrutura narrativa, lembrasse-nos que no Brasil, a história sempre se repete: os ricos e poderosos lutam para manter seu poder a qualquer custo e a grande massa segue sofrendo, eternamente alijada das preciosidades que pode encontrar no mundo. Seja, elas de ouro, de diamante, ou de liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão do tema&lt;br /&gt;A perspectiva que a autora apresenta sobre o tema no conjunto de poemas é uma visão dramática e lírica dos eventos. Não esqueça: O “Romanceiro da Inconfidência” é um texto que parte de uma reflexão sobre a história concreta do levante mineiro e alcança uma dimensão lírica, tornando-se uma interrogação sobre o sentido das ações humanas. Não é um texto que se limita a lamentar o que houve, mas sim ao conjunto de elementos que, sempre se repetindo, perpetuam as desigualdades sociais e o sofrimento dos poucos que sinceramente lutam pela causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrutura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenários&lt;br /&gt;São poemas que descrevem ambientes e  marcam as mudanças de atmosfera no romanceiro. Nos cenários ocorrem um ponto alto de lirismo, em que o “eu” reflete sobre o espaço para nele localizar os acontecimentos. É como se o ambiente físico e o eu-lírico se comunicassem em lembranças, conversassem, compartilhassem da mesma visão piedosa dos acontecimentos. Isto nos lembra muito a relação homem-natureza do período árcade, em que a natureza é um elemento vivo, cheio de alegria e vida, e que entra em comunhão com o estado pérpetuo de carpe-diem do eu-lírico. Aqui, embora os sentimentos sejam outros, ocorre a comunicação entre ambos.&lt;br /&gt;Lembre-se: cada cenário representa uma transição para uma nova etapa do poema. Assim, a primeira parte, conhecida como ciclo do ouro, é introduzida por um cenário. Quando o próximo cenário surgir, começa a etapa seguinte, o ciclo do diamante, e mesmo com as demais etapas do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falas&lt;br /&gt;São poemas em que o eu-lírico intervém na narrativa, tecendo comentários e convidando o leitor a refletir sobre os fatos revividos no relato. As falas não têm a mesma regularidade de distribuição que os cenários. Um mesmo ciclo (ou etapa da narração) pode apresentar mais de uma fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romances&lt;br /&gt;São os oitenta e cinco poemas que reconstituem a história, compondo seu fio narrativo. Os romances não são dispostos, necessariamente, na seqüência cronológica dos acontecimentos: ora aparecem isolados, ora constituem-se em verdadeiros ciclos (o de Chica da Silva, o do Alferes, o de Gonzaga, o da Morte de Tiradentes, o de Gonzaga no exílio).&lt;br /&gt;Muitas vezes (especialmente na Morte de Tiradentes) há uma seqüência de romances de mesmo tema, que apresentam as vozes internas das diversas pessoas envolvidas nas cenas narradas. Estas vozes internas geralmente estarão assinaladas ou com itálico ou por parênteses.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-115771937052630797?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/115771937052630797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=115771937052630797&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115771937052630797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115771937052630797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/09/romanceiro-da-inconfidncia.html' title='Romanceiro da Inconfidência'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-115549955220059484</id><published>2006-08-13T16:51:00.000-03:00</published><updated>2006-08-28T15:47:39.066-03:00</updated><title type='text'>O Uraguai e A Missão</title><content type='html'>O que vocês não me pedem de possível que eu não tento fazer? Deixo sim considerações sobre o filme que assistimos sexta e sobre os elementos da ficha com o roteiro de trabalho. Vamos lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem assistiu ao filme com atenção, não terá dificuldades em perceber que há uma nítida oposição em relação a quem é o grande vilão das guerras guaraníticas, se comparada sua história à de &lt;em&gt;O Uraguai&lt;/em&gt;. Jamais poderíamos dizer que o jesuíta é o inescrupuloso que quer a todo custo poder, como Basílio da Gama retrata no padre Balda e no sacrílego Baldeta. Se alguém é vilão em &lt;em&gt;A missão&lt;/em&gt; é o governo português, que ordena a luta, e o governo espanhol, que poderia ter agido em defesa dos índios, mas que não o faz para poder lucrar com a venda e a compra ilegal de escravos.&lt;br /&gt;A Igreja encuralada pela sua perda cada vez maior de poder na Europa, se omite, tentando manter ainda a ordem dos jesuítas viva, tanto em Portugal (o Marquês de Pombal, em 1750 ainda não havia expulsado os jesuítas - o que foi apenas questão de tempo) como no restante da Europa. Acaba sendo um pouco "vilãzinha", visto que se preocupa com o poder. Mas não podemos esquecer que a tentativa sustentava missões ainda em outros lugares, já que não afrontava a Espanha nem Portugal, não dando motivos para o extermínio da ordem.&lt;br /&gt;O exército, como vocês devem lembrar, não queria lutar. E isso é dito claramente por um dos soldados. O comandante (pena que Gomes Freire de Andrade não receba o crédito) lembra que é uma questão de dever. Neste ponto, o filme reforça a visão crítica da guerra apresentada pelo poema, ainda que por motivos diferentes faça a crítica.&lt;br /&gt;E o índio? Mocinho, sim, mas um mocinho diferente. Observem: o índio de &lt;em&gt;O Uraguai&lt;/em&gt; é moralmente superior e um herói moral que não precisa de brancos para se defender. Afinal, a guerra foi vencida, segundo Basílio da Gama, pela vantagem tecnológica portuguesa. O que se confirma se lembrarmos que as guerras guaraníticas duraram 17 anos. O nativo sabia usar a natureza em seu favor para guerrear. Porém, em &lt;em&gt;A Missão&lt;/em&gt;, o índio aculturado na Missão de São Miguel logo é vencido pelos portugueses e na Missão de São Carlos ele conta com a defesa do jesuíta. Aliás, não era essa a função dos jesuítas, proteger o índio da escravidão? Um pobre ser desgarrado da cultura católica, destinado ao inferno, para os preceitos da época, que precisava ser protegido como se protege um animal em uma reserva ecológica. Coitado do índio sem o jesuíta: não ia nem saber cantar em latim, nem tocar violino! Coisas tão úteis na selva, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, acho que isso ajuda vocês, não é mesmo? Se precisarem de mais, mandem um recado por aqui, um sinal de fumaça para o email ou usem e abusem do atendimento na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo pra todo mundo e até a próxima!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-115549955220059484?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/115549955220059484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=115549955220059484&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115549955220059484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115549955220059484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/08/o-uraguai-e-misso.html' title='O Uraguai e A Missão'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-115515444999116148</id><published>2006-08-09T17:03:00.000-03:00</published><updated>2006-08-09T17:14:10.003-03:00</updated><title type='text'>Missões - Crônica de um Genocídio</title><content type='html'>Tanto &lt;em&gt;A Missão&lt;/em&gt; quanto &lt;em&gt;O Uraguai&lt;/em&gt; podem ser entendidos como crônicas, no sentido de registro histórico, do genocídio dos povos guaranis que habitavam a região ainda indefinida de sul do Brasil, norte do Uruguai. Mas o tíulo desse post não é especificamente sobre nenhum desses dois textos de que já falamos e sim sobre um livro acerca do mesmo assunto, de Décio Freitas. &lt;em&gt;Missões - Crônica de um Genocídio&lt;/em&gt; é, aliás, o nome deste material, não-ficcional, que trata justamente das questões políticas, sociais e históricas que envolveram a atuação dos padres jesuítas dentro das missões, sua relação com os índios, e a ação final das coroas portuguesa e espanhola.&lt;br /&gt;Fica aqui uma dica de leitura para quem quiser se aprofundar mais sobre o tema. E, para dar mais água na boca, fiquem com alguns trechos da resenha feita pela revista "Aventuras na História" sobre o livro de Freitas. O link para o texto completo da resenha, no fim do post.&lt;br /&gt;Ah, e para não perder o costume: beijo pra todo mundo e até a próxima!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Você olha para o mundo de hoje e vê: montes de desempregados sem perspectiva de trabalho; crianças sem escola nem lugar para dormir, descartadas do mundo. Milhões sem acesso à mínima educação, menos ainda à arte e à cultura. Fome de um lado, superabundância do outro. Guerras em nome de interesses privadíssimos. Dispondo de indignação moral, mesmo que de pouca, qualquer um tem vontade de fazer alguma coisa, nem que seja apenas sonhar com um mundo menos injusto. Por exemplo: uma sociedade de pleno emprego, em que não haja as vergonhosas filas nas madrugadas à procura de uma empreguinho humilhante. Escola e saúde para todo mundo, crianças bem tratadas, com sala de aula, roupa, atenção. Ninguém com fome e ninguém com riqueza acumulada para ostentação. Progresso tecnológico, desenvolvimento artístico, alfabetização para todos.&lt;br /&gt;Todos nós brasileiros já ouvimos falar no colégio que essa utopia igualitária já existiu. Floresceu por décadas, antes de ser destruída em uma guerra pra lá de violenta, bárbara. Foi a realização dessa utopia, conhecida genericamente como Missões, que levou o historiador Décio Freitas a um de seus mais conhecidos livros, publicado pela primeira vez em 1982, quando a miséria brasileira nem era tão explícita quanto agora, quando mal saíamos da ditadura militar e buscávamos alternativas de futuro, quando fazia o maior sentido retomar experiências luminosas do passado para confrontar a obscuridade do presente.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;As Missões, também chamadas "reduções", sujeitaram o índio, que passou a viver em vilas organizadas, a praticar a monogamia, a trabalhar em horários certos, a prover o futuro de médio prazo, a ser católico.&lt;br /&gt;O outro lado lembra, porém, coisas positivas: se a questão era preservar a cultura dos índios, ele diz que os jesuítas fizeram isso: aprenderam seu idioma, descreveram sua gramática e, com ela, ensinaram futuras gerações. E mais: se as Missões sujeitavam os índios antes livres, caçadores, poligâmicos, que plantavam somente o que comeriam nos tempos imediatos, sem preocupação com o futuro, elas também significaram uma alternativa concreta de vida. Fora delas, o que aconteceu realmente com os guaranis e outros tantos povos indígenas? Foram exterminados, regra geral, ou se aculturaram na marra, passando a viver a vida dos brancos sem a menor chance de preservar o que quer que fosse.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Passados para domínio português, os padres e índios tiveram de deixar as Missões. Os índios resistiram ainda depois de os jesuítas terem aceitado a transferência imposta por Madri. Mas foram chacinados, em guerra sistemática e moderna, comandada por Gomes Freire de Andrade, figura que ganhou um enorme elogio literário em O Uraguai, poema épico de Basílio da Gama que perpetuou uma interpretação ufanista, pró-lusitana e antijesuítica. Décio diz que os padres "imaginaram erroneamente que a própria Companhia de Jesus, um dos baluartes do colonialismo, permitiria que ultrapassassem os limites dos interesses do colonialismo". Em compensação, "as alternativas do colonialismo não deram melhor resultado: produziram, simplesmente, a genocida extinção dos guaranis", escreveu.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leia a resenha completa em &lt;a href="http://historia.abril.uol.com.br/edicoes/13/obraprima/conteudo_historia_47205.shtml#top"&gt;http://historia.abril.uol.com.br/edicoes/13/obraprima/conteudo_historia_47205.shtml#top&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-115515444999116148?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/115515444999116148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=115515444999116148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115515444999116148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115515444999116148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/08/misses-crnica-de-um-genocdio.html' title='Missões - Crônica de um Genocídio'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-115003526840430124</id><published>2006-06-11T10:49:00.000-03:00</published><updated>2006-06-26T17:36:00.356-03:00</updated><title type='text'>Atendendo a pedidos</title><content type='html'>Vocês me pediram para deixar a revisão do semestre e os gabaritos das questões de vestibular de Arcadismo. Pronto, estão aqui. Depois não me culpem pelo tamanho do post! ; )&lt;br /&gt;Para organizar: revisão primeiro, gabaritos depois. Vou começar pelo começo então primeiro Quinhentismo, depois Barroco e por último Arcadismo. E os autores eu vou deixar para depois dos movimentos, certo?&lt;br /&gt;Qualquer dúvida, deixem um comentário aqui. Eu respondo assim que puder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;Quinhentismo&lt;/span&gt; x &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Barroco&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;Quinhentismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não há projeto estético&lt;br /&gt;Fascínio pela terra descoberta&lt;br /&gt;Conversão dos indígenas através dos autos de Anchieta&lt;br /&gt;Descrição da terra descoberta recheada de fantasia e utopia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Barroco&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Representação da angústia&lt;br /&gt;Fascínio pelas questões espirituais do homem&lt;br /&gt;Conversão de todos os católicos através dos sermões de Vieira&lt;br /&gt;Descrição crítica da colônia nas sátiras de Gregório de Matos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Barroco&lt;/span&gt; x &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Arcadismo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Barroco &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Seiscentismo (séc. XVII)&lt;br /&gt;Conflito (antropos x teos)&lt;br /&gt;Cristianismo&lt;br /&gt;Ideais da Contra-Reforma&lt;br /&gt;Fé e emoção&lt;br /&gt;Arte aristocrática&lt;br /&gt;Ambiente urbano&lt;br /&gt;Gosto por raciocínios complexos, intrincados&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Vocabulário rebuscado &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;Uso da ordem inversa (hipérbato)&lt;br /&gt;Paradoxos, antíteses, gradações, metonímias&lt;br /&gt;Exagero emocional&lt;br /&gt;Lírica diversificada (amorosa, sacra, filosófica)&lt;br /&gt;Amor arrebatado, conflito entre o desejo e o pecado&lt;br /&gt;Dúvida, medo da morte, submissão a Deus&lt;br /&gt;Sátira de cunho pessoal e político; uso de vocabulário chulo &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;strong&gt;Arcadismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Setecentismo (séc. XVIII)&lt;br /&gt;Antropocentrismo&lt;br /&gt;Paganismo&lt;br /&gt;Ideais do Iluminismo&lt;br /&gt;Razão&lt;br /&gt;Arte de ideologia burguesa&lt;br /&gt;Bucolismo (fugere urbem)&lt;br /&gt;Busca a clareza de idéias, despreza o inutilia truncat&lt;br /&gt;Vocabulário simples&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;Uso da ordem direta dos termos da oração&lt;br /&gt;Uso de poucas figuras de linguagem&lt;br /&gt;Contenção emocional&lt;br /&gt;Produção repetitiva, sem inovações entre os autores&lt;br /&gt;Amor convencional, sereno, sem grandes obstáculos&lt;br /&gt;Aproveitar o momento sem medo pelo futuro&lt;br /&gt;Sátira de cunho político apenas, sem ataques pessoais; vocabulário sóbrio&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Autores&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;Pe. José de Anchieta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jesuíta com a missão de evangelizar e converter os índios&lt;br /&gt;Luta contra as religiões indígenas&lt;br /&gt;Usa o teatro, a música e a poesia&lt;br /&gt;Usa elementos da cultura indígena para conseguir a adesão dos espectadores&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Pe. Antonio Vieira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Jesuíta com a missão de evangelizar e converter todos os colonos&lt;br /&gt;Luta contra as religiões protestantes&lt;br /&gt;Usa o sermão como arma política&lt;br /&gt;Usa citações bíblicas, parábolas, comparações, para persuadir os ouvintes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Gregório de Matos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Lírica multiforme (amorosa, filosófica / reflexiva, religiosa/sacra)&lt;br /&gt;Sátira popularesca, critica todos os componentes da sociedade&lt;br /&gt;Sonetista &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;strong&gt;Tomás Antônio &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Gonza&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;ga&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;br /&gt;Lírica inovadora na 2ª metade de Marília de Dirceu (poesia biográfica)&lt;br /&gt;Sátira elitista, critica apenas o governador e seus assessores&lt;br /&gt;Produz liras de métrica e estrofação regular, mas não usa o soneto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Gabarito das questões de vestibular (pg 186)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;9 - D. Linguagem rebuscada é característica do Barroco, não do Arcadismo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;10 - B. A exploração do ouro era a principal atividade econômica na colônia durante o século XVIII.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;11 - A. A poesia satírica é aquela em que o eu-lírico (a voz poética do texto) ridiculariza ou critica alguém baseando-se em atitudes públicas, fisionomia, comportamentos. Como o eu-lírico do texto de cordel critica os deputados, de uma maneira geral, esta sátira coincide com o alvo das &lt;em&gt;Cartas chilenas&lt;/em&gt;, o personagem Fanfarrão Minésio (psudônimo usado para se criticar o governador das Minas).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;13 - A. Observem que esta é a única alternativa que corresponde a características do movimento árcade, ao qual Bocage pertenceu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;14 - B. Como eu comentei em sala e aqui no blog mesmo, a personificação é uma figura de linguagem muito presente nos textos árcades, tal a importância da natureza para que se construa um cenário de serenidade, reeptivo ao amor sereno e ao espírito tranqüilo do eu-lírico deste movimento. No caso do texto I, o rio Tejo, de Portugal, sorri, atitude humana. Os Zéfiros são os ventos. Bocage usa este nome porque Zéfiro é a divindade mitológica que controla os ventos (o que é uma referência pagã). Brincar também é uma atitude humana. Estas duas imagens (rio que ri, vento que brinca) são personificações - também chamadas de prosopopéias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Fiquem com Deus e bom estudo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21664593-115003526840430124?l=literarizando.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literarizando.blogspot.com/feeds/115003526840430124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21664593&amp;postID=115003526840430124&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115003526840430124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21664593/posts/default/115003526840430124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literarizando.blogspot.com/2006/06/atendendo-pedidos.html' title='Atendendo a pedidos'/><author><name>Professora Bianca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07570211764937378775</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21664593.post-114947595117456348</id><published>2006-06-04T22:48:00.000-03:00</published><updated>2006-06-11T16:45:42.370-03:00</updated><title type='text'>A linguagem barroca e a linguagem árcade</title><content type='html'>Olá gente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que faz muito tempo que não posto nenhuma atualização aqui e peço que me desculpem. Mas vida de professor em fim de semestre é uma loucura muito maior do que a de vocês, podem acreditar.&lt;br /&gt;Atendendo ao pedido que Eduardo me fez, vou deixar hoje um post sobre as diferenças de linguagem do barroco e do arcadismo e as diferentes figuras de linguagem destes dois movimentos.&lt;br /&gt;Uma coisa importante acerca disto e em relação à qual todos devem ficar atentos é a seguinte: não é porque a linguagem árcade é mais simples que a barroca que não há figura de linguagens nela. O que ocorre é uma exploração muito menos exagerada, mais "clean", como costumamos dizer. Os árcades são, de certa forma, minimalistas: para eles menos é mais. Mas isso não significa dizer que não há figuras, certo?&lt;br /&gt;Entendido esse ponto, vamos em frente...&lt;br /&gt;Como vocês devem lembrar, eu ressaltei nas aulas que o Barroco tem como figuras de linguagem principais a antítese, o paradoxo, a metonímia, a metáfora e a gradação. Para quem está com a memória mais curta, vamos lembrar em que consistem estes jogos de palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A metáfora é uma comparação &lt;strong&gt;implícita&lt;/strong&gt; entre dois termos. Implícita porque não faz uso dos elementos (conjunções e expressões comparativas - como &lt;em&gt;tal qual&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;como&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;que nem&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;tão&lt;/em&gt;...&lt;em&gt; quanto&lt;/em&gt;..., &lt;em&gt;tanto&lt;/em&gt;... &lt;em&gt;quanto&lt;/em&gt;...) que normalmente relacionam os itens comparados em um discurso. Assim enquanto na frase "Saudade amarga &lt;strong&gt;que nem&lt;/strong&gt; jiló" (para lembrar um pouco de Luiz Gonzaga nesse período junino) temos comparação (pois foi usado um termo que explicita a relação dos termos), na frase "Saudade é arrumar o quarto do filho morto" (citando agora o grande Chico Buarque) temos metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente confunde a metonímia com a metáfora, mas ambas são processos bastante diversos de inovação nos sentidos das palavras . Na metonímia não existe comparação entre termos, mas usamos um em &lt;strong&gt;substituição&lt;/strong&gt; ao outro. Isto fica mais claro quando lembramos daquele texto de Gregório de Matos trabalhado em sala de aula e que está no material de vocês, "Buscando a Cristo". Nele, em lugar de se referir à imagem de Jesus Crucificado como um todo, Gregório substitui o todo pelas partes: os braços, os olhos...&lt;br /&gt;Ainda com dúvidas? Então observem esses usos cotidianos de metonímia:&lt;br /&gt;"Sujou? Usa &lt;strong&gt;Dragão&lt;/strong&gt;" -&gt; o nome da &lt;strong&gt;marca&lt;/strong&gt; substitui o do &lt;strong&gt;produto&lt;/strong&gt;, água sanitária&lt;br /&gt;"Mas ele só tomou um &lt;strong&gt;copo&lt;/strong&gt;!" -&gt; o nome do &lt;strong&gt;objeto que contém&lt;/strong&gt; o líquido substitui o &lt;strong&gt;conteúdo&lt;/strong&gt; o qual foi o elemento realmente ingerido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gradação, por sua vez, é um &lt;strong&gt;encadeamento&lt;/strong&gt; de palavras que encerram a mesma idéia geral, mas &lt;strong&gt;cuja ordenação constrói um reforço ou uma suavização&lt;/strong&gt; desta idéia. Um exemplo é um verso de uma música da Legião Urbana feita para Cássia Eller "Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher". Observe que as palavras fera e bicho são sinônimos, pois ambas podem designar os mesmos animais. Porém há uma idéia maior de selvageria na palavra &lt;strong&gt;fera&lt;/strong&gt;. Idéia que perde a força quando se chega ao elemento seguinte, &lt;strong&gt;bicho&lt;/strong&gt;. Continuando a gradação, o autor - Renato Russo, no caso - estabelece outra relação de sinonímia: anjo e mulher. Em ambos há uma idéia de sublime (principalmente se considerarmos o restante da música, em que se fala da gestação de uma criança: "Do ventre nasceum novo coração" está há apenas três versos de distância). A palavra &lt;strong&gt;anjo&lt;/strong&gt;, porém, encerra a idéia de divindade com mais força do que a palavra &lt;strong&gt;mulher&lt;/strong&gt;. Nas duas gradações há uma tendência para se reforçar a idéia da humanidade do eu-lírico, que, embora seja ao mesmo tempo todos esses elementos, vai minimizando o exagero do animalismo e da divindade, se situando num meio termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajei demais? Então vamos para o básico: se numa conversa entre dois amigos um diz que "A viagem foi muito boa, arretada, irada" a idéia de qualidade, iniciada no adjetivo &lt;strong&gt;boa&lt;/strong&gt;, vai ganhando reforço gradativo até chegar na força máxima: &lt;strong&gt;irada&lt;/strong&gt;. Se a ordem dos adje
